A estreia, que levantou US$ 490 milhões, ocorre em um momento de apetite renovado no mercado, puxado por ativos de tecnologia. A oferta foi precificada a US$ 19 por ação, no topo da faixa indicativa, com a emissão de 22,9 milhões de ações Classe A.
Os papéis passam a ser negociados na Nasdaq sob o ticker PICS. A operação foi coordenada por Citi, Bank of America e RBC.
Durante a cerimônia de abertura, os principais executivos do PicPay acompanharam o evento na Nasdaq em meio a investidores e familiares que circulavam pelo espaço reservado às empresas estreantes.
‘Hoje marca um milagre importante em nossa jornada. Listar na Nasdaq não é a linha final, mas apenas o começo de um novo e emocionante capítulo na nossa história e que fortalece a nossa missão de criar um impacto significativo na vida diária dos clientes’, disse o CEO da Fintech, Eduardo Chedid, no discurso de abertura da sessão.
Sob controle da holding dos irmãos Batista, o PicPay encerrou os primeiros nove meses de 2025 com lucro líquido de R$ 313,8 milhões, alta de 304% na comparação anual. A empresa afirma ter atingido o breakeven há cerca de um ano, ou seja, o ponto em que a operação passou a se sustentar sem consumir caixa. No mesmo período, apresentou retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado de 17,4%, indicador usado para medir a eficiência da empresa em gerar lucro a partir do capital dos acionistas.
PicPay já havia tentado abrir capital antes
Em termos de escala, os números impressionam. O PicPay soma mais de 66 milhões de clientes no Brasil, dos quais 42 milhões estavam ativos no terceiro trimestre de 2025 (3T25). A receita totalizou R$ 7,3 bilhões nos primeiros nove meses do ano, enquanto a carteira de crédito alcançou R$ 19 bilhões e os depósitos de clientes chegaram a R$ 27 bilhões.
Essa foi a segunda tentativa de fazer uma oferta inicial de ações (IPO). Em 2021, a fintech decidiu adiar a operação diante da deterioração das condições globais. A empresa chegou a mirar um valuation em torno de US$ 9 bilhões, mas buscava uma avaliação ainda mais elevada. A virada do ciclo de juros e o fechamento abrupto da janela de ofertas acabaram inviabilizando a abertura de capital.
Quatro anos depois, o cenário voltou a se mover, embora longe de ser benigno. Tensões ligadas ao cenário tarifário nos EUA, oscilações recentes de empresas de tecnologia e maior seletividade dos investidores ajudam a explicar por que a nova tentativa veio ancorada em números mais conservadores.
O verdadeiro teste, portanto, começa agora, depois do sino. Mais do que o desempenho no primeiro dia de negociação, investidores devem acompanhar se o PicPay conseguirá sustentar a rentabilidade, controlar riscos e melhorar indicadores operacionais como empresa listada, em um mercado que voltou a abrir espaço para IPOs, mas já deixou claro que não pretende escancarar a porta.