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Trump pressiona o petróleo com novas tarifas. Como isso afeta a Petrobras (PETR4)?

Presidente americano promete taxar quem negociar a commodity com Rússia, Venezuela e Irã. Entenda os impactos da medida

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Bruno Andrade
Editado por Wladimir D'Andrade

01/04/2025 | 13:21 Atualização: 01/04/2025 | 16:06

Mais do que impactos nas empresas, como na Petrobras, maior implicação provocada pelas possíveis sanções de Trump poderão ser verificadas na alteração nas relações comerciais entre os países. (Foto: Adobe Stock)
Mais do que impactos nas empresas, como na Petrobras, maior implicação provocada pelas possíveis sanções de Trump poderão ser verificadas na alteração nas relações comerciais entre os países. (Foto: Adobe Stock)

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu impor tarifas de 25% a 50% sobre o petróleo russo caso o país não chegue a um acordo com a Ucrânia para um cessar-fogo. Apesar da pressão que inicialmente a medida coloca sobre a commodity, analistas do mercado financeiro têm dúvidas se as tarifas de Trump são suficientes para disparar um gatilho de alta nos preços, pois a escalada da cotação do barril no mercado internacional também depende de outros fatores, deixando o cenário indefinido para a Petrobras (PETR3; PETR4).

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As tarifas de 25% a 50% a países compradores de petróleo russo, caso implementadas, atingiriam principalmente China e Índia. O presidente americano, entretanto, elevou o tom não somente contra a Rússia, mas também contra Venezuela e Irã. Em relação ao país sul-americano, qualquer país que comprar petróleo e gás natural venezuelano será taxado em 25% pelos EUA. Caracas, por sua vez, encerrou a licença da petroleira norte-americana Chevron para operar em seu território.

Quanto ao Irã, os Estados Unidos aplicaram sanções a duas empresas chinesas — Luqing Petrochemical e Huaying Huizhou Daya Bay Petrochemical Terminal Storage — por adquirirem petróleo do país do Oriente Médio.

Como fica o preço do barril do petróleo com as tarifas de Trump?

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, diz que tais sanções podem pressionar o preço do barril do petróleo no curto prazo no mercado internacional com uma disparada dos preços. Isso porque o número de países que compram petróleo da Rússia diminuiria com as sanções, o que resultaria em uma queda da oferta da commodity no mercado global.

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Por outro lado, os analistas explicam que a oferta de petróleo tende a aumentar ao longo deste ano devido ao aumento da produção em acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). Grupo dos maiores produtores do mundo anunciou aumento de 138 mil barris por dia (bpd) a partir de abril e mais 135 mil bpd em maio, após os cortes significativos iniciados em 2022.

Para Gustavo Sung, economista-chefe Suno Research, mesmo que as tarifas de Trump compliquem a vida dos russos, o preço do petróleo deve continuar de lado, variando com gatilhos de alta e baixa. Segundo ele, as perspectivas de forte crescimento da oferta de petróleo por países fora da Opep+ e da menor demanda global já impactam hoje o sentimento dos operadores de mercado.

“As incertezas em relação à política tarifária de Donald Trump geram dúvidas sobre uma possível guerra comercial, o que pode impactar negativamente as cadeias produtivas globais e o crescimento econômico no médio prazo. Como consequência, haveria uma redução na demanda por petróleo”, diz Sung.

Ou seja, segundo ele, o que o mercado precifica no momento é que as tarifas de Trump podem ter um efeito reverso. Ao invés de alta de preços por menor demanda, ele pode forçar uma diminuição da cotação da commodity queda de preços devido a uma possível redução do apetite de consumo do mercado.

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Joao Abdouni, analista da Levante Inside Corp, diz que a medida não deve trazer tantos impactos justamente por haver outros fatores no mercado que influenciam o preço do barril. Ele comenta que o petróleo Brent deve ser negociado entre US$ 68 a US$ 78 por barril ao longo do ano, o que tende a apresentar um efeito neutro para o Brasil e a Petrobras.

Como fica a Petrobras em meio às tarifas de Trump?

Em relação à petroleira, as projeções estão longe da unanimidade. Valter Bianchi, sócio-fundador da Fundamenta Investimentos, vê um impacto neutro ou até mesmo “marginalmente positivo” para a Petrobras. O especialista não acredita que haja um grande aumento nos preços do petróleo em caso de sanção dos EUA ao óleo russo, porque há diversas formas de “driblar” as punições no mercado internacional de petróleo – métodos que a própria Rússia já utilizou para contornar as retaliações após início da guerra contra a Ucrânia, por exemplo, conforme apurado pelo Estadão.

“Tem um mercado paralelo de petróleo que opera com navios transportando ‘petróleo não autorizado’, digamos assim, sem bandeira, com transponder (dispositivo de comunicação eletrônica) desligado”, diz Bianchi. “Então, acredito que o mercado entende que esse tipo de comercialização vai continuar ocorrendo e não deve mexer muito no preço do petróleo, por isso não deverá ter um benefício muito grande para a Petrobras”, afirma.

A Petrobras só se beneficiaria substancialmente, diz Bianchi, se a restrição da oferta de petróleo russo provocasse uma alta relevante nos preços – quanto mais alto o valor da commodity, maior a receita da estatal. Contudo, não é isso que ele acredita que acontecerá.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, segue parte dessa tese. Ele aponta que atualmente há um excesso de oferta no mercado de petróleo, que tende a manter os preços do barril mais baixos. A ofensiva de Trump contra o óleo russo poderia diminuir a oferta e subir os preços da commodity, mas o entendimento é de que esse embate ficará mais no discurso e que as sanções não serão levadas às últimas consequências.

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Em vez disso, Cruz aposta em uma solução mais conciliadora entre EUA e Rússia. “Me parece muito mais uma ameaça e uma medida difícil de executar”, diz o estrategista. Desta forma, a Petrobras continuaria com impacto neutro.

Petrobras anuncia queda do preço do diesel

Nesta última segunda-feira (31), a estatal anunciou que reduzirá o preço de venda de diesel em R$ 0,17 por litro a partir desta terça-feira (1). Com a medida, o preço tende a cair de R$ 3,55 por litro. Considerando a mistura obrigatória de 86% de diesel A e 14% de biodiesel para composição do diesel B vendido nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará a ser de R$ 3,05 /litro, uma redução de R$ 0,15 a cada litro de diesel B.

“Com o reajuste anunciado, a Petrobras reduziu, desde dezembro de 2022, os preços de diesel para as distribuidoras em R$ 0,94 por litro, uma redução de 20,9%. Considerando a inflação do período, esta redução é de R$ 1,45 por litro ou 29,0%”, diz a estatal em nota.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Petrobras vendia o diesel a R$ 0,08 por litro, mais caro que a média do Preço de Paridade de Importação (PPI). Após a redução, o combustível passou a ser vendido a R$ 0,20 abaixo do PPI. Essa questão do diesel pode ser um dos fatores que podem influenciar os dividendos da Petrobras.

E os dividendos da Petrobras?

Abdouni, da Levante,  relata que a maior implicação provocada pelas possíveis sanções de Trump poderão ser verificadas por meio de alteração nas relações comerciais entre os países. O Brasil, por exemplo, consome bastante diesel vindo da Rússia. Com as tarifas, o País poderia comprar combustível de outra nação abastecida pelo diesel russo, o que reduziria os impactos. A Levante tem recomendação de compra para a Petrobras com preço-alvo de R$ 43 para o fim de 2025, alta de 14,88% em relação ao fechamento de sexta-feira (28), quando a ação encerrou o pregão a R$ 37,43.

Já Ian Lopes, da Valor Investimentos, que aposta na alta do petróleo com as tarifas impostas por Trump, diz que a estatal brasileira tende a repassar uma alta de preços ao consumidor. No entanto, ele diz que, mesmo com tal medida, o investidor deve entender que os dividendos da Petrobras não dependem somente entorno desse fator.

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“O preço da gasolina no Brasil até pode subir para o consumidor, mas os proventos da estatal têm muito mais a ver com a operação da empresa em si do que com o preço dos derivados. A companhia precisa gerar um caixa que supra suas necessidades de reinvestimento e que ainda sobre uma boa quantia de caixa excedente. Ou seja, uma escalada de preços dos combustíveis pode ajudar a estatal, mas não é o principal fator para a empresa pagar bons dividendos”, diz.

Lopes, no entanto, comenta que, mesmo com a empresa sendo uma boa pagadora de proventos, o investidor deve ter cautela com Petrobras, pois ainda há muitos acontecimentos pela frente nessa história deflagrada pelas tarifas de Trump.

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