Segundo analistas, esse desconto é comum, uma vez que investidores tendem a preferir apostar diretamente nas empresas investidas, por fatores como ineficiência fiscal ou custos operacionais. Mas a implementação da reforma tributária pode mudar esse cenário e favorecer a Itaúsa.
De acordo com os cálculos do JPMorgan, nos últimos meses, o desconto da Itaúsa já começou a diminuir, passando de cerca de 25% no terceiro trimestre de 2025 para aproximadamente 22,3% atualmente. O banco estima que cerca de 5% desse desconto de holding decorra de ineficiências tributárias típicas de holdings, que devem ser resolvidas com as novas regras tributárias no Brasil.
Atualmente, a Itaúsa paga tributos – PIS e Cofins – sobre receitas incidentes sobre a parcela de juros sobre capital próprio (JCP) recebida principalmente do Itaú (ITUB4). No novo modelo tributário, a partir de 2027, essa ineficiência tende a desaparecer.
“Embora pareça que o mercado já esteja antecipando esse movimento, acreditamos que ainda há espaço para a continuidade dessa tendência”, afirma o JPMorgan, que tem recomendação overweight (equivalente à compra) para o papel, com preço-alvo de R$ 17,5.
A Genial Investimentos tem a mesma avaliação. A casa pontua que a reforma tributária elimina a cobrança de PIS e Cofins sobre JCPs, reduzindo a ineficiência estimada em 13,2% ao ano sobre esses proventos – ou R$ 10,5 bilhões no valor presente, aproximadamente 7% do valor de mercado atual da holding.
A corretora tem recomendação de compra para Itaúsa, com preço-alvo de R$ 17,95. Além da questão relacionada à redução do desconto de holding, a Genial vê outros fatores que justificam a visão positiva sobre a ação.
A casa utiliza o valor contábil para precificar ativos investidos pela Itaúsa e não listados, como Aegea, Copa Energia e NTS. No caso da Aegea, um aumento privado de capital recente reprecificou as ações ordinárias da companhia a um valor aproximadamente três vezes superior ao utilizado anteriormente como referência. A operação ocorreu a R$ 55,29 por ação, enquanto o valor contábil anterior era de R$ 18,85.
As ações preferenciais, no entanto, ainda não foram reprecificadas. Caso a Genial incorporasse em sua avaliação essa nova marcação em todas as classes de ações da Aegea – incluindo as preferenciais – o valor justo da holding seria ainda maior e o desconto implícito de Itaúsa frente ao valor de seus ativos aumentaria em cerca de 90 pontos-base, atingindo 23,1%.
Outro ponto importante: existe a possibilidade de a Aegea realizar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), a depender das condições de mercado, o que poderia levar a uma valorização ainda maior desse ativo, segundo a Genial.
Nesta terça-feira (17), o CEO da Itaúsa, Alfredo Setubal, afirmou que a Aegea pode realizar o IPO entre o final de maio e o começo de junho. Em videoconferência para apresentar os resultados da holding, Setubal explicou que a janela de IPOs do começo do ano ficou “dificultada” por causa das incertezas relativas à guerra no Oriente Médio. “Mas é uma janela que a própria companhia não conseguiria exercer, à medida que ela ainda está fechando os balanços e demonstrações financeiras”, ressaltou.
Para a Genial, outro ponto favorável à Itaúsa é o momento operacional sólido do Itaú. O banco responde por cerca de 92% do valor da holding. A corretora estima que a instituição financeira apresente um lucro de R$ 51,9 bilhões em 2026 e um Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) de 25,5%.
Itaú ou Itaúsa: qual comprar agora?
A Genial tem preferência pela Itaúsa, por entender que, nos níveis atuais de preço, a holding oferece uma forma mais eficiente de capturar a tese do Itaú, combinando desconto de holding com potencial de redução da distorção fiscal.
À medida que o mercado passe a precificar essa normalização, a corretora espera que o desconto entre o valor de mercado da holding e o valor de suas participações continue se estreitando.
“Com um dividend yield (rendimento de dividendo) cerca de 15% superior ao do próprio Itaú, passamos a preferir Itaúsa como principal forma de exposição ao banco dentro do setor financeiro”, afirma.
O JPMorgan segue a mesma opinião. Outro catalisador positivo para a Itaúsa, na avaliação do banco, seria o possível IPO da Aegea, ao aumentar a liquidez dos investimentos e potencialmente reavaliar um ativo atualmente reconhecido apenas pelo valor contábil.
Resultados do 4T25
Nesta terça-feira, as ações ITSA4 cedem 0,07% cotadas a R$ 13,37, após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O Safra vê os números como neutros para as ações, já que a maior parte das subsidiárias da Itaúsa já haviam divulgado seus respectivos números.
O banco destaca que os resultados da Aegea no 4T25 ainda não foram apresentados, o que deve alterar levemente os números finais trimestrais da Itaúsa, embora a companhia tenha indicado um impacto imaterial no balanço 2025.
Além da sólida contribuição do Itaú para o lucro da Itaúsa, o Safra ressalta que o resultado das investidas do setor não financeiro também melhorou de forma relevante, com alta de 330% na comparação anual.
O banco avalia que a Itaúsa deve continuar expandindo seu lucro líquido a um ritmo mais acelerado do que o Itaú, como evidenciado pela melhora gradual na contribuição das empresas não financeiras, pela queda das despesas com juros e pelo fim dos gastos com PIS e Cofins a partir de 2027.
Já a Genial pontuou que o 4T25 da holding reforçou a trajetória de melhora consistente dos resultados da Itaúsa, com avanços relevantes em diferentes pilares
Entre as investidas não financeiras, Motiva (MOTV3), Alpargatas (ALPA4) e Copa Energia melhoraram suas contribuições na holding, reportando crescimento de receita, ganhos operacionais e melhora de margens. Adicionalmente, maiores proventos da NTS contribuíram positivamente para o resultado consolidado.
Do lado mais desafiador, dentre as investidas da Itaúsa, a corretora aponta que a Dexco (DXCO3), dona da marca Deca, reportou uma queda de resultado com o ambiente desafiador no mercado de acabamentos.