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Mercado

Todos querem a Vale (VALE3): entenda o otimismo em torno das ações

Empresa está entre as principais recomendações de compra para abril

Foto: Washington Alves/Reuters
  • As ações da mineradora Vale (VALE3) foram as campeões em recomendações de compra para o mês de abril, com preços-alvo que chegam aos R$ 130
  • Em 2021, o ativo já saltou mais de 20%. Nos últimos 12 meses, a alta chega aos 177%
  • Com a retomada econômica gradual das economias mundo à fora, a demanda por minério de ferro se intensificou

As ações da mineradora Vale (VALE3) foram as campeãs em recomendações de compra para o mês de abril, com preços-alvo que chegam a R$ 130 – uma valorização de 26% frente a cotação desta segunda-feira (5), de R$ 103,39, máxima histórica registrada em um fechamento. Em 2021, o ativo já saltou mais de 20%, e nos últimos 12 meses, a alta chega aos 177%.

Mesmo assim, os ativos estariam ainda bastante descontados. Com a retomada econômica gradual das economias mundo à fora, a demanda por commodities se intensificou. A China, primeiro país a entrar na pandemia e primeiro a iniciar uma recuperação, acelerou a procura por minério de ferro para investimentos em infraestrutura. Como reflexo dessa maior necessidade, o insumo exportado pela Vale está em alta de 80% em relação a abril do ano passado.

“A companhia veio se destacando desde o começo de 2020, por conta da exposição ao mercado chinês. Praticamente 2/3 do volume de minério de ferro e pelotas é vendido para a China”, afirma Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. “E quando a crise se abateu nos mercados, o investidor viu que o mercado chinês apresentava uma característica diferente, mais forte. Se tornou um ativo defensivo.”

A perspectiva que os papéis estão baratos ficou ainda mais clara com o programa de recompra de ações anunciado pela mineradora na última semana. A Vale deve recomprar 270 milhões de ações ordinárias e seus respectivos ADRs, 5,3% do volume total. Com a medida, os papéis devem se valorizar, já que existirão menos ativos circulando. De acordo com Arbetman, a companhia envia um alerta claro ao mercado com essa iniciativa.

“É uma mensagem direta do management quanto ao nível atual de preço da companhia. Então quando o management se expõe a um programa de recompra, é porque vê um desconto nesses papéis. O preço atual é atrativo”, diz o especialista. Atualmente, a Ativa tem recomendação de compra para Vale, com preço-alvo de R$ 114.


Essa também é a visão de Iago Souza, analista de investimentos da Warren. “A Vale é um grande player de mineração a nível global. Ao levarmos em consideração o aumento de demanda da commodity nos próximos meses (e anos), a mineradora está bem posicionada para aumentar as suas receitas operacionais”, afirma. “A expectativa, em termos gráficos, é que a Vale ganhe mais força em sua tendência de alta.”

Em 2020, a Vale teve lucro líquido de US$ 4,8 bilhões e obteve um EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 16,6 bilhões. Contudo, o atual otimismo do mercado sucede um período de grande cautela, que foi iniciado no rompimento das barragens em Mariana e intensificado com o segundo episódio, vivido em Brumadinho.

Reconquistando a confiança

As tragédias envolvendo estouros de barragens foram grandes marcos negativos na história da Vale. O primeiro caso aconteceu em 5 de novembro de 2015, no município de Mariana (MG). Na época, a barragem de Fundão, da Samarco (controlada pela mineradora brasileira e pela BHP Bilinton), se rompeu e matou 19 pessoas.

Pouco mais de três anos depois, em janeiro de 2019, uma tragédia ainda maior aconteceu em Brumadinho (MG), quando o rompimento da barragem de rejeitos Mina Córrego de Feijão inundou um vilarejo inteiro e deixou 259 mortos. Entre eles, vários funcionários da própria Vale. Fora a perda humana, o acontecimento deixou sequelas que podem ser irreversíveis ao meio ambiente e é considerado um dos maiores desastres ambientais do País.

Os acontecimentos abalaram o Brasil e consequentemente o mercado, que penalizou as ações da empresa e lançou uma sombra de desconfiança nos aspectos relacionados à governança e responsabilidade social. Pelo lado operacional, o estouro da barragem também afetou a capacidade produtiva da mineradora.

“Depois de Brumadinho, vimos uma queda brusca na capacidade de oferta do sistema. A própria Vale fez revisões de guidance e enfrentou questões logísticas em 2020”, afirma Arbetman. “A própria meta para produção em 2021 é amistosa, não forte. São 235 mil toneladas no ano, número bem distante das 400 mil toneladas que ela entregava antes de Brumadinho.”

Entretanto, a empresa estaria caminhando em direção a reconquistar a confiança do mercado. “O momento é muito bom para a empresa, mas não só a Vale, como o próprio setor de mineração, é deficitário em governança. Existem muitos níveis para se avançar e a mineradora sabe disso”, afirma Arbetman. “A companhia sabe que a dívida dela com a sociedade envolve anos de uma política mais abrangente, mais sustentável, aberta e transparente. E vem se posicionando para dar a resposta que a sociedade pede.”

Em fevereiro deste ano, a Vale assinou um acordo de R$ 37,68 bilhões com o Estado de Minas Gerais, visando reparação dos danos causados à região. No relatório relativo ao desempenho no ano de 2020, a compensação pela tragédia de Brumadinho segue como prioridade.

“O avanço da reparação em Brumadinho é a prioridade da Vale. Até fevereiro de 2021, mais de 9.100 pessoas foram indenizadas individualmente, e um total de mais de R$ 13 bilhões foi destinado para pagamento de indenizações, obras de infraestrutura e a iniciativas de reparação ambiental e socioeconômica”, diz a empresa.

A alta é sustentável?

O ciclo de alta do minério de ferro, assim como acontece com o petróleo, tende a ser menos estrutural. Isso significa que a demanda por esses tipos de insumos, que são mais poluentes, pode ser menor no futuro. A própria China, por exemplo, tem subido a barra quanto às questões climáticas e sustentáveis.

“Esse é o grande desafio. Sabemos que o preço do minério de ferro e do petróleo estão em alta mais por questões momentâneas do que por uma demanda continuada da commodity”, explica Arbetman.

Porém, a Vale também estaria posicionada para atender a novos requisitos ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança). A companhia produz um minério de qualidade superior na região de Carajás, que possui uma pureza maior e rende mais. “Pensando para frente, ter um produto que rende mais e que gera menores custos de armazenamento e frete é uma vantagem para atender melhor às métricas de sustentabilidade do mercado chinês”, conclui o especialista.

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