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Mercado

Com a inflação pressionada nos EUA, como ficam as bolsas globais?

Alta dos preços pode resultar em juros mais elevados, que tendem a fazer com que os ativos de risco sofram

Por Artur Nicoceli

14/10/2022 | 17:22 Atualização: 14/10/2022 | 17:22

Dados sobre inflação nos EUA trouxeram preocupação aos analistas de mercado | Foto: Envato Elements
Dados sobre inflação nos EUA trouxeram preocupação aos analistas de mercado | Foto: Envato Elements

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou na quinta-feira (13) o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês). Os dados causaram preocupação para os analistas de mercado, principalmente quando se olha para as carteiras de investimentos de renda variável.

Leia mais:
  • EUA: CPI sobe 0,4% em setembro ante agosto e supera expectativas
  • CPI dos EUA mostra que corte de juros pode demorar, diz ModalMais
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Os números indicaram haver uma pressão muito grande em relação à inflação e que talvez os juros norte-americanos não parem em 4,5%, como alguns especialistas estimavam.

E com juros mais altos, o investidor deve encarar uma forte volatilidade nas bolsas globais, com destaque para Europa e Ásia, afirma Acilio Marinello, coordenador do MBA em Digital Banking da Trevisan Escola de Negócios.

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“Essas bolsas internacionais (Europa e Ásia) serão impactadas devido ao maior risco de recessão por decorrência das pressões inflacionárias, agravadas pela crise energética no continente europeu, além das novas ofensivas russas no conflito contra a Ucrânia”.

Já no Brasil, os BDRs e produtos lastreados no câmbio devem encarar turbulências nas próximas semanas, diz o coordenador do MBA da Trevisan.

Dessa forma, a recomendação de Jennie Li, estrategista de Ações da XP, é de não tomar muito risco neste momento porque os juros mais altos fazem com que os ativos de risco sofram.

Marinello sugere também uma cautela e a busca por diversificação com produtos prefixados e renda-fixa para diluir os riscos da carteira. Os produtos financeiros prefixados são conhecidos por serem blindados à volatilidade dos mercados internacionais. “Em épocas de alta incerteza, ancorar parte dos recursos em ativos com uma rentabilidade menor, mas previsível e segura, ajuda o investidor a enfrentar melhor a tormenta dos mercados globais, mitigando eventuais perdas do seu patrimônio”.

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Carlos Macedo, especialista em alocação de investimentos da Warren, por sua vez, aponta que os fundos multimercados tem sido fundamentais para o balanceamento das carteiras. “Não somente pela flexibilidade dos produtos, mas também pelo posicionamento mediano atual com a compra de taxa de juro global e venda de ações norte-americanas”.

Impacto no mercado

Quando os dados foram anunciados, a reação do mercado foi de queda das ações. Na quinta-feira, o Ibovespa fechou com perdas de 0,46%, aos 114 mil pontos.

Já no exterior, os investidores reagiram negativamente aos dados de inflação piores do que o esperado nos EUA, gerando um efeito de baixa nas bolsas americanas, apesar da posterior recuperação no mesmo dia.

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A inflação para o consumidor nos EUA em setembro teve um avanço de 0,4%, ante a expectativa de 0,2%. Já no acumulado de 12 meses, a desaceleração foi menos intensa do que o esperado, de 8,3% para 8,2%.

Os núcleos (que medem a evolução dos preços de bens e serviços, sem contar alimentos e energia) também subiram mais do que o esperado, diz André Coelho, analista da Ativa. Era aguardada uma aceleração de 6,3% para 6,5%, mas o índice atingiu 6,6% na comparação anual.

Vale destacar ainda que o impacto não se resume apenas à liquidez no mercado, mas interfere no custo de dívida das empresas com contratos e juros mais caros. “Com o passar do tempo, a corda vai apertando”, diz Vitor Miziara, sócio da Criteria Investimentos e colunista do E-Investidor.

Fernando Damasceno, estrategista de renda variável do ModalMais, diz ainda que “os dados mantêm as apostas de alta de juros em 0,75 ponto [em novembro]. A questão é onde os juros vão parar”. Lima sugere então que os investidores tenham um pouco de dólar na carteira, como proteção, e que diminuam a exposição em renda variável dos EUA no próximo ano.

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