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Negócios

Airbnb (ABNB) pode ser o pivô da próxima crise imobiliária nos EUA?

Dados mostram que a receita de locações caiu quase pela metade nas principais cidades dos EUA

Por Daniel Rocha

04/07/2023 | 17:26 Atualização: 04/07/2023 | 17:32

O Airbnb aumentou a sua receita em 20% em um ano (Foto: Envato Elements)
O Airbnb aumentou a sua receita em 20% em um ano (Foto: Envato Elements)

A crise do subprime, ocorrida em 2008, ainda assombra o mercado norte-americano. Investidores,  economistas e analistas acompanham atentamente os efeitos do ciclo de aperto monetário adotado desde março de 2022 pelo Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos. Qualquer sinal de desaceleração “fora da curva” já acende o alerta de um novo colapso da economia local com efeitos em escala global.

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Em março, a quebra dos bancos Silicon Valley Bank (SVB) e Signature Bank trouxe essa aflição para o mercado financeiro. Na época, o descompasso entre as receitas e as dívidas causou uma “corrida” bancária que resultou na falência do SVB. Dois dias depois, foi a vez do Signature Bank passar pelo mesmo problema e as operações da instituição financeira foram encerradas para evitar um efeito “sistêmico” para o mercado financeiro.

Quase quatro meses depois, uma nova ameaça surgiu no horizonte: Airbnb (ABNB). Em uma publicação no Twitter, Nick Geril, CEO da Reventure Consulting, consultoria especializada em mercado imobiliário nos Estados Unidos, destacou a queda da receita de locação da plataforma nas principais cidades norte-americanas que pode desencadear uma venda massiva de imóveis. Caso essa possibilidade se concretizasse, poderia causar uma crise imobiliária no país com efeitos catastróficos.

2) Ground zero for this Airbnb collapse is a city like PHOENIX.

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Where the number of short-term rentals (18k) is more than DOUBLE the number of for sale listings (8k).

Mix the huge Airbnb supply with revenues down -50% and you get a cocktail for massive forced selling. pic.twitter.com/LZbc5UJs6F

— Nick Gerli (@nickgerli1) June 27, 2023

“Os dados do AllTheRooms (plataforma de análise de dados) mostram um milhão de aluguéis Airbnb / VRBO em comparação com apenas 570 mil casas à venda. Cria uma enorme queda no preço da casa se os proprietários do Airbnb em dificuldades decidirem vender”, ressalta Geril. Segundo os dados apresentados pelo CEO da Reventure Consulting, as cidades Sevierville, Phoenix, Austin foram as que apresentaram as maiores quedas de locação.

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“O marco zero desse colapso do Airbnb é uma cidade como Phoenix, onde o número de aluguéis de curto prazo (18 mil) é mais que o dobro do número de imóveis à venda (8 mil)”, alerta. Mesmo com as informações alarmantes, os dados referentes ao primeiro trimestre deste ano da plataforma mostram um cenário diferente. Segundo o balanço divulgado pela companhia, a receita da plataforma cresceu 20% na comparação anual. O crescimento foi responsável pela reversão do prejuízo líquido de US$ 19 milhões no primeiro trimestre de 2022 para um lucro de US$ 117 milhões.

“Essa foi a primeira vez que o Airbnb foi lucrativo durante um primeiro trimestre”, destacou a Avenue ao analisar os resultados da empresa. Já em relação às taxas diárias médias, os valores ficaram estáveis e a companhia registrou um aumento de volume de listagens em torno de 18%. É neste ponto que os analistas avaliam que os dados apresentados por Geril não trazem um temor significativo para o mercado. Pelo contrário, o aumento da oferta é algo já previsto por fazer parte do seu modelo de negócio.

De acordo com João Rômulo, sócio da Arbor Capital, gestora especializada em investimentos na bolsa norte-americana, faz parte da estratégia da empresa aumentar o número de anfitriões e casas disponíveis para oferecer aos clientes opções que possam atender diferentes perfis. “O aumento de cerca de 18% nas listagens é considerado uma conquista para a empresa”, diz Rômulo.

Além disso, a listagem das ofertas não necessariamente representa aluguel de curta temporada, apenas residência. Os números podem incluir também a disponibilidade de locação de apenas um cômodo da casa. “Estamos vendo pessoas que não tinham o hábito de oferecer um cômodo ou a sua casa para alugar entrando na plataforma para ter uma renda extra”, explicou Richard Camargo, analista da Empiricus Research.

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As ações do Airbnb (ABNB) estão listadas na bolsa de Nasdaq, nos Estados Unidos, e o desempenho das suas ações segue superior ao do principal índice da bolsa de valores onde segue listada. No acumulado do ano, os papéis da plataforma acumulam uma valorização de 51,90%, enquanto o índice de Nasdaq registra uma alta de 32,7% durante o mesmo período.

Crise de 2008 pode voltar?

Os últimos meses não têm sido fáceis para o mercado norte-americano. Desde março de 2022, o Fed adotou uma postura firme para combater a inflação no país. De lá para cá, foram dez aumentos sucessivos da taxa de juros que, atualmente, se encontra no intervalo de 5% e 5,25% ao ano. Mesmo com os juros em patamares elevados, os dirigentes da autoridade monetária não descartaram a possibilidade de novas altas nas próximas reuniões.

“O atual ciclo monetário é o mais duro dos últimos 40 anos nos Estados Unidos”, avalia Marcelo Cabral, CEO da Stratton Capital. No entanto, ele ressalta que não há evidências que apontem para uma crise semelhante à de 2008 ou com um potencial similar. “Não há nenhum indício de que as pessoas deixaram de pagar os seus imóveis”, afirma.

Vale lembrar que a crise de 2008, também conhecida como “subprime”, se desencadeou com o aumento da concessão desenfreada de crédito nos Estados Unidos a partir de incentivos do governo. Os empréstimos concedidos pelos bancos tinham como garantia os imóveis caso o tomador da dívida não pudesse pagar as prestações.

O problema é que, com a ausência de uma análise de risco para a concessão desses financiamentos, houve um aumento da inadimplência entre os tomadores dos empréstimos. “Quando as pessoas pararam de pagar os empréstimos, todos os títulos derivativos relacionados ao mercado imobiliário e que possuíam uma alta complexidade de operação entraram em default. Os investidores tiveram perdas absolutamente gigantescas”, diz Cabral.

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O ápice da crise ocorreu com a falência do Lehman Brothers, um dos maiores e mais antigos bancos de investimentos do mundo, e causou pânico no mercado financeiro. Segundo a Warren, em novembro de 2008, o índice S&P 500 despencou 45% abaixo da máxima registrada em 2007. Além disso, o desemprego nos Estados Unidos dobrou entre os anos de 2008 e 2009 ao sair de 5% para 10%. “Podemos ter uma outra crise, mas não como aquela (de 2008)”, afirma o CEO da Stratton Capital.

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