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Mercado

“Listar na Nasdaq é só o começo”, diz CEO do PicPay

Eduardo Chedid falou sobre a estreia do PicPay na Nasdaq, a forte demanda pelas ações, o foco no Brasil e os próximos passos da fintech após o IPO

Por Valéria Bretas

02/02/2026 | 3:00 Atualização: 02/02/2026 | 18:07

PicPay estreia na Nasdaq. Eduardo Chedid diz que  mercado "ganhou convicção na nossa história". Foto: 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic
PicPay estreia na Nasdaq. Eduardo Chedid diz que mercado "ganhou convicção na nossa história". Foto: 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic

NOVA YORK — Depois de anos sem novas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de empresas brasileiras em Nova York, o PicPay voltou a fazer o sino da Nasdaq tocar na última quinta-feira (29). Avaliada em US$ 2,6 bilhões, a fintech se tornou a primeira companhia do País a abrir capital nos Estados Unidos desde 2021.

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A oferta foi precificada a US$ 19 por ação, no topo da faixa indicativa, e captou US$ 434 milhões no lote base. A demanda pelos papéis foi cerca de 12 vezes superior ao volume ofertado, o que abriu espaço para o exercício do lote adicional e levou a captação potencial para perto de US$ 500 milhões.

O movimento contrastou com a primeira tentativa de IPO, em 2021, quando o PicPay decidiu adiar a operação diante do fechamento abrupto da janela de ofertas. Desde então, a empresa passou por uma transformação relevante, deixando de ser uma carteira digital centrada em pagamentos para se consolidar como uma plataforma financeira mais ampla, com lucro recorrente, diversificação de receitas e maior escala operacional.

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Essa trajetória incluiu a adaptação ao lançamento do Pix, visto inicialmente como uma ameaça ao modelo original, e a evolução para uma estrutura mais abrangente de produtos financeiros, segundo o CEO.

Após a cerimônia de estreia e uma coletiva de imprensa em Nova York, Eduardo Chedid comentou a leitura do mercado, os riscos da tese apresentada aos investidores e os próximos passos da companhia como empresa listada. Veja os principais trechos da conversa:

Executivos do PicPay na cerimônia do sino na Nasdaq no dia da estreia do IPO; ação será negociada com o ticker PICS.
PicPay soma mais de 66 milhões de clientes no Brasil e está avaliada em US$ 2,6 bilhões pelo valor negociado no IPO na Nasdaq. (Imagem: Valéria Bretas/ESTADÃO)

E-Investidor – Qual diferencial o PicPay traz para o mercado americano?

Eduardo Chedid –Pouquíssimas fintechs no mundo conseguiram chegar a escala e lucratividade. Nossa receita cresceu 92% nos três primeiros trimestres de 2025 e o lucro líquido cresceu 82%. Essa combinação, além de operar no Brasil, é algo que poucas empresas no mundo conseguem alinhar.

O que o resultado do IPO sinalizou para vocês?

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Eduardo Chedid – Sinalizou que o mercado ganhou convicção na nossa história e valorizou a execução dos últimos cinco anos. A demanda foi forte e também refletiu a percepção de que o Brasil é visto como um país institucionalmente forte dentro do universo de mercados emergentes.

Em 2021, a empresa adiou a abertura de capital por causa das condições de mercado. O que sustentou a decisão de fazer o IPO agora, mesmo em um cenário ainda volátil?

A principal razão foi a maturidade enquanto empresa. Hoje temos um business sustentável, com uma diversificação de receitas bastante grande e ainda uma oportunidade relevante de crescimento. Sim, temos tensões geopolíticas, mas o mercado voltou a se abrir para empresas como a nossa, e a leitura é de que o Brasil atravessa um momento melhor.

Como a companhia pretende garantir liquidez para as ações após o IPO?

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A principal ação que precisa ser feita nos próximos trimestres é entregar resultados. É isso que faz o papel andar e cria liquidez. Estamos em um período mais favorável do que o enfrentado por empresas que abriram capital em 2021. Estamos em um timing melhor e temos confiança na execução da tese apresentada ao mercado.

Como os investidores estrangeiros têm enxergado o Brasil neste momento?

Existe uma rotação de capital acontecendo. As conversas estiveram muito mais concentradas no ambiente de juros e bem menos em temas eleitorais. Há uma expectativa mais positiva em relação ao Brasil e maior interesse por mercados emergentes.

Durante as conversas com investidores, o caso do Banco Master apareceu como preocupação?

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Falamos com mais de 300 investidores e ninguém perguntou sobre o Banco Master. As perguntas se concentraram em juros e alguns falaram sobre eleições.

Há planos de lançar BDRs no Brasil ou de atuar como banco nos Estados Unidos? 

Essas possibilidades ainda estão sendo avaliadas, mas não há nada no curto prazo. Apesar de parecer um movimento natural, a convicção é de que a oportunidade no Brasil ainda é muito grande, e o foco deve permanecer exclusivamente no mercado brasileiro pelos próximos dois ou três anos.

Com a expectativa de queda na Selic, muda algo na estratégia de crédito?  

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Ainda que isso seja positivo, não muda a nossa forma de fazer credito e não significa que vamos crescer mais do que antes. Começamos a oferecer crédito há pouco mais de dois anos, o que significa temos uma penetração relativamente baixa na base, em torno de 6% de share of wallet. Isso significa que temos espaço para crescer.

Por que o investidor deveria comprar uma ação do PicPay?

Somos uma das maiores histórias recentes de crescimento com rentabilidade no mercado brasileiro. Conseguimos evoluir de uma carteira digital do PicPay para uma plataforma financeira mais ampla em poucos anos, atingimos o breakeven (ponto de equilíbrio) antes do planejado e entregamos resultados positivos de forma recorrente. É uma combinação de crescimento, execução, diversificação do modelo de negócios e resiliência.

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