Estes são alguns exemplos de como tem sido difícil, para os investidores, entender e prever as ações de Trump. Essa insegurança está intensificando, segundo Ricardo França, head de research para pessoa física da Ágora Investimentos, um movimento estrutural de enfraquecimento do dólar no mundo, com a divisa americana perdendo parte do status de “porto-seguro” financeiro. Na outra ponta, o ouro se fortalece como o principal destino para quem busca segurança em tempos de incertezas.
Essa dualidade é vista nos números. Nos últimos 12 meses, o dólar afundou 10,3% na comparação a uma cesta de moedas fortes pelo índice DXY, enquanto o ouro valorizou 80% no mesmo período, mas as tensões geopolíticas não são as únicas responsáveis por esse cenário. Segundo França, há também uma percepção de uma maior “politização” das decisões do banco central americano sobre os juros, com algum nível de dúvida sobre como será conduzida a política monetária no país.
O head de research da Ágora concedeu uma entrevista exclusiva para o E-Investidor sobre o atual cenário local e internacional, e em quais ativos é recomendável investir nesse momento. Para o especialista, o ouro é uma das grandes teses de investimento dos últimos meses. “No fim do dia, a estratégia é baseada em um ativo real, que tem na escassez um grande argumento de valor. O ouro entra como um pilar muito relevante dos portfólios”, diz o especialista.
Já na seara de ações, a percepção é de que ainda há oportunidade, apesar do salto de 12% do Ibovespa somente em janeiro. O índice brasileiro renova recordes, está acima dos 180 mil pontos e pode ir além, segundo França. O principal fator que têm patrocinado essa alta é a entrada, também recorde, de investimento estrangeiro na Bolsa.
Somente entre 1 e 28 de janeiro, foram mais de R$ 23 bilhões em fluxo externo para a B3, 86% do montante acumulado durante todo o ano de 2025. França aponta que as carteiras recomendadas da Ágora estão focadas desde o ano passado em empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), mas que agora a casa começa a olhar para as companhias cíclicas e mais ligadas à economia doméstica.
Essa adição de um pouco mais de risco nos portfólios ocorre em linha com a expectativa de cortes na taxa básica de juros Selic, hoje em 15% ao ano. “Se o investidor se sentir à vontade de trazer para o portfólio, começamos a olhar empresas que se beneficiam desse processo de redução de juros, como as dos setores de shopping centers, construção civil e concessionárias”, aponta França. Veja a entrevista completa: