Em relatório, os analistas Pedro Bruno, Ruan Argenton e João Ramiro destacam, no entanto, que a empresa registrou forte eficiência de custos, refletida em custos fixos controlados e melhorias no consumo de combustível; e capex (investimento) menor de R$ 1,5 bilhão (R$ 6,1 bilhão em 2025 ante o guidance de R$ 5,8 bilhões a R$ 6,5 bilhões), em uma execução concentrada no início do ano.
Os profissionais acreditam que a concessionária ferroviária está pronta para capturar o cenário favorável de grãos em 2026, pois avalia que os cortes de tarifas realizados até o fim de 2025 tornaram a companhia mais competitiva.
Segundo o relatório, a receita continuou pressionada por reduções de preços de frete, mas a Rumo compensou parte do baque com rígido controle de custos. A corretora destaca despesas fixas sob controle, melhora no consumo de combustível e menor investimento.
Mesmo com a pressão de preços, destacam, os volumes transportados surpreenderam. Em fevereiro de 2026, a Rumo bateu recorde histórico de 6,9 bilhões de toneladas-quilômetro úteis, alta de 17% em comparação ao mesmo mês de 2025 e 4% acima da estimativa da XP. Segundo a corretora, o avanço refletiu, sobretudo, o fluxo acelerado de soja, além de crescimento em celulose e fertilizantes. No quarto trimestre, os volumes já tinham subido 15% em relação ao ano anterior.
A XP chama atenção para o aumento dos valores do frete rodoviário em rotas ligadas ao Arco Norte, caso de Sorriso-Miritituba, onde o preço avançou 22% no ano, ante altas de 9% em Rondonópolis-Santos e Sorriso-Santos. Para os analistas, a combinação de exportações fortes de soja e obras em Miritituba sustenta esses preços mais elevados e reforça a competitividade das tarifas ferroviárias da Rumo.
Embora enxergue um primeiro semestre robusto para a empresa, a corretora aponta riscos no segundo semestre, ligados à incerteza sobre a exportação de milho e ao menor número de contratos take-or-pay (levar ou pagar). Ainda assim, classifica a avaliação da ação como atrativa, citando taxa interna de retorno real de 15% e múltiplo EV/Ebitda de 5,9 vezes para 2026. A recomendação da XP para a Rumo é de compra.