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Mercado

Oi (OIBR3): ação ficou atrativa após acordo com credores e empréstimo? Especialistas comentam

Duas notícias recentes fizeram a companhia chamar atenção do mercado

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

23/04/2024 | 15:47 Atualização: 24/04/2024 | 9:21

Fonte: Shutterstock/Gajus/Reprodução
Fonte: Shutterstock/Gajus/Reprodução

A Oi (OIBR3) está no radar do mercado por duas notícias recentes: na última sexta-feira (19), a empresa fechou um acordo com alguns de seus credores para vender R$ 15,3 bilhões de seus ativos. A medida está sob avaliação da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A companhia também anunciou na segunda-feira (22) que assinou um termo de adesão de um financiamento de R$ 785,5 milhões na modalidade de debtor in possession (pessoa ou corporação que apresentou uma petição de falência, mas permanece na posse de bens sobre os quais um credor tem um penhor ou garantia semelhante).

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“O referido financiamento terá vencimento em 30 de junho de 2027 e contará com garantias reais e fidejussórias em favor da companhia e/ou de sociedade afiliada”, segundo fato relevante.

Para analistas, a notícia é levemente positiva para companhia. Artur Horta, especialista em investimentos da GTF Capital, afirma que o empréstimo causa um alívio para companhia em termos de balanço. “A empresa terá o dinheiro necessário para compor o caixa, o que traz esse alívio temporário. No entanto, a Oi continua contraindo dívida, deixando a notícia não tão boa para o médio e longo prazo”.

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As ações da Oi acumulam alta de 6,25% em 2024. Já no pregão desta terça-feira (23), os papéis operam estáveis por volta das 15h23, a R$ 0,69.

A companhia encerrou o quarto trimestre de 2023 com uma dívida líquida de R$ 23,2 bilhões e um caixa de R$ 2,19 bilhões, o que torna o empréstimo fundamental na visão de Matheus Nascimento, analista da Levante Corp. “Essa é uma notícia boa, pois a companhia terá condições de seguir suas operações até que se concluam as vendas de todos os seus ativos”, aponta.

Já em relação ao acordo com os credores, os analistas dizem que esse é um passo importante para a empresa sair da recuperação judicial. Todavia, Nascimento comenta que, dado o grau de endividamento da companhia, torna-se complexo inferir que ela conseguirá sair do processo e seguir operando sem que haja um ciclo de investimentos robustos.

Horta destaca que a companhia está com um alto endividamento e precisa vender os R$ 15,3 bilhões em ativos para equacionar parte da dívida, o que torna o fim da recuperação incerto. “Além de a empresa não ter de forma definida o que ela conseguirá vender, ela também precisa melhorar a sua operação, visto que as concessões de telefonia fixa da empresa precisam parar de queimar caixa”, detalha Horta.

Está na hora de comprar ações?

Embora as ações subam no ano, os analistas comentam que investir na Oi segue longe de ser um bom negócio. Nascimento, da Levante, aponta que a Oi não é uma boa alternativa para o investidor que busca uma carteira de ações com ativos de alta qualidade, isto é, balanços saudáveis, operacionalmente lucrativa e que possua uma boa posição no seu segmento. “Com isso, a Oi segue, em minha visão, sendo um ativo que atrai muito mais investidores especulativos, dada a volatilidade nos preços de tela, e sua situação delicada”, afirma.

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Horta, da GTF Capital, também diz acreditar que o papel não é tão interessante e que o investidor ainda precisa deixá-lo de lado. “Eu não vejo a Oi como uma boa opção de investimento pelo fato dos problemas estruturais que a empresa possui em relação às concessões de telefonia fixa, o que deve continuar queimando o caixa da empresa por muito tempo”, relata Horta.

Os analistas da Genial Investimentos deixam claro que a recomendação para as ações da empresa é de venda. Eles lembram que a empresa diminuiu seu prejuízo em 71,8%, conforme o balanço do quarto trimestre de 2023, mas a companhia ainda mostra uma queima significativa de caixa operacional e continua a enfrentar uma dívida considerável. “Embora haja progresso no processo de recuperação judicial da empresa, permanecemos pessimistas em relação ao seu futuro. Portanto, mantemos nossa recomendação de venda”, ressaltam Antonio Cozman e Iago Souza, que assinam o relatório.

De modo geral, os analistas apontam dois papéis como uma boa alternativa para quem quiser se expor no setor de telecomunicações sem ter que comprar as ações da Oi. Arthur Horta diz que ações Vivo (VIVT3) são uma boa alternativa. “A empresa tem uma boa previsibilidade de receita e tende a pagar um bom dividendo ao investidor”, relata.

Já Matheus Nascimento, da Levante, também diz que a Vivo é uma boa opção de investimento para quem quiser lucrar com o setor da Oi. A corretora também recomenda compra para as ações da Tim (TIMS3). “A Tim possui menor valor de mercado em comparação à Vivo, mas também tem um histórico robusto de resultados, por isso a empresa é uma boa opção de investimento”, detalha Nascimento.

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A Vivo encerrou 2023 com lucro líquido de R$ 5 bilhões, alta de 23,1% na comparação com o mesmo período de 2022. Já a Tim teve um lucro líquido normalizado de R$ 2,69 bilhões em 2023, um avanço de 50,4% na comparação com 2022. A Oi foi a única a amargar prejuízo de R$ 5,4 bilhões em 2023, deixando a empresa distante das demais companhias do seu setor.

A Levante possui recomendação de compra para Tim e Vivo com preço-alvo, respectivamente, de R$ 21 e R$ 57 para o fim de 2024. A cifra equivale a uma potencial alta de 16,8% para as ações da Vivo na comparação com o fechamento de segunda-feira (22). Já em relação às ações da Tim, a estimativa é de uma alta de 21,1% em relação ao encerramento do pregão de segunda-feira (22), quando as ações da Tim terminaram o dia cotadas a R$ 17,34.

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