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Petróleo dispara com guerra no Oriente Médio e movimenta a B3: veja quem ganha e quem perde

Escalada do conflito no Oriente Médio leva barril a perto de US$ 120, impulsiona petroleiras na Bolsa e pressiona setores como varejo e companhias aéreas.

Por Daniel Rocha

09/03/2026 | 17:35 Atualização: 09/03/2026 | 17:35

O petróleo dispara com a guerra entre EUA, Israel e Irã e a paralisação do Estreito de Ormuz.  (Imagem: Adobe Stock)
O petróleo dispara com a guerra entre EUA, Israel e Irã e a paralisação do Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)

O preço do petróleo disparou nesta segunda-feira (9) em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio e as novas interrupções no fornecimento global da commodity. Segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), houve paralisação quase total do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Ao longo da sessão, os barris do tipo Brent e WTI chegaram a ser negociados próximo dos US$ 120 com o aumento do prêmio de risco global.

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Apesar do cenário de cautela, o movimento tem sido positivo para as petroleiras brasileiras. Isso porque a alta do petróleo tende a beneficiar os resultados financeiros do setor nos próximos trimestres, especialmente se os conflitos se prolonguem nas próximas semanas. Por volta das 14h21 (de Brasília), as ações da PetroReconcavo (RECV3) avançavam cerca de 0,54%, a R$ 12,94, enquanto os papéis da Brava Energia (BRAV3) subiam 1,77%, a R$ 20,08.

Já a PRIO (PRIO3) subia com alta de 5,30%, a R$ 62,54, refletindo a reação do setor ao salto da commodity. As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) também registraram ganhos relevantes. No mesmo período, os papéis ordinárias (PETR3) subiam 4,13%, a R$ 47,67, enquanto os preferenciais (PETR4) avançavam 3,89%, a R$ 43,75.

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Apesar do movimento positivo, o impacto da alta da commodity tende a ocorrer de forma diferente entre as empresas do setor. Segundo Ricardo França, analista da Ágora Investidores, as petroleiras de menor porte, como Prio, Brava Energia e PetroReconcavo, costumam capturar de forma mais direta a valorização do petróleo no mercado internacional. Já a Petrobras enfrentará o dilema de repassar ou não a alta da commodity ao consumidor em ano de eleição.

“Naturalmente, se os preços do petróleo perdurarem nesses patamares, a estatal vai ter que repassar o preço ao consumidor. Por enquanto, trata-se de um choque de preços. A extensão da guerra irá trazer informações ao mercado até onde o petróleo pode subir e, consequentemente, os benefícios para a empresa”, ressalta França.

Setores que sofrem com a disparada do petróleo

A realidade, por outro lado, tende a ser menos favorável para as empresas ligadas ao varejo. Além de aumentar a volatilidade dos mercados, analistas avaliam que o petróleo sendo negociado acima dos US$ 100 deve elevar a inflação a nível global. Esse movimento também teria impacto sobre a política monetária das principais economias, incluindo a do Brasil. Até o momento, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), dê início ao ciclo de corte de juros no Brasil na próxima semana. A dúvida, no entanto, está na magnitude desse corte.

Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9), a mediana para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.

“As ações com elevado grau de alavancagem se prejudicariam com esse cenário, uma vez que a alta do petróleo influencia na alta dos juros e na inflação. São os casos do Grupo Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3)“, diz Caio Borges, analista da Eleven Financial.

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O mesmo pode acontecer com o setor aéreo. Além da alta do preço do combustível, os conflitos fortalecem o dólar, elevando ainda mais os custos das companhias. Segundo Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, no setor aéreo, o querosene de aviação (QAV) costuma representar entre 30% e 40% da estrutura total de custos.

“No Brasil, porém, essa proporção pode se aproximar ou até ultrapassar esse nível em determinados períodos, especialmente quando o real se desvaloriza. Isso acontece porque o combustível é precificado em dólar, enquanto grande parte das receitas das companhias é gerada em reais”, destaca Corano.

Com informações do Broadcast*

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