A rotação global dos portfólios que buscaram alocar capital em mercados fora dos Estados Unidos favoreceu essa guinada da Bolsa brasileira. Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros investiram R$ 12,24 bilhões no mercado doméstico entre os dias 2 e 29 de maio. No ano, esse volume chega a R$ 23 bilhões. Junto a isso, há ainda a expectativa pela manutenção dos juros também que renovou os ânimos do Ibovespa, que já acumula uma alta de 13,9% em 2025.
Contudo, a continuidade do rali pode enfrentar alguns desafios, na visão da XP. O primeiro deles está no prêmio de risco do índice que ficou abaixo da sua média histórica, pela primeira vez, desde 2021, caindo de 7,2%, em dezembro de 2024, para 5,3% em maio. Já os ativos de renda fixa, como títulos indexados ao IPCA+, continuam com rentabilidades atrativas ao investidor.”A forte valorização das ações não foi acompanhada por uma queda nas taxas reais de juros, com as taxas de longo prazo das NTN-B (títulos indexados ao IPCA) recuando apenas marginalmente, de 7,5% para 7,2%”, informou a corretora em relatório, publicado na sexta-feira (30). Ou seja, para que os ganhos do Ibovespa permaneçam ao longo de junho, os juros reais de longo prazo das NTN-Bs precisam sofrer uma queda mais significativa nas próximas semanas.
Além disso, as estimativas de consenso para lucro por ação (LPA) do índice em 2025 e 2026 foram revisadas para baixo nos últimos meses, com quedas de 5,5% e 5,2%, respectivamente, desde o início do ano. “Esse movimento foi liderado por commodities, que viram uma retração de 16,1% nos lucros projetados em 12 meses ao longo de 2025, em meio à deterioração das expectativas para a atividade global — especialmente nos EUA — e à queda nos preços das commodities”, disse a XP.
E esses riscos ainda permanecem. No cenário global, o ambiente continua marcado pela incerteza econômica diante das tensões comerciais, causadas pelas tarifas de importação dos Estados Unidos. Na última sexta-feira (30), o presidente americano, Donald Trump, anunciou que dobrará as tarifas sobre aço e alumínio, de 25% para 50%, a partir desta quarta-feira (4). Já no contexto doméstico, há o risco do Banco Central não conseguir entregar os cortes de 1,75 pontos percentuais na taxa Selic até o fim de 2026 que estão precificados pelo mercado.
“Preocupações fiscais persistentes podem continuar pressionando os juros longos, limitando o fechamento da curva — o que é uma condição essencial para que o rali atual se sustente”, completa o texto do relatório. Apesar das dificuldades, a XP elevou o seu preço-alvo para Ibovespa para o fim de 2025, que saiu de 149 mil pontos para 150 mil pontos. A projeção acompanha as estimativas de outras casas de análises e corretoras do mercado. Veja nesta reportagem.