Alta do IPCA em março foi puxada por alimentos, combustíveis e bens industrializados, segundo a XP (Foto: Adobe Stock)
Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vieram bastante acima das expectativas, ao registrar alta de 0,88% em março. O resultado fez com que a XP Investimentos revisasse suas projeções para 2026. Segundo a casa, a alta veio com uma pressão disseminada entre os grupos, sinalizando um quadro inflacionário mais persistente do que o antecipado anteriormente.
De acordo com o relatório, os principais vetores da surpresa foram os alimentos consumidos no domicílio, com destaque para o leite, além dos bens industrializados e dos combustíveis. Estes últimos foram impactados diretamente pela escalada recente no preço do petróleo, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
“Dado o cenário atual, vemos pouca probabilidade de que tal surpresa seja revertida no curto prazo”, afirma a XP, indicando que o choque já foi incorporado ao cenário base.
IPCA subiu para a casa dos 5%
Com isso, a corretora elevou sua projeção para o IPCA de 2026 de 4,8% para 5,1%. A revisão foi puxada principalmente pela reprecificação dos alimentos no domicílio, cuja estimativa passou de 4,2% para 5,3%, e dos bens industrializados, que avançaram de 3,2% para 3,5%. Já os preços monitorados, mais sensíveis a decisões governamentais e à dinâmica de energia, também subiram, de 5,1% para 5,4%, refletindo a pressão adicional nos combustíveis.
No grupo de serviços, a avaliação é de continuidade da resiliência inflacionária. A XP manteve sua projeção em 5,9% para o ano, sustentada por um mercado de trabalho ainda aquecido, que dificulta uma desaceleração mais intensa dos preços. Esse componente, tipicamente mais inercial, reforça a leitura de que a convergência da inflação para patamares mais baixos tende a ser gradual.
As premissas macroeconômicas da casa incluem um petróleoBrent médio de US$ 90 por barril e um câmbio ao redor de R$ 5,30 por dólar. Nesse contexto, os riscos seguem assimétricos para cima. Um possível episódio de El Niño mais intenso no segundo semestre poderia adicionar cerca de 0,2 ponto percentual à inflação, enquanto um câmbio mais apreciado, próximo a R$ 5,00, teria impacto limitado de alívio, inferior a 0,1 ponto percentual.
No campo da política monetária, a XP mantém a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em abril, mas ressalta que a continuidade do ciclo dependerá, sobretudo, da evolução do cenário externo, especialmente do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços de energia. A projeção para a taxa básica ao fim de 2026 permanece em 13,50%, indicando um ambiente ainda desafiador para o controle inflacionário.