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Em reunião com a administração, o atual CEO, Mario Leão, deixou claro que a passagem de comando para Gilson Finkelsztain “não representa uma ruptura estratégica”. De acordo com ele, a decisão foi motivada por razões pessoais e ocorre em um momento em que o banco já tem uma estratégia bem definida com foco, agora, na execução.
A principal mensagem, segundo a XP, está na ambição de entregar retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) sustentável acima de 20% no médio prazo. Esse objetivo deve ser sustentado por uma combinação de disciplina na alocação de capital e na originação de crédito, foco em segmentos mais rentáveis (como clientes de alta renda), além da otimização de ativos fiscais (DTAs) e de iniciativas contínuas de eficiência para reduzir despesas nominais.
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Na visão da casa, esses vetores “são favoráveis à rentabilidade de longo prazo e à expansão do ROE”, o que sustenta a recomendação de compra para as ações.
No médio prazo, a estratégia combina crescimento de receita com controle rigoroso de custos. A administração destacou que pretende manter a expansão das despesas abaixo da inflação, reforçando a alavancagem operacional. Nesse cenário, o crescimento do resultado antes de impostos (EBT) deve superar o do lucro líquido, principalmente por efeitos tributários, já que o banco projeta aumento da alíquota efetiva em 2026 e 2027.
Mesmo assim, não há intenção de alterar o payout (porcentagem do lucro de uma empresa distribuída aos acionistas) no curto prazo, já que o impacto seria limitado. O Santander reforça que cortes de juros, isoladamente, não são suficientes para elevar o ROE acima de 20% sem o apoio de alavancas operacionais adicionais.
O banco não busca ganhar participação de mercado de forma agregada, mas sim ampliar sua fatia em produtos específicos, com prioridade para segmentos com melhor relação risco-retorno.
A aposta está em clientes de alta renda, pequenas e médias empresas (PMEs), empresas de médio porte (middle market) e, de forma mais seletiva, grandes empresas. Já o atacado tradicional perde prioridade diante da forte competição e dos retornos mais pressionados.
A XP Investimentos destaca que há espaço relevante para expansão, especialmente em PMEs, que hoje representam cerca de 10% a 11% da carteira, aproximadamente metade da exposição de outros grandes bancos.
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Ao mesmo tempo, o Santander segue reduzindo a exposição ao segmento de baixa renda, que ainda responde por cerca de 13% a 14% da carteira de crédito. A estratégia é acelerar essa desalavancagem para liberar capital, melhorar a eficiência dos ativos ponderados por risco e realocar recursos para segmentos mais rentáveis.
Em termos de margens, o banco reconhece alguma pressão no custo de captação, que deve ser compensada por maior volume de operações. O spread médio tende a cair menos que a Selic, enquanto a margem de mercado deve melhorar na comparação anual, ainda que permaneça negativa.
O banco também apresentou o que chamou de “agenda de jaws“: o foco está em fazer receitas, especialmente tarifas e comissões, crescerem mais rápido que as despesas. Isso deve ampliar a alavancagem operacional e permitir expansão do lucro sem aumento relevante de risco.
Outro destaque vem do estoque relevante de ativos fiscais diferidos (DTAs), cuja utilização deve ganhar tração à medida que a operação principal cresce mais rapidamente que outras subsidiárias.
Na frente de produtos, a agenda de cartões avançou com o Pix no cartão, embora a administração ressalte que o histórico ainda é curto para conclusões mais profundas.
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Já no crédito consignado privado, a postura é de cautela. O banco está em fase de testes e evita acelerar a originação diante da baixa visibilidade sobre inadimplência, com prioridade para a prudência para não comprometer resultados futuros com aumento de provisões.
A troca de comando no Santander não altera a estratégia, que segue com foco em rentabilidade, eficiência e crescimento seletivo.
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