

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) realizou nesta quarta-feira (26) seu tradicional encontro com jornalistas, em que explicou suas projeções e objetivos principais para o ano de 2025.
Não é um período fácil no mercado. Boa parte dos ativos de investimento vem de um período turbulento causado pelo combo de incertezas fiscais, piora dos indicadores macroeconômicos e volatilidade global. Mas a autarquia destacou que está disposta a reforçar sua representatividade para ajudar os associados a lidar com o contexto difícil.
Entre as prioridades, está a preocupação com o momento da indústria de fundos, especialmente os multimercados e de ações, que vêm de uma janela de resgates expressivos e desempenhos abaixo do benchmark. A Anbima também quer ampliar sua inteligência de dados e dar enfoque à agenda de sustentabilidade no ano da COP 30 – a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, que acontecerá em novembro em Belém, no Pará.
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No bate papo, os executivos da instituição explicaram um pouco do cenário para o qual estão se preparando este ano:
Captações ainda em alta
Depois de um 2024 de volume recorde de emissões locais, a Anbima espera que 2025 seja um novo ano positivo. A alta de juros segue impulsionando o apetite de investidores especialmente por títulos de renda fixa, enquanto, do lado das empresas, a necessidade de refinanciamento de passivos também mantém a demanda por novas emissões em alta.
Em 2024, a emissão de debêntures alcançou o patamar recorde de R$ 473,7 bilhões. “Os números de janeiro já foram bastante fortes, mas é pouco provável repetir o volume do ano passado”, destacou Guilherme Maranhão, presidente do Fórum do Mercado de Capitais da instituição.
Seca de IPOs
O mercado brasileiro não vê uma oferta pública de ações (IPO) na B3 desde a estreia da Vittia (VITT3) em setembro de 2021 – naquele ano, o Nubank abriu seu capital em dezembro, mas na Bolsa de Nova York. Desde então, as companhias estão à espera de uma janela de oportunidade que nunca mais apareceu.
E, segundo a Anbima, pode vir apenas em 2026. A expectativa da instituição é de que o mercado brasileiro não tenha IPOs no curto prazo; ou seja, nos próximos 6 a 9 meses. A “culpa” é da alta de juros, que encareceu o custo de oportunidade e está levando os recursos para a renda fixa.
Ainda assim, a Anbima espera que as operações de follow-on sigam acontecendo dado que dependem menos de preço. “Em um mercado deprimido como o que temos hoje, as referências de preço pesam muito para qualquer IPO”, diz César Mindof, diretor da área de mercado de capitais da Anbima.
Retomada das altas na Bolsa?
A leitura de cenário macro da Anbima é de que, apesar do estresse visto em dezembro, o mercado está enxergando uma “luz no fim do túnel” com os primeiros indicadores de desaceleração econômica no País. A avaliação é que, depois de um 2024 bom para a economia e ruim para os preços dos ativos, os investimentos podem ter um 2025 melhor, justamente por causa da deterioração econômica e a perspectiva de que os juros, ainda que bem elevados, não cheguem aos patamares extremos de 17% ao ano ventilados no final do último ano.
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Mas em um contexto de incerteza fiscal por aqui e guerra comercial nos Estados Unidos, o que poderia promover uma recuperação mais acentuada no mercado brasileiro é a volta do fluxo de capital externo.
Um gatilho positivo para o mercado brasileiro poderia ser uma volta mais significativa do fluxo de capital externo para o País. Até o dia 24 de fevereiro, a entrada de investidor estrangeiro na B3 no ano somava R$ 11,056 bilhões. O Ibovespa, por sua vez, sobe quase 4% em 2025.
“O que poderia ser um ‘trigger’ de melhoria no mercado de ações é alguma percepção, principalmente de investidores estrangeiros, de que há uma oportunidade em termos de preço se comparado às outras alternativas de alocação de recursos. Isso eventualmente poderia gerar uma contaminação nos players locais”, Carlos André, presidente da Anbima.