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IPCA fica em 0,33% em dezembro e “deixa gosto amargo”; entenda os impactos nos juros

Inflação desacelera no acumulado de 12 meses e volta a ficar abaixo do teto da meta, mas pressão de serviços reforça postura conservadora do Banco Central

Por Isabela Ortiz

09/01/2026 | 11:11 Atualização: 09/01/2026 | 11:12

Resultado do IPCA de dezembro confirma inflação dentro do teto da meta, mas pressão dos serviços mantém o Banco Central cauteloso na condução dos juros. (Foto: Adobe Stock)
Resultado do IPCA de dezembro confirma inflação dentro do teto da meta, mas pressão dos serviços mantém o Banco Central cauteloso na condução dos juros. (Foto: Adobe Stock)

A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na manhã desta sexta-feira (9), trouxe um retrato ambíguo do processo inflacionário no Brasil. O índice avançou 0,33% no mês, acelerando em relação à alta de 0,18% registrada em novembro. Ainda assim, no acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 4,26%, ante 4,46% até novembro, voltando a ficar abaixo do limite superior do sistema de metas, que é de 4,5%.

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Na leitura de Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, o resultado veio muito próximo das projeções da instituição e confirma um primeiro objetivo importante da política monetária. Para ele, o desafio agora é mais complexo: conduzir a inflação para perto do centro da meta, de 3%.

A composição do índice ajuda a explicar essa leitura cautelosa. Segundo Serrano, os serviços seguem como principal foco de pressão, com alta de 0,70% em dezembro, influenciada sobretudo pelo aumento de 12,6% nas passagens aéreas. Os produtos industriais também aceleraram, subindo 0,48%, puxados por vestuário e artigos de residência.

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Em contrapartida, a inflação foi contida pela alimentação no domicílio, que avançou apenas 0,14%, e pelos preços administrados, que recuaram 0,22%, com destaque para a queda de 2,4% na energia elétrica, reflexo da mudança da bandeira tarifária para amarela.

Serrano avalia como correta a sinalização do Banco Central de manter os juros em patamar significativamente contracionista, com início do ciclo de cortes apenas em março.

Já o economista sênior do Inter, André Valério, chama atenção para a aceleração dos núcleos de inflação (medidas que excluem itens mais voláteis) cuja média saltou de 0,23% para 0,46% no mês, levando o acumulado de 2025 a 4,61%, acima do teto da meta.

“Apesar da boa notícia da desinflação observada em 2025, o dado de dezembro deixa um gosto amargo”, avalia.

Do ponto de vista histórico, Valério destaca que o processo de desinflação ao longo de 2025 foi significativo. Para 2026, a expectativa do Inter é de continuidade da acomodação, com o IPCA encerrando o ano em 3,90%.

Já o C6 Bank avalia que o resultado de dezembro veio com pressão concentrada no grupo de Transportes, que subiu 0,74%.

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Apesar de o IPCA ter fechado 2025 abaixo do teto da meta, o banco ressalta que o cenário segue desafiador, sobretudo por causa da inflação de serviços, que acumulou alta de 6% no ano, sustentada por um mercado de trabalho aquecido.

“A tendência é de que o controle da inflação continue sendo uma tarefa difícil nos próximos meses”, avalia a instituição, que projeta um IPCA de 4,8% em 2026 e 2027, pressionado por um real mais depreciado e preocupações fiscais.

Ainda assim, o C6 Bank entende que os dados não alteram o cenário para a política monetária. “A Selic deve ser mantida em 15% na próxima reunião do Copom [Comitê de Política Monetária], e o ciclo de cortes deve começar em março”, afirma o banco.

Já Matheus Pizzani, economista do PicPay, projeta um IPCA de 4,20% em 2026, com aceleração no primeiro trimestre devido a fatores sazonais e reajustes de preços administrados, como combustíveis e transporte público, seguida por um comportamento mais benigno ao longo do ano, em linha com o arrefecimento da atividade econômica e do mercado de trabalho.

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