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Mercado

De Lula a Bolsonaro: como o mercado reagiu a cada governo?

Saiba como o setor já se comportou em relação a outros presidentes brasileiros eleitos

De Lula a Bolsonaro: como o mercado reagiu a cada governo?
Período de eleições tende a trazer insegurança para investidores, independentemente dos candidatos em destaque. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
  • Enquanto candidatos se alfinetam e os poderes da República protagonizam uma "queda de braço", os principais problemas do Brasil (inflação, desemprego e desindustrialização) ganham volume
  • Estabilidade, equilíbrio fiscal e melhoria em índices de desemprego e inflação estão entre os principais pontos esperados da gestão 2023-2026 pelo mercado
  • Saber como o mercado se posicionou nos últimos 20 anos ajuda a entender o que o setor produtivo espera do novo presidente

Em 2022, o Brasil voltará às urnas para eleger um presidente diante de um cenário polarizado e uma crise institucional. Enquanto candidatos se alfinetam e os poderes da República protagonizam uma “queda de braço”, os principais problemas do Brasil (inflação, desemprego e desindustrialização) ganham volume.

Portanto, não faltam motivos para o mercado e a sociedade civil olharem com apreensão para a movimentação eleitoral. A incerteza que pairará até o fim do ano desestimula investimentos e gera uma paralisia.

O que se pode esperar da economia para esse período? O que vem pela frente? Como o mercado reagiu em outros anos de escolha presidencial? O E-Investidor conversou com especialistas para conhecer melhor o cenário atual.

Como o mercado se posicionou em eleições anteriores?

Paulo Guedes foi fundamental para a adesão do mercado ao programa econômico do governo de Bolsonaro. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Em anos eleitorais, sobretudo em países com instituições fragilizadas, o gap entre a oferta política e a demanda dos setores produtivos fica mais nítido. Assim, os efeitos chegam rapidamente em termos macroeconômicos, a exemplo da volatilidade do câmbio.

Veja como diferentes cenários políticos foram recebidos pelo mercado.

1. Lula (2002)

Hugo Carcanholo, professor de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lembra do que ocorreu em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva ganhou a eleição presidencial e não se sabia ao certo os rumos que o primeiro governo do Partido dos Trabalhadores (PT) teria.

“A sociedade e o mercado não sabiam como o governo Lula se comportaria em termos econômicos. Mas a Carta ao Povo Brasileiro indicou o atendimento dos mesmos parâmetros do governo Fernando Henrique Cardoso, o que tranquilizou diversos setores. Em 2006 (quando Lula foi reeleito) já não houve o mesmo desgaste“, explica Carcanholo.

Jackson Teixeira Bittencourt, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), concorda. Para ele, ao nomear Henrique Meirelles como presidente do Banco Central do Brasil, Lula “trocou os músicos, mas manteve a música”. Isso rende boa aceitação de investidores.

Em 2008, o governo conseguiu inscrever o Brasil entre os países com a chancela de Grau de Investimento (Investment Grade).

2. Dilma (2010)

O professor da PUCPR diz, no entanto, que Dilma Rousseff mudou a regra do jogo ao trocar o tripé macroeconômico (austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante) da época de FHC pela Nova Matriz Macroeconômica. Com isso, houve mais intervenção do governo na economia e maior gasto público, desestabilizando o cenário econômico e deixando o mercado inseguro.

Dilma supôs que, com mais investimento público, haveria crescimento. Em vez disso, o que se viu foi mais pressão inflacionária, aumento de juros e controle nos setores de petróleo e energia elétrica. Foi sob esse cenário que se abriu o processo de impeachment, em 2015, finalizado em 2016. A entrada do vice-presidente, Michel Temer, ajudou a acalmar o mercado.

3. Bolsonaro (2018)

Embora polêmico, Jair Bolsonaro iniciou o mandato ao lado de Paulo Guedes, ganhando a confiança do mercado. José Pio Martins, economista e professor da Universidade Positivo (UP), observa que o novo ministro da Economia e seu programa liberal, no entanto, tiveram como limite as polêmicas causadas pela pauta conservadora nos costumes e a “autoproclamada guinada antipetista”.

“Em termos econômicos, Bolsonaro parece previsível. Inclusive em um possível segundo mandato seguiria na mesma linha que vem adotando em seu governo. Suas virtudes e seus defeitos são conhecidos pela sociedade e pelos agentes de mercado”, diz Martins.

Mas as dificuldades do governo Bolsonaro parecem pesar. Ainda que a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia interfiram muito nesse cenário, a perda do poder de compra e a inflação oscilando em torno de 12% não são fenômenos simples de lidar diante da opinião pública.

O que o mercado espera da eleição de 2022?

Em 1° de janeiro de 2023, o Brasil terá uma definição: o presidente Jair Bolsonaro assumirá o segundo mandato ou o País passará a ser comandado por outra pessoa que enfrentará um desafio difícil. Independentemente de quem estiver no cargo de líder do Brasil nos próximos quatro anos, o que o mercado espera?

Estabilidade

Em primeiro lugar, estabilidade. Para Martins, o País tem um histórico de viver crises institucionais em período pós-eleição, um fator que compromete o crescimento econômico nacional.

Índices melhores

Para Bittencourt, da PUCPR, as principais preocupações do mercado hoje são a inflação e o desemprego elevados. Esses fatores, associados ao baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), acomodam a economia em uma estagflação: estagnação econômica e inflação alta. Isso vem causando aumento no empobrecimento da população brasileira, castigando, principalmente, as famílias e as pessoas com rendimentos mais baixos.

Equilíbrio fiscal

Carcanholo, da UFPR, acrescenta que a regra fiscal está entre os pontos que o mercado espera do próximo presidente do País. Para ele, há uma lacuna a ser preenchida pelo próximo dirigente em relação a como equilibrar as contas públicas.

Por um lado, a trajetória da dívida pública brasileira é elevada e ascendente; por outro, o teto de gastos, que foi importante em dado período, demonstra não ser o melhor instrumento de controle fiscal.

“O teto de gastos não para em pé. Ele foi importante e cumpriu um papel estabilizador, mas ruiu. É necessário pensar em outra regra fiscal para reduzir a relação dívida-PIB. E isso não está nítido em nenhum dos dois principais candidatos”, explica Carcanholo.

Como o mercado vê Lula e Bolsonaro?

O governo Lula (2003-2010) teve bons marcos econômicos, mas o anúncio do fim do teto de gastos gera dúvidas sobre o equilíbrio fiscal em um possível 3° mandato. (Fonte: José Cruz/Agência Brasil)

A cerca de quatro meses da votação, tudo indica que a disputa estará centrada em Lula e Bolsonaro. E, ainda que se trate de políticos experimentados, há muita incerteza no ar.

Segundo Bittencourt, Bolsonaro não simboliza um fator de estabilização, pela criação de conflitos entre os poderes e por colocar em xeque as urnas eletrônicas. Isso tem um custo macroeconômico alto, já que produz crise política.

E o governo atual carrega outro elemento que colabora para uma instabilidade político-institucional: o fator pandemia. “Bolsonaro demonstrou despreparo para governar diante da crise sanitária. O atual ministro da Saúde é o quarto em três anos de governo. Além disso, foi contra as campanhas de prevenção e hoje somos o segundo país com mais mortes no mundo“, comenta Bittencourt.

Porém, Lula também enfrenta resistência do mercado. Para Martins, o ex-presidente fez recentemente uma série de declarações preocupantes, como revogar o teto de gastos, regular a mídia e desfazer privatizações. O especialista acredita que, ainda que se trate de um discurso mais voltado a acenar para uma base social e não para planos concretos, esses elementos podem assustar o mercado.

Carcanholo também acredita que as declarações de Lula tornam a candidatura dele instável. “O governo Lula tem bom histórico em termos macroeconômicos, mas falo agora e daqui a dez minutos, graças a alguma declaração, isso muda”, ele comenta.

3ª via?

Se é verdade que o mercado deseja um cenário amistoso para investir, uma terceira via não poderia ser mais interessante? Para Bittencourt, sim. “Os possíveis nomes da terceira via não comprometem a eficiência dos mercados; ao contrário, são candidatos pró-mercado“, avalia ele.

Martins concorda, mas é cético em relação à possibilidade prática de um projeto assim. Para ele, o setor empresarial veria com bons olhos uma terceira via moderada, mas não apareceu nenhum candidato com estatura de estadista para empolgar os eleitores.

Dessa maneira, Carcanholo acompanha essa posição e prevê algo similar: “Na minha visão, não existe terceira via. A disputa neste ano deve ficar entre os dois candidatos [Lula e Bolsonaro]”.

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