No exterior, o foco do mercado financeiro ficou na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025 dos Estados Unidos, no índice de preços PCE – principal medida de inflação monitorada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) – e no relatório Jolts de abertura de vagas.
O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre, de acordo com a segunda estimativa do Departamento de Comércio do país, divulgada nesta sexta-feira. Analistas compilados pela FactSet previam alta de 1,8% do PIB americano no período. A leitura inicial havia apontado ganho de 1,4%.
O PCE subiu 0,3% em janeiro ante dezembro. Na comparação anual, houve alta de 2,8% em janeiro. Analistas compilados pela FactSet previam acréscimo mensal de 0,4% do PCE e avanço anual de 2,9%.
Já a abertura de postos de trabalho nos Estados Unidos subiu para 6,946 milhões em janeiro, de acordo com o relatório Jolts, publicado hoje pelo Departamento do Trabalho do país. Analistas consultados pela FactSet previam alta a 6,745 milhões
No Brasil, os investidores acompanharam as operações do Banco Central (BC), que realizou leilão de swap reverso (instrumento derivativo para contes quedas acentuadas do dólar e valorizar o real) e venda à vista de moeda dos EUA.
Além disso, medidas do governo para reduzir os impactos econômicos da alta do petróleo também permaneceram no radar. O presidente Lula afirmou que o governo não cobrará o Programa de Integração Social (PIS) nem a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre combustíveis e, em contrapartida, vai recolher imposto sobre a exportação da commodity, como forma de mitigar os efeitos do impacto da volatilidade do petróleo no mercado internacional nos preços da economia brasileira.
O cenário externo seguiu marcado por cautela. As bolsas europeias fecharam em queda, enquanto os índices de Nova York também cederam, em mais um dia de valorização do petróleo.
Índices de Nova York
No mercado de Nova York, o Dow Jones caiu 0,26%, o S&P 500 recuou 0,61% e o Nasdaq perdeu 0,93%.
Na Europa, as bolsas fecharam em baixa. A de Londres caiu 0,43%, a de Paris cedeu 0,91% e a de Frankfurt sofreu desvalorização de 0,65%. Já Milão e Lisboa registraram perdas de 0,31% e 0,09%, respectivamente.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão no campo negativo, pressionados pela nova alta do petróleo e pelo aumento das tensões geopolíticas. O Nikkei, de Tóquio, caiu 1,16%, enquanto o Kospi, de Seul, recuou 1,72%. O Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,98%, e o Taiex, de Taiwan, cedeu 0,54%. Na China continental, Xangai caiu 0,82% e Shenzhen recuou 0,88%, enquanto o S&P/ASX 200, de Sydney, teve baixa de 0,14%.
No mercado de commodities, o petróleo seguiu no centro das atenções. Após disparar mais de 9% no pregão anterior, os contratos voltaram a fechar em alta. O WTI para abril subiu 3,11% a US$ 98,71, na Nymex, enquanto o Brent para maio avançou 2,67% a US$ 103,14 na ICE. Na semana, houve ganhos de 8,59% e 11,27%, respectivamente.
Treasuries e moedas
A escalada dos preços ocorreu em meio às tensões no Oriente Médio. O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que pretende manter o Estreito de Ormuz fechado e continuar o confronto, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensificou o tom contra o regime iraniano.
Por outro lado, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou uma autorização temporária para que países comprem petróleo russo atualmente retido no mar, além de informar que a Marinha norte-americana pretende escoltar navios pelo Estreito de Ormuz quando for possível.
Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries (títulos públicos dos EUA) fecharam em alta, refletindo preocupações de que o avanço do petróleo pressione a inflação e limite o espaço para cortes de juros pelos grandes bancos centrais. O rendimento da T-note de 10 anos avançou a 4,283%, enquanto o da T-note de 2 anos recuou a 3,731% e o do T-bond de 30 anos subiu para 4,909%.
No câmbio, o dólar ganhou força frente às principais moedas globais, em meio ao aumento da aversão ao risco. O euro caiu para US$ 1,1425, enquanto a libra recuou para US$ 1,3229, pressionada por dados fracos da indústria e do crescimento do Reino Unido. Já o dólar subiu para 159,68 ienes. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas relevantes, avançou 0,63%, aos 100,362 pontos.
No radar local, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, fechou em baixa de 1,74% no valor de US$ 35,49, sinalizando cautela adicional para o mercado doméstico.
No Brasil, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) encerraram no campo negativo, com PETR3 em queda de 0,54% e PETR4 em baixa de 0,73%, após a notícia de que o conselho da estatal aprovou adesão ao programa do governo de subvenção econômica para a comercialização de diesel rodoviário. A companhia reiterou que busca evitar o repasse imediato da alta do petróleo aos preços internos, enquanto o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, voltou a descartar qualquer tentativa de intervenção na empresa.
Em relação à política monetária, o mercado financeiro também se prepara para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana. A precificação na curva de juros indica expectativa majoritária de corte de 25 pontos-base (0,25%) na Selic, embora a maioria das instituições consultadas pelo Projeções Broadcast ainda espera uma redução de 50 pontos-base (0,50%).
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet