

Os principais índices futuros do mercado acionário americano desabam no pré-market desta quinta-feira (3) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de importação piores que o esperado pelo mercado. Um dos destaques negativos da pré-abertura são as ações da Apple (AAPL34), que derretem mais de 7% nesta manhã.
O Nasdaq 100 futuro recuava 3,89%, a 18.990,00 pontos, no início da manhã desta quinta-feira. O Dow Jones Futuro caía 2,82%, a 41,294.00 pontos. O S&P 500 futuro, por sua vez, despencava 3,47%, a 5.513,75 pontos. No mesmo horário, as ações da Apple derretiam 7,41%, a US$ 16,59.
Para Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invest, esse anúncio das tarifas de Trump marca o início de uma nova rodada de negociações, com possíveis concessões surgindo nas próximas semanas. “Durante as próximas semanas, veremos uma série de negociações com os países, principalmente os mais afetados, como 32% para a China e 20% para a União Europeia”, complementa.
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Especialistas americanos temem danos globais maiores que os da crise tarifária de 1930. Naquele ano, a Lei Smoot-Hawley elevou tarifas de importação sobre mais de 20 mil produtos para proteger a economia durante a Grande Depressão, mas em vez de ajudar a medida desencadeou retaliações de outros países Hoje, as importações representam 15% do Produto Interno Bruto (PIB) americanp — cinco vezes mais que em 1930, ampliando o impacto de medidas protecionistas.
Quais os impactos das tarifas de Trump?
De acordo com Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, caso o processo tarifário de Trump parasse por aqui, o impacto seria inflacionário — com aumento de custos e redução nas transações comerciais, afetando o crescimento global. “No entanto, o cenário continua em formação e dependerá das reações dos países atingidos. Se houver negociações para reduzir tarifas, os EUA podem até sair beneficiados. Mas, se houver escalada, o resultado tende a ser negativo para todos”, diz.
Como as tarifas dos EUA afetam o Brasil?
No Brasil, analistas veem risco de queda nas exportações e valorização do dólar, com efeitos sobre inflação e juros. Algumas análises dão conta de que o governo brasileiro, por ora, vem adotando um tom cauteloso. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, diz que a tarifa de 10% para o Brasil ficou abaixo do esperado. Na visão dele, isso pode ser considerado um sinal de moderação. Como o Brasil tem déficit comercial com os EUA, o impacto geral deve ser limitado.
“No entanto, setores que exportam diretamente para o mercado americano devem sentir os efeitos das tarifas de Trump com mais força. Estimativas indicam que as exportações brasileiras para os EUA representam cerca de 2% do PIB, apontando para um efeito concentrado, mas restrito a algumas cadeias produtivas”, aponta Sung. Para mais detalhes e entender o que o investidor deve fazer neste momento, leia esta reportagem.