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Mercado

Poucos dias separam o Inter da ida à Nasdaq. Ainda dá para investir?

As ações do banco deixam de ser negociadas na B3 a partir do dia 17 de junho

Por Luíza Lanza

08/06/2022 | 4:00 Atualização: 08/06/2022 | 8:46

Ações do Banco Inter deixam a B3 no dia 17. (Foto: Divulgação/Inter)
Ações do Banco Inter deixam a B3 no dia 17. (Foto: Divulgação/Inter)

Desde meados de abril, o investidor brasileiro tem olhado com atenção para o Banco Inter. A empresa retomou os planos de reorganização societária e migração para a Nasdaq, nos Estados Unidos. Agora, está a poucos dias de encerrar a negociação das ações na B3.

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O planejamento da companhia prevê que 17 de junho será o último dia de operações de BIDI3, BIDI4 e BIDI11 na bolsa de valores brasileira. A conversão para a Nasdaq deve acontecer logo em seguida, na segunda-feira (20), para que as ações sejam listadas e comecem a ser negociadas por lá a partir do dia 23.

Aos investidores, o Inter ofereceu duas opções: trocar as atuais ações por BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da Inter&Co, a holding que será listada nos Estados Unidos; ou pedir a retirada das posições em troca de dinheiro.

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Os acionistas tiveram até o dia 20 de maio para optar por esta opção de cash out, que foi limitada a 10% do capital circulante dos papéis. Quem escolheu manter as posições verá seus papéis se transformarem em BDRs.

Ainda dá tempo de montar posições nos dias que restam até que o Banco Inter complete a migração para os EUA. Mas a operação vale a pena? Depende do objetivo do investidor, explicam os analistas.

“O gráfico de BIDI11 está em uma ladeira abaixo há muito tempo. Então basicamente dois tipos de investidores podem montar posições: quem espera que o BDR reaja lá fora ou aquele que gosta mais de especular em cima do preço, que quer fazer apenas o trade”, afirma Heitor de Nicola, assessor de renda variável da Acqua Vero.

Para tomar essa decisão, porém, é preciso acompanhar a tese de investimentos da companhia no longo prazo, e acreditar nela. “Essa é uma daquelas empresas que, por muito tempo, foi uma das queridinhas e que muita gente investia apenas pelo hype. Mas o investidor precisa se questionar qual é a tese de investimento que o leva a investir no Inter”, diz o assessor.

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Até terça-feira (7), a unit BIDI11 acumulava uma queda de 82% em 2022, cotada a R$ 11,30 – uma das maiores desvalorizações do Ibovespa até aqui.

Na Inv, o preço descontado das ações é o que faz a casa manter a recomendação de compra de Banco Inter. “O Inter tem muito a crescer e está negociando no mesmo preço do Bradesco, que já é um banco grande e consolidado, que não tem a oportunidade de crescimento que o Inter tem. Nesses níveis de preço, a gente é comprador”, diz João Abdouni, analista de investimentos da Inv.

Mas essa avaliação não é um consenso no mercado. Para Vitorio Galindo, analista de investimentos CNPI e head de análise fundamentalista da Quantzed, empresa de tecnologia e educação financeira para investidores, o cash out das ações estava em um valor acima do praticado no mercado atualmente, por isso era uma opção mais recomendada aos investidores do papel.

“Não acreditamos que o desconto para o valor de mercado seja grande o suficiente para justificar uma compra de posição agora. Acreditamos que as ações continuam caras. Tem perspectivas desfavoráveis neste cenário de inadimplência, juros e inflação, além de ser véspera de eleição”, diz o analista.

As perspectivas na Nasdaq

As bolsas norte-americanas vem enfrentando um momento de muita turbulência nos últimos meses, fruto do início de ciclo de alta nos juros por lá. A Nasdaq tem grande concentração de empresas de tecnologia, um dos setores que costumam ser mais penalizados pelo aperto monetário, pois precisam de financiamentos para crescer e agora eles encareceram.

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Como reflexo disso, o índice Nasdaq Composite acumulou uma baixa de 22,78% entre janeiro e maio deste ano. Essa é a segunda pior performance para o período da história do indicador, criado em 1971, atrás somente dos primeiros cinco meses de 1973, quando os Estados Unidos e a economia global enfrentaram a primeira grande crise do petróleo. E é esse o cenário que o Banco Inter vai enfrentar.

“As ações do Inter são pautadas em tecnologia e todas as empresas do setor vêm sofrendo com a alta dos juros ao longo dos últimos meses. A migração internacional aumenta a liquidez da ação e coloca o banco nessa pegada mais tecnológica, ao mesmo tempo em que abre mais possibilidades”, pontua Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Os analistas ainda não conseguem projetar como as ações vão performar nos Estados Unidos, nem se vão conseguir um desempenho melhor daquele visto no Ibovespa. Galindo, da Quantzed, destaca pontos que podem jogar contra e a favor do Banco Inter.

De um lado, as bolsas americanas tendem a avaliar melhor as empresas tech em termos de múltiplos, o que pode ser positivo para as ações BIDI, diz o analista. De outro, além da pressão dos juros em alta, existe um movimento de troca de posições por investidores americanos que acende um sinal vermelho.

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“Os juros de longo prazo lá estão subindo, o que cria um problema para o setor financeiro e principalmente para empresas de tecnologia, já que o financiamento fica mais caro e os recursos mais escassos. Mas, além disso, temos um rali nas bolsas dos EUA. O pessoal tem migrado os recursos para cases mais conservadores, com geração de caixa mais previsível do que empresas tech, em que a geração de caixa está nas perspectivas futuras”, explica Galindo.

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