Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 registrou um aumento de 1,04% no acumulado do ano. Em 12 meses, a alta foi de 4,10%, ante taxa de 4,50% até janeiro. “Com esse IPCA-15 mais forte, acima das projeções, entendemos que aumenta a probabilidade de um corte de juros mais cauteloso em março”, afirma Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD.
O resultado do IPCA-15 em fevereiro veio acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,69%. A mediana era de avanço de 0,56% e o piso, aumento de 0,39%. O aumento de 4,10% no acumulado em 12 meses também é superior ao teto das projeções, de alta de 3,95%, com mediana de avanço de 3,81% e piso de aumento de 3,64%.
Mariana Rodrigues, economista SulAmerica Investimentos, diz que o índice surpreendeu de forma significantemente positiva impulsionado principalmente pela alta inesperada em passagens aéreas e no seguro voluntário de veículos, o que pressionou a abertura de serviços.
“Ainda que parte do movimento possa ser interpretado como efeito de payback, o resultado acende um sinal de alerta em relação à perspectiva de melhora estrutural da inflação ao longo do ano. Na mesma direção, também houve surpresa altista em alimentação no domicílio, segmento para o qual projetávamos deflação no período. Nessa mesma linha, a abertura de bens industriais também surpreendeu o mercado, com leitura mais pressionada novamente em duráveis”, completa a analista.
Além do IPCA-15, o mercado acompanho uma pesquisa eleitoral do Instituto Paraná Pesquisas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados tecnicamente tanto no primeiro quanto no segundo turno da eleição presidencial, de acordo com o levantamento divulgado nesta sexta-feira (27). É a mesma tendência da pesquisa divulgada esta semana no Atlas e a primeira vez que isso ocorre nessa pesquisa em relação à primeira etapa do pleito.
Na seara corporativa, Bradesco foi destaque. O banco anunciou hoje a criação da Bradsaúde, que nasce da consolidação dos negócios de saúde do grupo na Odontoprev, na qual deterá 91,35% de participação. Além disso, a nova empresa terá uma receita de R$ 52 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários, cerca de 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas. As ações BBDC4 subiram 0,81%. Petrobras (PETR4) cedeu 0,71%, enquanto Vale (VALE3) recuou 0,83%.
Nos mercados internacionais, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) foi publicado nos EUA. O índice subiu 0,5% em janeiro ante dezembro de 2025. Na comparação anual, o PPI avançou 2,9% em janeiro. Analistas consultados pela FactSet esperavam altas de 0,3% e 1,6%, respectivamente.
Ibovespa hoje: veja os destaques do último pregão do mês
No exterior, Nova York exibiu cautela nesta tarde e estendeu as perdas da véspera diante dos temores relacionados a gastos com inteligência artificial (IA).
Os papéis da Netflix, no entanto, saltaram 13,77% após a empresa dizer que não elevará mais sua oferta pela Warner Bros Discovery, abrindo caminho para a Paramount Skydance. O Dow Jones caiu 1,05%, o S&P 500 recuou 0,43% e o Nasdaq teve perda de 0,92%.
Na Europa, as bolsas encerraram majoritariamente em queda nesta sexta-feira, após sessão volátil marcada por realização de lucros, com investidores atentos a dados de inflação na Alemanha e nos EUA. Londres fechou em alta de 0,59% e Frankfurt subiu 0,09%. Paris perdeu 0,47%, Milão recuou 0,46% e Madri 0,63%. Lisboa, por sua vez subiu 0,09%.
As bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, com novo recorde em Tóquio. O índice japonês Nikkei subiu 0,16% em Tóquio, ao patamar inédito de 58.850,27 pontos, e o Hang Seng avançou 0,95% em Hong Kong, a 26.630,54 pontos.
Na China continental, o dia foi de ganhos modestos – de 0,39% do Xangai Composto, a 4.162,88 pontos, e de 0,30% do menos abrangente Shenzhen Composto, a 2.763,59 pontos -, após o Politburo do partido comunista chinês reiterar sua postura pró-crescimento econômico.
Exceção na Ásia, o índice sul-coreano Kospi caiu 1% em Seul, a 6.244,13 pontos, em possível movimento de realização de lucros, interrompendo um rali em que renovou máximas históricas por seis pregões consecutivos. Em Taiwan, não houve negócios devido a um feriado.
Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul hoje: o S&P/ASX 200 avançou 0,25% em Sydney, a 9.198,60 pontos.
Commodities e dólar
Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira, um dia após uma nova rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã, em Genebra, terminar sem um acordo. A expectativa é que as conversas sejam retomadas na semana que vem.
O barril do petróleo WTI para abril subiu 2,77% na Nymex, a US$ 67,02, enquanto o do Brent para maio avançou 2,86% na ICE, a US$ 72,87.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em alta de 0,27%, cotado a 750,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 109,7. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em queda de 0,07%, a 731 yuans, o equivalente a US$ 106,85 por tonelada.
O dólar fechou em baixa ante outras moedas de economias desenvolvidas. O dólar caiu a 156,02 ienes, enquanto o euro subiu a US$ 1,1826 e a libra teve baixa a US$ 1,3490. Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – registrou queda de 0,18%, a 97,608 pontos.
Esses e outros indicadores influenciaram o humor e o apetite por risco do mercado, mexendo com o pregão do Ibovespa hoje.
*Com informações de Cecília Mayrink, Sérgio Caldas, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast