A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) não autoriza o presidente a impor tarifas, derrubando as medidas globais adotadas por Donald Trump contra diferentes países. A notícia mexeu com os mercados, ampliando os ganhos do Ibovespa e dos índices de Nova York. O dólar, por outro lado, acentuou queda.
Durante a tarde, em coletiva de imprensa, Trump classificou como uma “vergonha” a decisão da Suprema Corte e descreveu a medida como “profundamente decepcionante” e “ridícula”. Ele alegou ter um “plano B” para retomar o tarifaço e prometeu assinar um decreto impondo 10% de tarifa global, que deve entrar em vigor em três dias e permanecer por um período de cinco meses.
Essa taxa será adotada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite impor tarifas de até 15% por até 150 dias para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos, sem investigação prévia.
“A tarifa de 10% foi vista como relativamente branda pelo mercado, em uma sensação de ‘dos males o menor’. A alíquota poderia ter sido mais alta e a definição tem validade de 150 dias, em uma ferramenta que tem menor potencial de uso político indiscriminado de tarifas do que a IEEPA”, explica Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
No mercado local, destaque para a Vale (VALE3), ação de maior peso do Ibovespa, que fechou em alta de 3,23%. Os bancos também se saíram bem. O Bradesco (BBDC3;BBDC4) avançou 2,07% nos papéis ordinários (BBDC3) e 2,02% nos preferenciais (BBDC4), enquanto o Itaú (ITUB4) subiu 1,4%. Santander (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11) registraram ganhos de 3,12% e 0,53%, respectivamente. Banco do Brasil (BBAS3) terminou em alta de 2%.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 0,69%, 0,47% e 0,9%, respectivamente. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre de 2025, segundo estimativa inicial do Departamento de Comércio do país, divulgada nesta sexta-feira. Analistas consultados pela FactSet previam alta de 1,9%.
Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA, medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed), subiu a uma taxa anualizada de 2,9% no quarto trimestre de 2025, segundo estimativa inicial do Departamento de Comércio do país. O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 2,7% nos últimos três meses do ano passado.
O dólar hoje fechou em queda de 0,98% cotado a R$ 5,1759, depois de oscilar entre máxima a R$ 5,2235 e mínima a R$ 5,1736. A moeda americana terminou o pregão no menor nível desde o dia 28 de maio de 2024, então a R$ 5,1540. O índice DXY, que compara o dólar com seis divisas fortes, encerrou em baixa de 0,13% aos 97,796 pontos.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Vamos (VAMO3), Vale (VALE3) e Santander (SANB11).
Vamos (VAMO3): 4,01%, R$ 4,67
As ações da Vamos (VAMO3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 4,01% a R$ 4,67. Ao Broadcast, Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, afirmou que a expectativa de corte de juros no curto prazo ajuda empresas com uma estrutura de capital alavancada e expostas à forte potencial de crescimento.
“Esses fatores explicam a alta recente da Vamos, que estava muito depreciada pelo mercado, principalmente pelos aspectos financeiros que aumentavam demais o risco e ritmo de crescimento”, disse.
A VAMO3 está em alta de 17,04% no mês. No ano, acumula uma valorização de 44,58%.
Vale (VALE3): 3,23%, R$ 86,81
Outro destaque positivo foi a Vale (VALE3), com alta de 3,23% a R$ 86,61. Fatores como o feriado do Ano Novo Lunar na China, a queda dos preços do cobre e a tendência de correção natural haviam mexido com os papéis da empresa nos últimos dias, mas nesta sexta-feira os ativos se recuperaram.
A VALE3 está em alta de 2,95% no mês. No ano, acumula uma valorização de 20,64%.
Santander (SANB11): 3,12%, R$ 36,7
Os ativos do Santander (SANB11) completaram os destaques positivos e avançaram 3,12% a R$ 36,7, em linha com papéis de outros grandes bancos.
A SANB11 está em alta de 1,05% no mês. No ano, acumula uma valorização de 9,62%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Vivara (VIVA3).
Raízen (RAIZ4): -3,23%, R$ 0,6
As ações da Raízen (RAIZ4) registraram a pior queda do Ibovespa hoje e afundaram 3,23% a R$ 0,6. Os papéis da companhia já haviam recuado 7,46% no último pregão.
A RAIZ4 está em baixa de 41,75% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 25,93%.
Hapvida (HAPV3): -2,69%, R$ 10,5
Quem também se saiu mal foi a Hapvida (HAPV3), com baixa de 2,69% a R$ 10,5. A empresa apagou parte dos ganhos da véspera, quando saltou 6,62% a R$ 10,79.
A HAPV3 está em baixa de 19,23% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 28,72%.
Vivara (VIVA3): -1,88%, R$ 30,75
As ações da Vivara (VIVA3), por sua vez, recuaram 1,88% a R$ 30,75 no Ibovespa hoje.
A VIVA3 está em alta de 9,12% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 7,49%.
*Com Estadão Conteúdo