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Negócios

O que o investidor pode esperar da fusão da Warner com a Discovery

Se o negócio for aprovado, o novo player de mídia pode ter um tamanho de US$ 150 bilhões

Por Luiz Felipe Simões

18/05/2021 | 9:15 Atualização: 18/05/2021 | 9:17

Logo da Warner (FOTO: Eric Gaillard/Reuters
Logo da Warner (FOTO: Eric Gaillard/Reuters

A companhia de telecomunicações americana AT&T, dona dos canais CNN, HBO, TNT, e o grupo Discovery, detentora do Discovery Channel, Science, TLC, Food Network, entre outros., anunciaram que combinarão ativos de conteúdo para um negócio de mídia e entretenimento global independente. As informações foram publicadas na segunda-feira (18) pelo Wall Street Journal e do Financial Times.

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A ideia é criar um novo grupo com foco no streaming, mas que ainda não possui um nome. Caso o acordo seja concretizado entre as companhias, o novo player pode ter um tamanho de US$ 150 bilhões.

A Warner Media foi adquirida pela AT&T em 2016 por US$ 86 bilhões, mas o negócio só foi concluído em 2018. Como a companhia também é dona do DirectTV, houve preocupação dos órgãos reguladores devido ao possível controle excessivo do grupo sobre esse mercado. É importante destacar que a nova aquisição ainda precisará ser aprovada por essas instituições regulatórias.

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Após o anúncio da possível fusão, as ações da AT&T e da Discovery, negociadas na bolsa de Nova York (NYSE), amargam queda de 2,70% e 5,05% no pregão desta segunda-feira, respectivamente.

“Vemos um comportamento parecido com que temos nas empresas de mídia tradicional hoje em dia. É um segmento com grandes competidores, com bastante capital, mas que também demanda muito caixa”, diz Arthur Constancio, especialista de produtos e alocação na BlueTrade, assessoria de investimentos. “Quando você vai criar uma série ou filme próprio, precisa ter um capital para depois passar a receber sobre isso.”

Detalhes da fusão

Ainda sem muitos detalhes, o novo negócio será liderado pelo atual presidente da Discovery, David Zaslav. Segundo o Financial Times, a AT&T deve ter a maior participação e o controle no capital da nova empresa.

De acordo com Zaslav, o novo negócio de mídia terá dívidas de um pouco mais de US$ 55 bilhões. Pelos termos do negócio, a AT&T receberia US$ 43 bilhões em uma combinação de dinheiro e títulos de dívida e seus acionistas teriam os papéis de 71% da nova companhia. Os 29% restantes ficaram com os acionistas da Discovery.

Mais detalhes sobre o futuro do CEO da Warner Media, Jason Kilar, e como as propriedades e os serviços serão arranjados, ainda precisam ser definidos, explicaram os executivos durante uma entrevista coletiva após o anúncio do acordo.

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Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, a indefinição em relação ao negócio gerou dúvidas de até que ponto essa fusão é positiva para os acionistas.

“As ações da Discovery abriram o dia subindo muito de manhã e depois engataram movimento de queda, assim como os papéis da AT&T”, diz. Antes da abertura do mercado, as ações da Discovery reportavam alta de 10,22%. Já os títulos da empresa de telecomunicações, tiveram um crescimento de 3,94%.

Impactos nas ações

“A AT&T se tornou uma empresa que gera muito caixa, paga dívida e dividendo, mas sem crescimento”, diz Alves, da Avenue. As ações refletem este cenário. Desde 2016, os papéis da companhia acumulam queda de 18%.

O valor de mercado disscrepante das empresas também entra nessa conta. A AT&T tem uma fatia de US$ 238 bilhões do mercado, enquanto a Discovery é avaliada em US$ 15,82 bilhões. Na avaliação dos especialistas, a grande vencedora deva ser a AT&T, pois será a maior detentora do novo negócio.

“Ao fazer a aquisição da Discovery, a AT&T passou a ser a empresa não-financeira mais endividada do mundo. Ela acaba de se livrar desse fardo”, diz Constancio, da BlueTrade. “Ao diminuir um pouco a alavancagem financeira que tinha, o grande ponto de atenção para os analistas que cobrem a companhia, há um bom alívio no balanço da AT&T, que realmente estava precisando.”

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Por outro lado, Alves acredita que o negócio mostra que a empresa foi mal gerida, decisões erradas foram tomadas nos últimos anos e que a companhia ainda está no caminho para se recuperar.

“Para o acionista, no curto prazo, o provável cenário é que vai haver uma redução desse pagamento de dividendos. Aquela ideia de comprar AT&T para receber os proventos fica comprometida”, diz Alves.

O analista também acredita que a AT&T não faz uma alocação de capital eficiente. Isso porque a Discovery e a AT&T gastaram US$ 20 bilhões em conteúdo, enquanto a Disney desembolsou US$ 14 bilhões e a Netflix (NFLX34) US$ 17 bilhões. Só que a quantidade de assinantes obtidos pelos concorrentes foi muito superior ao abocanhado pela AT&T e Discovery.

“Em um ano, a Disney conseguiu chegar a mais de 100 milhões de assinantes e a Netflix já tem 208 milhões de inscritos. Já a AT&T, junto com a Discovery, possuem 80 milhões de assinantes”, diz.

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Ao que parece, o grande diferencial do novo grupo de mídia será o novo portfólio de conteúdos, agora com notícias, esportes e entretenimento mais completo. “Se você for parar para pensar, a Netflix não compete nesse segmento de notícias e esportes. A Disney consegue por meio da ESPN, mas ainda sim ninguém tem um portfólio tão completo, como seria o caso dessa nova empresa”, diz Alves.

Espera-se que a nova empresa tenha em 2023 receita de cerca de US$ 52 bilhões e Ebitda ajustado de ceca de US$ 14 bilhões, e US$ 3 bilhões em sinergias de custos anuais. O negócio está previsto para ser fechado em meados de 2022, dependendo da aprovação dos acionistas do Discovery e de validações regulatórias.

*Com Reuters Conteúdo 

 

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