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Mercado

Por que ainda não vale investir no Nubank, mesmo com lucro

Mesmo assim, resultado robusto no 1º tri de 2023 surpreendeu analistas

Por Jenne Andrade

16/05/2023 | 14:08 Atualização: 16/05/2023 | 14:08

(Foto: Daniel Teixeira/Estadão)
(Foto: Daniel Teixeira/Estadão)

O Nubank (NU, NUBR33) foi fundado em maio de 2013 pela brasileira Cristina Junqueira, pelo colombiano David Vélez e pelo americano Edward Wible. A proposta era bastante ousada: criar um banco digital, com taxas menores, em um mercado dominado por pouquíssimos (e gigantes) players.

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“Com ‘frio na barriga’, a equipe afirmava em seu pitch a potenciais investidores que previa crescer de 12 clientes em 2013 para 1 milhão em 2019 – a maioria recusou”, afirmou Vélez na segunda-feira (15), em post na rede social Linkedin. “Essa semana, comemoramos o aniversário de 10 anos do Nubank, e a escala e o impacto do ‘roxinho’ superaram todas as nossas expectativas.”

De fato, junto ao aniversário da fintech, foram divulgados os resultados referentes ao 1º trimestre de 2023. O número de clientes alcançou a marca de 79,1 milhões no período, um aumento de 33% em 12 meses e de 46,7% desde a estreia do Nubank na Bolsa de Nova York, em dezembro de 2021.

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A fintech também registrou um lucro de US$ 141,8 milhões, revertendo um prejuízo de US$ 45,1 milhões reportado no mesmo período do ano passado. As receitas totalizaram US$ 1,6 bilhão, acima das expectativas, com crescimento em 12 meses de 34% nos depósitos, para US$ 15,8 bilhões, e 54% nos empréstimos, para US$ 12,8 bilhões. O custo médio mensal por cliente continuou abaixo de US$ 1, enquanto o portfólio de crédito sujeito a juros cresceu 68% desde o 1º trimestre de 2022, para US$ 5,2 bilhões.

Este é o terceiro resultado positivo consecutivo da companhia desde o IPO, o que ajuda a reduzir uma das maiores incertezas relacionadas ao case: a lucratividade. Desde o seu nascimento, um dos principais questionamentos era como e se o “roxinho” conseguiria rentabilizar sua grande base de clientes, formada majoritariamente por pessoas físicas, mais sujeitas à inadimplência, e com menos taxas.

Os sucessivos prejuízos entre o 4º tri de 2021 e o 2º tri de 2022 reforçaram essas dúvidas e fizeram os papéis Nu desabarem 58%, passando de US$ 9 para US$ 3,74. De lá para cá, as ações subiram 57,3%, para US$ 6,09, com o mercado reconquistando a confiança na tese após os resultados positivos no 3º e 4º tri de 2022, e agora no 1º tri de 2023.

Essa último balanço fez com que o Itaú BBA atualizasse a recomendação para as ações de “market perform”, equivalente à neutra, para “outperform”, equivalente à compra. O preço-alvo estipulado para as ações em 12 meses é de US$ 8,5, o que significa um potencial de alta de 39,5% em relação ao preço do  fechamento de segunda-feira (15) na bolsa de Nova York, de US$ 6,09.

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“Esta é de longe a revisão mais significativa desde que lançamos a cobertura do Nubank com recomendação ‘underperform’ (equivalente à venda) em janeiro de 2022”, afirma o Itaú BBA, em relatório. “O Nubank apresentou reprecificação de portfólio ágil e mais benefícios de custo de captação do que esperávamos.”

Entretanto, os lucros recentes não foram suficientes para mudar a classificação de todas as researchs e bancos de investimentos. Várias casas continuam cautelosas.

Compra? Ainda não

O Santander, que recentemente questionou alguns números apresentados pelo Nubank no 4º trimestre de 2022, ainda se mantém cauteloso. O banco afirma que apesar do forte resultado nestes primeiros três meses do ano a qualidade dos ativos continua se deteriorando.

Isto é, a inadimplência acima de 90 dias está em trajetória crescente desde o 1º tri de 2021, passando de 2,7% para os atuais 5,5%.

No Itaú, principal recomendação de compra entre bancos privados, esse indicador está em 2,93% no total e 3,4% no Brasil. O valuation esticado também é um segundo fator que conta para essa visão mais cautelosa. Vale lembrar que em 2021, o “roxinho” chegou ao mercado acionário sem histórico consistente de lucros, mas já com um valor de mercado de US$ 41,5 bilhões, acima de instituições como Itaú, Bradesco e Santander.

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Atualmente, o valor de mercado caiu 30%, para R$ 28 bilhões, enquanto as ações Nu acumulam desvalorização de 32%. Mesmo assim, o preço dos papéis ainda estaria alto para os resultados gerados. “Saudamos os resultados de curto prazo do Nubank, combinando crescimento e rentabilidade, mas permanecemos céticos com o nível de valuation atual e a lucratividade de longo prazo”, afirma o Santander em relatório.

Por essas questões, o Santander mantém a recomendação “underperform” ( equivalente à venda), com preço alvo de US$ 3. Essa projeção representa um potencial de baixa de 50% em 12 meses.

Essa também é a visão da Guide Investimentos. Segundo a casa, os resultados reportados superaram as expectativas, mas as ações seguem com preços altos. “O bom trabalho que vem sendo entregue nos últimos resultados nos faz ter mais confiança na tese de alavancagem operacional e rentabilização da base”, afirma. “De forma geral, as performances vão favorecendo otimismo nos investidores, mas acreditamos que o papel ainda está negociando com um valuation bastante agressivo”, afirma a casa, que diz preferir o investimento em papéis do Banco Inter.

A XP manteve a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 4 para os BDRs, cotados na última sessão a R$ 5. Entre os pontos a se observar nos próximos resultados, estão a evolução das despesas de marketing e administrativas, que apresentaram queda no 1º tri de 2023. “Precisamos analisar e determinar o nível sustentável dessas duas linhas de despesas. No geral, embora mantenhamos nossa visão conservadora sobre o caso”, afirma a casa, em relatório.

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A tese de lucratividade vem tomando forma trimestre após trimestre. Resta saber se os investidores aceitarão o preço a ser pago por ela.

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