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Mercado

Migração para NY gera corrida pelas ações do Inter. Entenda

Em quase um mês, um curioso fenômeno aconteceu com os papéis: o saldo de ações alugadas caiu bruscamente

Por Estadão Conteúdo

31/05/2022 | 3:15 Atualização: 30/05/2022 | 20:30

Migração para a Nasdaq movimentou as ações do banco Inter – Foto: Divulgação/Inter
Migração para a Nasdaq movimentou as ações do banco Inter – Foto: Divulgação/Inter

Matheus Piovesana – De 14 de abril e 20 de maio, um curioso fenômeno aconteceu com as ações do Banco Inter: o saldo de ações alugadas caiu de 26,4 milhões, ou 4,4% do capital em livre circulação, para 8,8 milhões. Isso a despeito de o papel ser um dos mais buscados pelos “vendidos” (investidores que apostam na queda de uma ação) entre os componentes do Ibovespa.

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Segundo especialistas consultados pelo Broadcast, o movimento está diretamente relacionado à reorganização acionária que levará o Inter para a bolsa americana Nasdaq, e que deve se concretizar em um mês. Não foi, entretanto, fruto de otimismo com o desempenho futuro do papel, mas sim uma corrida em busca da retirada.

Na proposta que divulgou em 15 de abril, o Inter deu aos acionistas duas opções: trocar as atuais ações por Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da Inter &Co, holding que será listada nos Estados Unidos; ou pedir a retirada em troca de dinheiro, opção que ficou vantajosa diante da queda do papel.

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Quem optou pela segunda alternativa tinha de estar com as ações em custódia no dia 20 de maio. O que significa que quem tinha colocado os papéis para alugar teve de encerrar as posições.

“Tende a ser o mesmo acionista: o que estava com suas ações do Inter alugadas e o que quer sair”, diz Rafael Ragazi, sócio e analista de ações da Nord Research. “Quando olhamos o volume de ações alugadas do Inter, vemos que foi crescendo até meados de abril, e dessa data em diante, começou a cair.”

Um operador de aluguel explicou que até a semana passada, era “praticamente impossível” encontrar detentores da ação dispostos a alugá-la. “Tinha muita gente tomando pendência”, disse ele, referindo-se a situações em que o investidor é penalizado pela Bolsa por não conseguir honrar um contrato de aluguel de ações.

O movimento puxou a cotação do papel para cima. De 9 de maio, quando eram 21,6 milhões ações alugadas, até o dia 20, as Units do Inter subiram 26%. Parte desse movimento, segundo o sócio da Nord, foi de investidores que haviam alugado o papel e tiveram de recomprá-lo diante das solicitações dos donos para que os contratos fossem encerrados.

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Quem aluga uma ação faz uma aposta de que sua cotação vai cair. Em geral, o chamado tomador vende o ativo na Bolsa logo após alugá-lo, e só volta a comprar quando precisa devolvê-lo ao dono. Nessa arbitragem, se a cotação de fato cair, ele tem lucro com a diferença de preços entre as datas.

Subindo

Após a data de corte do dia 20, alguns doadores voltaram ao mercado, e o aluguel da ação voltou a subir. Na quinta-feira, 26, eram 15,6 milhões de papéis alugados, a maior parte Units. Naquele dia, a taxa média de alguns contratos chegou a 70%, o que indica uma demanda alta.

Na sexta, foram três operações de aluguel de Units, de acordo com a B3, envolvendo cerca de 1 milhão de papéis, com taxas de até 55%. De acordo com o operador consultado, a maior parte dos doadores têm sido investidores estrangeiros com posições do Banco Inter, embora pessoas físicas também estejam colocando ações à disposição.

A volta dos papéis ao mercado se deu pelo rateio imposto aos investidores que pediram a retirada, já que a demanda foi superior ao montante que o Inter pagará. Os cálculos do banco apontam que um acionista que detinha 1.000 Units e pediu para sair receberá R$ 4.160,35 em dinheiro, e mais 392 BDRs. Ou seja: não conseguirá se desfazer de todas as ações que possui.

Essa maior liquidez não tem sido páreo para a demanda porque o contexto de mercado é complexo para ações de empresas de alto crescimento, o que indica que o papel do Inter pode cair, mesmo listado em uma Bolsa mais afeita a teses como a que apresenta.

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“Quando olhamos para fundamentos, a perspectiva é positiva. Agora, quando olhamos o sentimento de mercado, a perspectiva é negativa, porque a inflação não arrefece, não sabemos onde os juros vão parar, e isso diminui o interesse dos investidores por empresas de tecnologia”, diz Ragazi, da Nord. Ele tem recomendação de compra para o papel do Inter.

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