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Mercado

“Não tome risco desnecessário agora, inclusive na renda fixa”, diz EQI Research

Carolina Borges, head de análise da EQI, ressalta que o estresse do mercado exige cautela dos investidores

Por Daniel Rocha

02/12/2024 | 3:00 Atualização: 02/12/2024 | 18:58

Carolina Borges é head de research da EQI Research (Foto: EQI Research)
Carolina Borges é head de research da EQI Research (Foto: EQI Research)

O pacote fiscal não agradou o mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice da B3, registrou dois dias consecutivos de perdas e o dólar superou a marca histórica e ficou acima dos R$ 6 durante as negociações da última semana. Os recentes eventos reforçam a percepção dos analistas de que as medidas fiscais, anunciadas pela equipe econômica do governo, não serão suficientes para solucionar o problema das contas públicas. Ou seja, o risco fiscal ainda vai pesar sobre a performance dos ativos financeiros nos próximos meses.

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Dado a circunstância, Carolina Borges, head de análise da EQI Research, faz um alerta aos investidores que acompanham o estresse dos mercados: o momento não é propício para riscos desnecessários. Ou seja, a composição do portfólio deve estar voltada para empresas que já entregam rentabilidade mesmo em cenários adversos. “Não é interessante investir em ações que possuem um alto nível de alavancagem porque o custo da dívida deve ficar ainda mais caro por bastante tempo”, diz Borges.

  • Leia mais: Será que é hora de investir no exterior? Veja se é momento ideal de olhar para os EUA

A recomendação também se aplica para os investimentos em renda fixa. A especialista acrescenta que os títulos públicos, especialmente os pós-fixados e os indexados à inflação, devem ser priorizados na carteira de investimentos em detrimento dos ativos de crédito privado. “Se você comprar uma debênture ou um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs) de uma empresa com um balanço ruim, estará correndo um grande risco. Não é o momento para isso”, recomenda a head da EQI Research.

E-investidor – O mercado rejeitou a proposta de ajuste fiscal do governo. Qual foi a principal decepção dos investidores?

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Carolina Borges – O primeiro deles é o quanto esse pacote fiscal entrega. A equipe econômica estima uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos, mas as contas dos economistas apontam para uma redução de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões dos gastos. O segundo é a composição desses ajustes. Vimos pontos positivos, como a política do salário mínimo que prevê uma variação da inflação mais a variação do arcabouço-fiscal e as mudanças do abono salarial. Essas foram mudanças estruturais. Mas, quando olhamos para o restante, as mudanças são pontuais e isso frustrou o mercado.

Como fica a imagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após o anúncio dessas propostas para o orçamento?

Vejo que Haddad está perdendo a confiança do mercado. No início do governo, ele enfrentou uma resistência, mas foi se mostrando um perfil sério e ponderado. Essa postura conquistou a confiança dos investidores. Agora, com a entrega das propostas, vejo que essa percepção está caindo.

Os títulos do Tesouro Direto indexados à inflação ultrapassaram o prêmio de risco de 7%. Há chances do mercado se deparar com IPCA+ 7,5% ou 8%?

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A chance existe porque há uma desancoragem da expectativa de inflação. Antes, tínhamos uma expectativa de aumento dos juros de 50 pontos porcentuais na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Agora, temos uma projeção de uma alta de 0,75 pontos porcentuais da Selic. O desempenho desses títulos é um reflexo dos juros futuros. O mercado já está projetando um juro futuro para 2029 de 14,5%. Se realmente vier essa inflação causada por um dólar elevado e por estímulos do consumo, a Selic pode subir para patamares ainda mais elevados e pressionar também os prêmios do Tesouro IPCA+.

E o que podemos esperar da bolsa de valores em dezembro e também nos primeiros meses de janeiro?

Dentro da cesta do Ibovespa, temos algumas empresas que possuem receitas atreladas ao dólar. Essas companhias devem apresentar um resultado operacional melhor porque vão ter um resultado em real e vão crescer mais por causa da depreciação da nossa moeda. Se a economia estivesse mais aquecida na China, o viés positivo seria ainda maior mesmo com o cenário de risco fiscal. Na outra ponta, temos as empresas endividadas que têm custos em dólar. Essas ações devem ser mais penalizadas.

O que o investidor não deve fazer com os seus investimentos diante da deterioração do ambiente econômico?

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O momento não é para tomar risco desnecessário. Ou seja, não é interessante investir em empresas que possuem um alto nível de alavancagem porque o custo da dívida deve ficar ainda mais caro por bastante tempo. Vejo que é o momento para aproveitar as companhias que já estão posicionadas e possuem uma dominância de mercado. Nessa última temporada de balanço, os bancos, como o Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú (ITUB4), vieram com resultados fortes, com crescimento de lucro e de receita. No setor de commodities, temos a PRIO (PRIO3) que tem uma receita 100% dolarizada e a sua produção tende a crescer ao longo do tempo. O mesmo vale para a renda fixa. Temos bastante oportunidade tanto pós-fixados quanto nos títulos indexados à inflação. Mas se você comprar uma debênture ou um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs) de uma empresa com um balanço ruim, estará correndo um grande risco. Não é o momento para esse tipo de investimento.

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