EURO R$ 6,23 +0,01% ITUB4 R$ 28,71 +3,75% DÓLAR R$ 5,30 +0,00% ABEV3 R$ 15,88 +0,51% MGLU3 R$ 15,87 -3,30% GGBR4 R$ 27,00 +5,83% BBDC4 R$ 20,72 +4,59% IBOVESPA 114.064,36 pts +1,59% PETR4 R$ 26,84 +4,06% VALE3 R$ 78,91 -0,35%
EURO R$ 6,23 +0,01% ITUB4 R$ 28,71 +3,75% DÓLAR R$ 5,30 +0,00% ABEV3 R$ 15,88 +0,51% MGLU3 R$ 15,87 -3,30% GGBR4 R$ 27,00 +5,83% BBDC4 R$ 20,72 +4,59% IBOVESPA 114.064,36 pts +1,59% PETR4 R$ 26,84 +4,06% VALE3 R$ 78,91 -0,35%
Delay: 15 min
Mercado

O que esperar das ações da Eternit (ETER3) após mudança no modelo de negócio

Após anos fabricando telhas de amianto, a companhia deixa o insumo de lado e aposta no mercado de telhas que geram energia solar

(Foto: Divulgação)
  • O foco da Eternit hoje se concentra em tecnologia, como energia solar. Analistas consideram a mudança relevante para atrair a confiança de investidores
  • Uma fonte próxima à empresa diz que a produção desse novo produto ainda está em fase de teste, mas que o projeto “está correndo dentro do esperado”
  • A estimativa da Eternit é que a tecnologia ofereça uma economia de até 20% no valor total da compra e da instalação das telhas fotovoltaicas, em relação aos painéis solares montados em cima de telhados comuns

Na esteira da economia sustentável, o grupo Eternit (ETER3) decidiu colocar o amianto (matéria-prima utilizada para a fabricação de telhas) de lado para se concentrar em tecnologia: a empresa entra agora no mercado de telhas que geram energia solar.

O investimento em  projetos inovadores é uma aposta para conseguir o seu turnaround no mercado de capitais. Segundo especialistas, a mudança no modelo de negócio é positiva e pode atrair a confiança de investidores em uma empresa que está em recuperação judicial.

A Tégula Solar, empresa que pertence à Eternit, já está produzindo telha fotovoltaica de concreto BIG-F10, que capta energia solar para a produção de energia elétrica a partir de células fotovoltaicas aplicadas diretamente nas telhas. Essa tecnologia, desenvolvida no Brasil, evita a necessidade de painéis adicionais.

Uma fonte muito próxima à empresa explica que a produção desse novo produto ainda está em fase de teste, mas que o projeto “está correndo dentro do esperado”. “Não podemos falar muito por uma questão de concorrência”, diz a fonte que pediu para não ser identificada.

A BIG-F10, que já tem aprovação e registro do Inmetro, tem produção sob demanda apenas para projetos-pilotos, que consistem em parcerias com clientes selecionados em locais residenciais, comerciais e de agronegócio. A previsão é que a comercialização para o grande público inicie no primeiro semestre de 2021.

“A nova telha é interessante por questões de sustentabilidade, tecnologia e expansão de negócios. Também melhora a visão do mercado para os produtos da Eternit e fortalece uma posição frente ao amianto, que sempre foi questionado por ser considerado nocivo à saúde”, avalia Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

Segundo a empresa, cada telha de concreto da Eternit Solar produz 9,16 watts e tem capacidade de produção média mensal de 1,15 quilowatts hora por mês (kWh/mês). Para uma residência pequena, seriam necessárias em torno de 100 a 150 telhas fotovoltaicas de concreto. Casas de médio e alto padrão precisam de 300 a 600 unidades ou mais, diz a empresa. O restante do telhado deve ser feito com telhas comuns.

A estimativa da Eternit é que essa tecnologia ofereça entre 10% e 20% de economia no valor total da compra e da instalação das telhas fotovoltaicas, em relação aos painéis solares montados em cima de telhados comuns. A companhia também informa que o retorno sobre o investimento deve ocorrer aproximadamente entre três e cinco anos, a depender do sistema.

Expectativa para as ações da Eternit

Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos, explica que a ação ETER3 é bastante volátil, devido ao processo de recuperação judicial que a companhia enfrenta desde 2018, bem como pelos números de balanço financeiro. Contudo, o economista vê como positiva a investida da companhia, uma vez que o mercado de energia sustentável tem muito potencial de crescimento no Brasil.

“O consumidor vê muito bem essa mudança e os investidores também. Há um crescimento forte do setor de energia solar no mundo e o quanto isso gera redução de custo no longo prazo ”, afirma Bertotti.

Nesta segunda-feira (28), a ação da companhia abriu o pregão da B3 em R$ 6,30. Em setembro, os papéis acumulam alta de 32,03% e registram valorização acumulada de 52,88% no ano.

A fonte próxima à empresa explica que, por ser um projeto de longo prazo, ainda não é possível colocar a mudança em uma análise de valuation dos papéis. “Há uma perspectiva boa pela frente, mas, por enquanto, o investidor deve fazer as contas em cima do ‘turnaround’ e no core business (negócio principal) da companhia”, diz a fonte.

Bertotti também explica que a investida em tecnologia pode ser vista como um ponto fundamental no aumento da geração de renda futura da companhia. Contudo, ele alerta sobre o efeito do dólar no novo projeto.

“A companhia depende que uma das células para constituição da telha fotovoltaica venha da China. Ou seja, há uma exposição ao câmbio e isso afeta a questão do custo, visto que estamos em um cenário extremamente delicado de real muito depreciado”, considera Bertotti.

 

Invista com TAXA ZERO de corretagem por 3 meses. Abra sua conta na Ágora Investimentos

Informe seu e-mail

Faça com que esse conteúdo ajude mais investidores. Compartilhe com os seus contatos