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Mercado

Ibovespa hoje fecha em baixa após queda do PIB dos EUA e recuo da Vale e Petrobras; dólar sobe

Bolsas em NY fecharam sem direção única. Os desempenhos dos mercados refletiram ainda os novos desdobramentos sobre conflito comercial entre Estados Unidos e China

Por Daniel Rocha,  Rariane Costa e  Beatriz Rocha 

30/04/2025 | 6:56 Atualização: 25/07/2025 | 6:52

Ibovespa, o principal índice da B3. (Foto: Adobe Stock)
Ibovespa, o principal índice da B3. (Foto: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje fechou em queda de 0,02% aos 135.066,97 pontos, a primeira depois de sete sessões em alta. O mau humor da Bolsa de Valores brasileira se deu enquanto os índices de Nova York tiveram um desempenho misto. S&P 500 e Dow Jones subiram 0,15% e 0,35%, respectivamente, já Nasdaq caiu 0,09%. O desempenho volátil dos mercados refletiu a frustração dos investidores com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA que encolheu no primeiro trimestre deste ano.

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A economia americana recuou ao ritmo anualizado de 0,3% no primeiro trimestre de 2025, abaixo das estimativas do mercado. No quarto trimestre, o PIB dos EUA teve expansão anualizada de 2,4%. “Houve muito ruído neste relatório, mas o sinal é de uma redução no ritmo de crescimento e a inflação ainda elevada”, avaliou o economista do CIBC Economics, Ali Jaffery, ao Broadcast, mencionando a antecipação de importações nos EUA por conta das tarifas de Donald Trump, presidente dos EUA.  Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla inglês) do país, também divulgado hoje, recuou 0,1% em março em comparação a fevereiro. Na comparação anual, houve uma alta de 2,3%, acima da meta de 2%.

Os novos desdobramentos da guerra comercial entre os Estados Unidos e China também influenciaram na volatilidade das Bolsas globais na última sessão de abril. Segundo informações do Dow Jones Newswires, Trump estuda a possibilidade de suavizar o impacto das tarifas de importação sobre o setor automotivo. A ideia é que os impostos sobre os carros produzidos no exterior não sofram com sobretaxas. Já o governo chinês publicou um vídeo nesta terça-feira (29) afirmando que não pretende se curvar às tarifas recíprocas de Trump. Contudo, o gigante asiático não descartou o interesse em negociar com os Estados Unidos.

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Além da volatilidade no exterior, as quedas das commodities pesaram sobre a performance do Ibovespa. Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte baixa nesta quarta-feira em meio a rumores de que a Arábia Saudita estaria disposta a ampliar sua produção e suportar um período prolongado de preços baixos da commodity. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de petróleo WTI para junho caiu 3,66% , fechando a US$ 58,21 o barril. O Brent para julho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 3,51%, para US$ 61,06 o barril. No mês, o WTI e o Brent acumularam quedas superiores a 15%.

O minério de ferro, por sua vez, fechou em queda de 0,78%, cotado a 703,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 96,77 em Dalian, na China. As ações da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4;PETR3) também acompanharam o desempenho das commodities. Os papéis da mineradora recuaram 1,82%, enquanto os preferencias e ordinários da estatal caíram 1,87% e 1,54%, respectivamente.

No mercado doméstico de câmbio, o dólar hoje fechou em alta de 0,82% a R$ 5,6766. “No âmbito doméstico, fatores técnicos como a formação da Ptax de fim de mês intensificou as rolagens de contratos futuros no mercado local, com predominância de posições compradas após sequência de quedas”, explica Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Bolsas da Ásia sem direção única

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quarta-feira (30), após dados fracos de manufatura da China evidenciarem os primeiros danos da guerra comercial com os EUA.

O índice japonês Nikkei subiu 0,57% em Tóquio, a 36.045,38 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 0,51% em Hong Kong a 22.119,41 pontos. O sul-coreano Kospi caiu 0,34% em Seul, a 2.556,61 pontos, e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com alta marginal de 0,01%.

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Na China Continental, o Xangai Composto recuou 0,23%, a 3.279,03 pontos, em seu quarto pregão negativo seguido, o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,70% a 3.279,03 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul pela quinta sessão consecutiva hoje, com alta de 0,69% do S&P/ASX 200 em Sydney, a 8.126,20 pontos.

Bolsas europeias fecham em alta

As bolsas europeias encerraram o último pregão de abril em alta, com temporada de balanços corporativos e dados macroeconômicos melhores do que o previsto na região. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,37% e fechou na máxima do dia, aos 8.494,85 pontos, mas acumulou uma queda de 1% no mês. O índice FTSE MIB, de Milão, recuou 0,71%, a 37.604,82 pontos, e acumulou uma baixa de 1,2% em abril. Já o PSI 20, da bolsa de Lisboa, avançou 0,36%, aos 6.992,34 pontos, encerrando o mês com ganho de 1,8%.

O DAX, em Frankfurt, teve alta de 0,32%, aos 22.496,98 pontos, acumulando valorização de 1,5% no mês. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,50%, a 7.593,87 pontos, e computou queda de 2,5% mensal. Já o Ibex 35, de Madri, recuou 0,59% no dia, aos 13.287,80 pontos, mas ainda fechou abril com avanço de 1,2%. Os dados ainda são preliminares. Entre os destaques corporativos, o Santander recuou 3,03% após divulgação de balanço, enquanto a Iberdrola subiu 0,9% em Madri. Em Paris, Air France-KLM avançou 2,63% e Airbus teve alta de 2,19%. Já a alemã Volkswagen caiu 2,4%, o banco UBS recuou 1,08% e o Barclays perdeu 0,40% em Londres.

No cenário macroeconômico, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu 0,4% no primeiro trimestre de 2025 ante o trimestre anterior, superando a expectativa de alta de 0,2%. A Alemanha, maior economia da região, também surpreendeu positivamente. No cenário global, persistem as tensões comerciais. O presidente Donald Trump assinou ordem executiva para aliviar parte das tarifas sobre importações automotivas e voltou a criticar a China e a União Europeia, acusando os dois blocos de se aproveitarem dos EUA. Já o governo francês disse ver os americanos mais abertos à ideia de eliminar tarifas recíprocas.

Ouro fecha em queda

A cotação do ouro recuou pela segunda sessão consecutiva nesta quarta-feira (30), pressionada por realizações de lucro e sinais de alívio nas tensões comerciais globais. O metal chegou a tocar a mínima de US$ 3.275,6 por onça-troy nesta manhã, mas reduziu as perdas após dados mostrarem que a economia dos Estados Unidos encolheu pela primeira vez em três anos.

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Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do ouro para entrega em junho fechou em queda de 0,43%, a US$ 3.319,1 por onça-troy. No mês, o metal teve valorização de 5,18%.

A trégua parcial nas disputas comerciais e o otimismo geopolítico reduziram a busca por ativos de proteção. Trump assinou uma ordem executiva para aliviar tarifas sobre alguns produtos importados e sinalizou avanços nas negociações com parceiros estratégicos.

Segundo analistas da SP Angel, a menor tensão comercial e a esperança de um acordo entre Rússia e Ucrânia diminuem a demanda por ouro como ativo de segurança. Ainda assim, a demanda por ativos defensivos persiste em algumas regiões. “Investidores chineses continuam comprando ouro em meio à crise imobiliária e à fraqueza do yuan”, destaca o relatório.

*Com informações do Broadcast

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