

A quarta-feira (27) traz uma agenda externa fraca, com apenas um leilão de títulos do Tesouro estadunidense previsto e a liquidez permanece enxuta com os feriados de final de ano. O investidor brasileiro deve avaliar dados de fluxo cambial, da dívida pública federal e do governo central em novembro, além de monitorar a entrevista coletiva do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
Para o investidor local deve predominar ainda um compasso de espera pelas medidas do Ministério da Fazenda para compensar a desoneração da folha de pagamento em 2024 visando o cumprimento da meta fiscal zero.
Os sinais estão mistos nas bolsas ocidentais nesta manhã, mas os mercados acionários na Ásia subiram na esteira dos dados positivos de lucro industrial da China e em meio à recuperação de ações de videogames em Hong Kong. Pesquisa oficial mostrou que o lucro de grandes empresas industriais chinesas deu um salto anual de 29,5% em novembro, ganhando força em relação ao avanço de 2,7% de outubro e marcando o quarto mês consecutivo de aumentos.
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Em Nova York, os juros dos Treasuries (títulos da dívida dos Estados Unidos) recuam na manhã desta quarta-feira, após um fechamento misto na véspera, enquanto os índices futuros das bolsas ensaiam ligeira queda, depois do rali de Natal. O dólar também mostra viés de baixa. Já as bolsas europeias sobem em bloco em manhã com agenda esvaziada e baixo volume de negócios.
Sem um catalisador forte de negócios, os investidores se orientam pela aposta majoritária do mercado de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) cortará juros a partir de março, com o cenário mais provável de redução acumulada de 150 pontos-base até o fim do ano, de acordo a plataforma do CME Group que monitora a curva futura.
O petróleo também recua, com uma realização de lucros bem moderada, na esteira do avanço de mais de 2% de terça-feira, quando foi impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio que levou o barril do tipo Brent de volta ao nível acima de US$ 80.
No Brasil
A bolsa local pode ficar pressionada na abertura pela queda dos futuros de Nova York e do petróleo, que pode afetar também as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) em meio à redução de 7,9%, ou R$ 0,30 por litro, no preço do diesel a partir desta quarta-feira em suas refinarias. Com isso, o preço para as distribuidoras do combustível vai cair a R$ 3,48 por litro.
A queda do preço do diesel S10 era esperada pelos participantes de mercado, uma vez que havia uma defasagem entre as cobranças praticadas pela companhia e os valores mais baixos no mercado internacional, além da expectativa de reoneração completa dos tributos federais Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no começo do ano em um valor de R$ 0,35 o litro, de acordo com avaliação da Argus.
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o diesel será reonerado a partir de 1º de janeiro de 2024, mas ressaltou que não há motivos para que haja um aumento nos preços. Haddad disse que é provável que até esta quinta-feira (28) a alternativa do governo para a desoneração da folha de pagamento e o conjunto de medidas compensatórias sejam encaminhadas ao Congresso.
Ele disse que esse conjunto de ações precisa ser endereçado ainda em 2023 e que aguarda o aval da Casa Civil às propostas para a publicação e o anúncio. O investidor deve repercutir ainda o resultado primário do Governo Central, com previsão de déficit de R$ 38,05 bilhões, e o relatório mensal da dívida pública.
Agenda
São esperados a sondagem da indústria de dezembro (8h), o fluxo cambial semanal (14h30), o relatório mensal da dívida pública de novembro (14h30), seguida de entrevista coletiva virtual (15h), o resultado do Governo Central relativo a novembro (16h).
A GloboNews veicula entrevista gravada com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, antes do recesso de final de ano (23h). No exterior, o Tesouro dos EUA leiloa US$ 58 bilhões em T-Notes de 5 anos (15h).