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Mercado

Trump retorna à Casa Branca: veja o que esperar dos mercados, dólar e inflação a partir de hoje

O mundo está atento aos primeiros movimentos do 47º presidente dos EUA; nos mercados, o clima é de otimismo

Por Leo Guimarães

20/01/2025 | 3:00 Atualização: 20/01/2025 | 13:13

Foto: AdobeStock
Foto: AdobeStock

Donald Trump retorna à Casa Branca nesta segunda-feira (20), em cerimônia com início às 11h30 no horário de Brasília. A partir de então, o mundo estará atento aos primeiros movimentos do 47º presidente dos Estados Unidos. Nos mercados, o clima é de otimismo, precificando um cenário favorável às criptomoedas e à bolsa americana, apesar dos desafios que deverão surgir num mundo mais inflacionário com o dólar mais forte, juros mais altos e elevação dos preços do petróleo.

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Apesar das expectativas, os preços atuais ainda não capturam plenamente o impacto do retorno do polêmico magnata ao poder. “Vejo a possibilidade de os mercados reagirem positivamente após a posse, em um movimento semelhante ao observado em novembro”, afirma João Picioni, CIO da Empíricus Gestão.

Para Adriano Gomes, consultor financeiro e sócio-diretor da Methode Consultoria, a probabilidade de a Bolsa americana ter uma valorização bastante expressiva é muito alta. “É recomendável para investidores em geral procurar ETFs que repetem o mesmo comportamento das bolsas americanas”, diz.

Países emergentes fora da festa

Esse movimento de curto prazo não deve beneficiar ativos de risco de países emergentes, que podem sofrer com a política tarifária do novo presidente americano. “Com China e Europa enfraquecidas, economias emergentes como a América Latina, especialmente o Brasil, seriam impactadas, fortalecendo ativos americanos e prejudicando os emergentes”, avalia Mauricio Valadares, diretor de investimentos da Nau Capital.

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Medidas contra as importações, por outro lado, têm efeito sobre o dólar. “O aumento dos custos de importação nos EUA pode dificultar o movimento de cortes de juros pelo Fed, e juros mais altos tendem a fortalecer o dólar”, explica Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad.

O eleitorado de Trump, por outro lado, é sensível à alta de preços, o que poderia arrefecer essa pressão cambial ao longo do tempo. “É razoável imaginar que parte das medidas anunciadas ao longo da campanha sejam redesenhadas de alguma forma”, diz Zogbi.

Alvaro Bandeira, coordenador da comissão de economia da Apimec Brasil reforça a tese. “A tendência é de que você tenha a inflação caindo devagar, e os juros podem efetivamente recuar duas ou três vezes ou no correr de 2025, com uma boa chance de concentrar um pouco no primeiro trimestre.”

Os cortes de impostos esperados são outro fator que pode impulsionar o mercado acionário americano no curto prazo. Mauricio Valadares, diretor de investimentos da Nau Capital, ressalta que o mercado já precificou parte desse movimento. “Tudo dependerá da intensidade das medidas. Se, por exemplo, as tarifas forem mais brandas ou os cortes de impostos menores do que o esperado, podemos até observar uma reversão da precificação ocorrida nos últimos meses.”

Impactos nos setores e no Brasil

Setores como commodities, tecnologia e saúde estão entre os mais expostos à volatilidade das políticas de Trump. “No setor de saúde, desregulamentações e alterações nos preços de medicamentos trazem novas incertezas ao mercado”, afirma Gianluca Di Matina, especialista em investimentos da Hike Capital. Energia, especialmente combustíveis fósseis, pode se beneficiar de políticas protecionistas, enquanto tecnologia, automotivo e saúde enfrentam desafios com tarifas e restrições comerciais. “Serviços e varejo também podem sofrer com preços de importação mais altos”, acrescenta Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

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No Brasil, exportadoras de commodities, como Petrobras (PETR4), SLC Agrícola (SLCE3) e Suzano (SUZB3), que possuem receitas predominantemente em dólar, e empresas de tecnologia e serviços globais, como Weg (WEGE3) e Embraer (EMBR3), que atuam em mercados externos, podem se beneficiar em cenários de dólar alto.

Por outro lado, empresas do setor de consumo interno, como Lojas Renner (LREN3) e Magazine Luiza (MGLU3), enfrentam riscos devido ao aumento nos custos de importação, dívidas atreladas ao dólar e pressão de concorrentes mais capitalizadas. “O setor industrial que depende de insumos importados, mas tem o mercado nacional como foco, como a Intelbras (INTB3), também pode ser impactado negativamente”, avalia Picioni da Empiricus.

Volatilidade das criptos continua

No mundo cripto as maiores expectativa são pelas ordens executivas favoráveis ao bitcoin e outras moedas digitais e a criação de um “estoque estratégico de bitcoin” ou a nomeação de figuras pró-cripto para cargos-chave. Esses movimentos têm o potencial de impulsionar o mercado e aumentar os preços. “Caso Trump sinalize uma possível ordem executiva que eleve as criptomoedas a uma prioridade nacional já no primeiro dia de seu mandato, isso certamente marcaria um momento histórico para o setor”, comenta Felipe Martorano, analista de criptomoedas da Levante Inside Corp.

Contudo, persistem incertezas, avalia João Kury, Hub Manager do ICP Hub Brasil. “Políticas abaixo das expectativas ou atrasos em promessas de campanha de Donald Trump podem desencadear correções no mercado”, diz. Além disso, enquanto esse mercado espera por desregulamentação, qualquer sinal de controle estatal pode ser mal recebido pelos investidores.

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