“A leitura é de que o mercado subiu bastante e agora passa por uma realização. O fluxo de investidores estrangeiros segue positivo no mês. Se houver alguma melhora no cenário externo, as Bolsas podem retomar o movimento de alta”, avalia Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
Na agenda, destaque para mais uma edição do Boletim Focus. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 3,95% para 3,91%. A taxa está 0,59 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Já a projeção para a Selic no fim deste ano recuou de 12,25% para 12,13%, depois de oito semanas de estabilidade.
No mercado hoje, as ações de grandes bancos foram os destaques negativos. Itaú (ITUB4) tombou 3,62%. O Bradesco (BBDC3;BBDC4) caiu 1,92% nos papéis ordinários (BBDC3) e 2,44% nos preferenciais (BBDC4), enquanto Santander (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11) registraram perdas de 5,69% e 2,52%, respectivamente. O Banco do Brasil (BBAS3) teve a menor baixa, de 0,59%.
Já Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4) subiram, evitando uma queda maior do Ibovespa. Os papéis da mineradora, que já haviam disparado 3,23% na última sessão, avançaram 0,67% hoje. Enquanto isso, os ativos ordinários da petroleira (PETR3) tiveram alta de 1,95% e os preferenciais (PETR4), de 1,63%.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caíram 1,04%, 1,66% e 1,13%, respectivamente. No sábado (21), Trump ampliou a tarifa global de 10% para 15%. “Como presidente dos Estados Unidos da América, aumentarei, com efeito imediato, as tarifas globais de 10% (…) para o nível totalmente autorizado e legal de 15%”, escreveu em sua plataforma de mídia social Truth Social.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o elevado nível de incerteza em relação à política tarifária pressionou os mercados americanos. “Os últimos acontecimentos reforçam a percepção de uma política econômica errática por parte da maior economia do planeta, com alta imprevisibilidade e com riscos relevantes ao crescimento global”, afirma.
O dólar hoje fechou em queda de 0,14% a R$ 5,1686, no menor valor desde o dia 28 de maio de 2024, quando estava cotado a R$ 5,1540. “O real foi favorecido pelo recuo dos juros dos Treasuries (títulos públicos americanos) em toda a extensão da curva, com destaque para o vencimento de 10 anos”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Raízen (RAIZ4), MBRF (MBRF3) e Telefônica Brasil (VIVT3).
Raízen (RAIZ4): 5%, R$ 0,63
As ações da Raízen (RAIZ4) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e subiram 5% a R$ 0,63. Na última sessão, os ativos haviam liderado as perdas do índice, com queda de 3,23%.
A RAIZ4 está em baixa de 38,83% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 22,22%.
MBRF (MBRF3): 3,88%, R$ 19,53
Quem também se saiu bem foi a MBRF (MBRF3), que registrou alta de 3,88% a R$ 19,53 na sessão.
A MBRF3 está em alta de 4,61% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 2,25%.
Telefônica Brasil (VIVT3): 3,27%, R$ 42,03
Na lista de destaques positivos, a Telefônica Brasil (VIVT3) avançou 3,27% a R$ 42,03, no mesmo dia em que divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25). O movimento refletiu a leitura predominantemente construtiva do mercado financeiro sobre o balanço, ainda que sem grandes surpresas.
A VIVT3 está em alta de 12,44% no mês. No ano, acumula uma valorização de 26,98%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Santander (SANB11), Hapvida (HAPV3) e Vibra (VBBR3).
Santander (SANB11): -5,69%, R$ 34,61
As ações do Santander (SANB11) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e tombaram 5,69% a R$ 34,61, apagando os ganhos de 3,12% dos papéis na última sexta-feira (20).
A SANB11 está em baixa de 4,71% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,38%.
Hapvida (HAPV3): -5,05%, R$ 9,97
Os papéis da Hapvida (HAPV3) afundaram 5,05% a R$ 9,97 no pregão. Em relatório, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para a empresa, mas destacou que a visibilidade limitada dos lucros modera a visão do banco sobre a companhia.
A HAPV3 está em baixa de 23,31% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 32,32%.
Vibra (VBBR3): -4,87%, R$ 30,28
Entre os destaques negativos do Ibovespa hoje, as ações da Vibra (VBBR3) caíram 4,87% a R$ 30,28. A empresa foi penalizada pela interdição de uma unidade em Volta Redonda (RJ), após uma explosão em um tanque de armazenamento de etanol na madrugada deste domingo (22), que fez duas vítimas fatais.
A VBBR3 está em alta de 5,29% no mês. No ano, acumula uma valorização de 19,54%.
*Com Estadão Conteúdo