O fôlego da bolsa brasileira tem mais relação com o contexto internacional do que com aspectos internos. Segundo Cristiano Henrique Luersen, sócio e assessor de Investimentos da Wiser Investimentos, o cenário macroeconômico e as tensões geopolíticas têm promovido uma saída relevante de capital do mercado norte-americano e da Europa para outros países, como o Brasil.
“Esse movimento de saída para mercados emergentes começou e veio para ficar, devendo consolidar-se ao longo de todo o ano de 2026”, disse Luersen ao Broadcast. Dados da B3 mostram que, até as negociações de terça-feira (20), investidores estrangeiros aportaram R$ 8,7 bilhões na bolsa brasileira. O volume supera o total registrado em todo o mês de janeiro do ano passado, de R$ 6,8 bilhões.
Na sessão desta quinta-feira (22), o Ibovespa fechou com alta de 2,20%, aos 175.589,35 pontos. A valorização refletiu o alívio das tensões externas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartar uma ação militar para tomar a Groenlândia. O republicano mencionou ainda a possibilidade de cancelar tarifas que seriam aplicadas à Europa em fevereiro.
Autoridades europeias afirmaram que esperam que as negociações com os EUA sobre a Groenlândia se concentrem em temas de segurança, defesa e minerais. Líderes do continente alternam entre esperança e ceticismo quanto a um eventual acordo. Na quarta-feira (21), o movimento foi semelhante. Além de renovar a sua máxima histórica de fechamento, a bolsa brasileira teve o maior ganho diário desde abril de 2023.
*Com informações de Maria Regina Silva, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast