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Mercado

O que esperar das ações da Natura (NTCO3), que subiram após campanha com Thammy Miranda

Empresa já é referência em temas ligados ao ESG

Loja Natura. Foto: Diogo Yanata/Natura
  • Fontes ouvidas pelo E-investidor veem com naturalidade o tom da campanha, uma vez que a Natura, importante nome do setor de cosméticos dentro e fora do Brasil, já tem um conhecido histórico de se posicionar sobre questões ambientais e sociais
  • “É uma empresa que vem se posicionando muito bem, com estratégias de marketing, buscando sempre a valorização da diversidade. E ontem foi extremamente positivo [para as ações]”, analisa Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos
  • A Natura integra o grupo de empresas que adotam as melhores práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), o que tem sido cada vez mais valorizado por investidores

A Natura (NTCO3), dona das marcas Avon, Body Shop e Aesop, teve a maior alta (6,73%) da Bolsa na quarta-feira (29), superando até que a do Ibovespa (1,44%), no momento em que a participação do ator Thammy Miranda na campanha de Dia dos Pais foi alvo de ataques preconceituosos. Analistas do mercado financeiro avaliam até que medida a campanha impacta os investimentos de quem decidiu se posicionar nos papéis da empresa neste período de alta.

As fontes ouvidas pelo E-Investidor veem com naturalidade o tom da campanha, uma vez que a Natura, importante nome do setor de cosméticos dentro e fora do Brasil, já tem um conhecido histórico de se posicionar sobre questões ambientais e sociais. Recentemente, a empresa afirmou que pretende ajudar a zerar o índice de desmatamento na Amazônia, em cinco anos, a partir de um investimento de R$ 4,3 bilhões nos próximos dez anos.

“É uma empresa que vem se posicionando muito bem, com estratégias de marketing, buscando sempre a valorização da diversidade. E ontem foi extremamente positivo [para as ações]”, analisa Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

A Natura integra o grupo de empresas que adotam as melhores práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), o que tem sido cada vez mais valorizado por investidores. Apesar dos impactos das crise, os analistas avaliam que a empresa tem uma boa saúde financeira, com valor de mercado em R$ 60 bilhões e receita líquida de R$ 14,4 bilhões em 2019 (sem a Avon), além de realizar aquisições de marcas importantes.

Para o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, o tom da companhia era esperado, ao se posicionar de forma “clara e abrangente”, e não é algo isolado, pois integra um rol de práticas-alvo de governança. “A gente torce para que no futuro mais firmas tenham o padrão e o zelo que a Natura tem com essas questões”, torce Arbetman.

O analista da Guide Investimentos, Luis Sales, reconhece a importância da campanha, mas se diz mais “cético” quanto a influência dela na recente valorização das ações. Para ele, a alta já vinha de alguns dias, em um movimento para acompanhar o mercado.

“Foi um dia positivo para a bolsa como um todo. É um papel [da Natura] que estava atrasado. O mercado vinha subindo e ele tinha ficado um pouco para trás. Então vejo mais um movimento de mercado”, diz Sales.

O que esperar de retorno das ações?

Arbetman, da Ativa, avalia que é sim possível aguarda retorno de longo prazo na ações. Ele ressalta que empresas aderentes às metas ESG levam vantagem corporativa. E por estar mais adiantada neste sentido, ela pode se beneficiar dessa tendência mundial que é o compromisso com pautas socioambientais.

“Quando a gente fala de ESG, a gente está falando de processos, de cultura, e isso não se muda de forma tão rápida. E não só o posicionamento político, mas o tratamento de diversos casos, como aproveitamento de água, separação de lixo, parceria com empresas de caridade, sem dúvidas, faz com que, no longo prazo, a geração de valor seja maior”, diz Arbetman.

O economista da Messen lembra que esses eventos, como a campanha, não devem ser analisados isoladamente, por isso é necessário também aguardar a divulgação do balanço do segundo trimestre deste ano. “É um somatório de valores, de coisas positivas. Os resultados talvez consolidem isso. E a gente tem outras empresas [com a mesma postura], é uma tendência global. Investidores internacionais também observam isso”, acrescenta Bertotti.

Qual é o atual panorama da empresa?

Alguns fatores contribuem para o bom momento vivido pela empresa. Nos últimos anos, a Natura adquiriu marcas estrangeiras, como The Body Shop e Aesop, e, mais recentemente, a Avon. Além disso, o modelo de vendas que não depende sobremaneira de lojas físicas, é outro fator a favor dela. Para Sales, da Guide, o atual cenário é positivo e, no curto prazo, a empresa pode se beneficiar, por exemplo, o dólar mais alto.

“Esse movimento [de compra] foi bem importante para ter exposição a moedas mais fortes, como o dólar e o euro. A Natura reestruturou essas operações lá fora, tornando elas mais rentáveis, e deve seguir na mesma linha de raciocínio para outras operações mais recentes, como a compra da Avon”, explica Sales.

O economista da Messen também destaca não só a ampliação do leque de produtos, a partir dessas aquisições, como o modelo de venda por revendedoras, que pode ter sido bem aproveitado no período de crise.

“A companhia tem um geração de receita que não depende só do canal de vendas de loja física. Isso já é positivo. Os resultados também são robustos e como ela tem esse diferencial [de venda], ela até pode ter uma queda de lucro, o que é normal por tudo que aconteceu [na pandemia], mas ela não parou de gerar receita”, avalia Bertotti.

Em 2019, a empresa apresentou um lucro líquido foi R$ 17,5 milhões. Queda de receita ajustada foi de 16%. Vendas líquidas somaram R$ 18,49 bilhões em 2019.

Práticas ESG devem continuar influenciando ações das empresas?

Para o analista da Ativa, a tendência daqui para frente é que mais empresas abracem causas, em um movimento que não acontece só no Brasil. O que, naturalmente, poderia influenciar outras empresas.

“Existem mais causas para serem abraçadas e creio que isso vai sim se confirmar como uma nova tendência, um diferencial. Existem as firmas que gostam de serem ousadas e lançar tendências, as mais pragmáticas que seguem o êxito dessas campanhas, como a que a Natura fez”, frisa Arbetman.

Recentemente, a empresa árabe israelense Al-Arz, que produz tahine, uma pasta à base de gergelim bastante popular no Oriente Médio, também sofreu ataques após anunciar o financiamento de uma linha para jovens árabes israelenses LGBTQIA+.

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