Em fevereiro, o índice subiu 4,09% e completou uma sequência de sete ganhos mensais, iniciada ainda em agosto de 2025. Esse cenário não era visto na B3 desde a longa série positiva de 16 meses registrada entre abril de 1996 e julho de 1997.
Na sessão de hoje, o destaque ficou com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que subiu 0,84% em fevereiro, resultado acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,69%. A mediana era de avanço de 0,56% e o piso era de aumento de 0,39%.
“Não acreditamos que haja mudança na precificação do início do corte da taxa Selic em março no patamar de 50 pontos-base, porém, a taxa terminal pode sofrer alguma mudança no sentido de precificar a dificuldade de se trazer a inflação próxima à meta de 3%”, afirma Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP.
No noticiário corporativo, destaque para o Bradesco (BBDC3;BBDC4), que anunciou a consolidação dos seus negócios de saúde sob o guarda-chuva da Odontoprev (ODPV3), que passará a se chamar Bradsaúde. As ações ordinárias do banco (BBDC3) subiram 0,66% no pregão e as preferenciais (BBDC4) avançaram 0,81%. Fora do Ibovespa, a Odontoprev teve alta de 13,93%, enquanto a Qualicorp (QUAL3) tombou 12,24%.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuaram 0,43%, 1,05% e 0,92%, respectivamente. Hoje foi divulgado o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que subiu 0,5% em janeiro ante dezembro de 2025. Na comparação anual, o PPI avançou 2,9% em janeiro. Analistas consultados pela FactSet esperavam altas de 0,3% e 1,6%, respectivamente.
O dólar hoje fechou em leve queda de 0,1% cotado a R$ 5,1340. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que fatores externos, como o dado de inflação mais forte nos EUA, sustentaram a demanda pela moeda americana. De outro lado, houve um suporte vindo do cenário doméstico, com a manutenção da atratividade do diferencial de juros brasileiro com a divulgação do IPCA-15 bem acima das projeções. “O resultado foi um pregão marcado por baixa tendência, com o câmbio oscilando em faixa estreita”, diz.
Para março, o evento de destaque será a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18, que pode iniciar o ciclo de cortes da Selic. “Juros menores reduzem o custo de capital, melhoram a dinâmica de crédito e tendem a favorecer setores ligados à economia doméstica. Mas o corte por si só não garante alta consistente do Ibovespa”, explica Rhuan Palma, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças (FBNF).
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Prio (PRIO3), Usiminas (USIM5) e MBRF (MBRF3).
Prio (PRIO3): 4,11%, R$ 54,49
As ações da Prio (PRIO3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e saltaram 4,11% a R$ 54,49, em dia de ganhos para o petróleo. O barril do WTI para abril subiu 2,77% a US$ 67,02, enquanto o do Brent para maio avançou 2,86% a US$ 72,87.
A PRIO3 está em alta de 6,86% no mês. No ano, acumula uma valorização de 31,55%.
Usiminas (USIM5): 2,32%, R$ 7,07
Quem também se saiu bem foi a Usiminas (USIM5), com alta de 2,32% a R$ 7,07, em dia de valorização do minério de ferro na Bolsa chinesa de Dalian.
A USIM5 está em alta de 12,22% no mês. No ano, acumula uma valorização de 18,82%.
MBRF (MBRF3): 2,17%, R$ 20,68
Outro destaque positivo foi a MBRF (MBRF3), que terminou esta sexta-feira com ganho de 2,17% a R$ 20,68.
A MBRF3 está em alta de 10,77% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,5%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Cosan (CSAN3), Natura (NATU3) e Caixa Seguridade (CXSE3).
Cosan (CSAN3): -5,27%, R$ 6,29
As ações da Cosan (CSAN3) despencaram 5,27% a R$ 6,29. A Fitch rebaixou os ratings de inadimplência do emissor (IDR) da empresa de BB para BB- e o rating nacional de AAA(bra) para A+(bra), além de colocar todas as notas em observação negativa.
A CSAN3 está em alta de 6,61% no mês. No ano, acumula uma valorização de 18,23%.
Natura (NATU3): -5,2%, R$ 9,11
Os ativos da Natura (NATU3) tombaram 5,2% a R$ 9,11, estendendo as perdas da última sessão, quando já haviam cedido 2,73%, entre as principais baixas do Ibovespa.
A NATU3 está em alta de 3,88% no mês. No ano, acumula uma valorização de 22,28%.
Caixa Seguridade (CXSE3): -4,05%, R$ 17,79
Os papéis da Caixa Seguridade (CXSE3) derreteram 4,05% a R$ 17,79 no Ibovespa hoje. A companhia registrou lucro líquido gerencial de R$ 1,12 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 6,4% em relação a igual intervalo de 2024. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve queda de 1,3%.
A CXSE3 está em alta de 2,77% no mês. No ano, acumula uma valorização de 9,34%.
*Com Estadão Conteúdo