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Negócios

Estágios da inflação: 5 perguntas para o Banco Central Europeu

Com forte pressão inflacionária, mercado quer saber se o BCE terá postura "hawkish" ou agressiva

Por Reuters

01/02/2022 | 17:11 Atualização: 01/02/2022 | 19:00

Pressões inflacionárias continuam fortes e mercados querem saber se o BCE terá postura mais "hawkish" ou agressiva no combate à inflação (Imagem: Reuters/Kai Pfaffenbach/File Photo)
Pressões inflacionárias continuam fortes e mercados querem saber se o BCE terá postura mais "hawkish" ou agressiva no combate à inflação (Imagem: Reuters/Kai Pfaffenbach/File Photo)

As taxas recordes de inflação na zona do euro significam que as pressões sobre os preços estarão no topo da agenda da próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira (3).

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Não há expectativas de ação imediata desde que o BCE, em dezembro, delineou planos de encerrar seu esquema de estímulo pandêmico de 1,85 trilhão de euros até o final de março.

Mas as pressões inflacionárias continuam fortes e os mercados querem saber se o BCE está se aproximando de uma postura mais “hawkish“, ou agressiva no combate à inflação. Aqui estão cinco perguntas no radar para os mercados.

1. O BCE mudará sua linguagem sobre inflação?

Possivelmente. O BCE tem mudado lentamente sua linguagem e pode continuar a fazê-lo.

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O economista-chefe do BCE, Philip Lane, disse na semana passada que a instituição apertaria a política monetária se houvesse previsões de que a inflação persistirá acima de sua meta de 2%, mas tal cenário parece menos provável por ora.

A inflação na área do euro atingiu 5% em dezembro, um patamar recorde, e deve cair novamente abaixo da meta no quarto trimestre.

Mas algumas autoridades veem essa projeção como excessivamente otimista. Dados de janeiro, que serão divulgados um dia antes da reunião do BCE, podem armar os “hawks” com novos argumentos para pressionar por uma mudança de tom. A ata da reunião de dezembro do BCE revelou profundas divisões sobre a inflação entre os formuladores de política monetária.

2. Um Fed mais agressivo pode forçar o BCE a acelerar a normalização?

Não é provável. A presidente do banco, Christine Lagarde, avalia que o BCE não precisa agir com tanta ousadia quanto o banco central dos EUA, dadas as diferentes condições econômicas. Os mercados de trabalho, por exemplo, estão muito mais apertados nos Estados Unidos.

“A zona do euro não é os EUA e não há sinais de superaquecimento doméstico”, disse Katharine Neiss, economista-chefe da PGIM Fixed Income para a Europa.

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Mas uma enxurrada de aumentos de juros nos EUA poderia complicar a vida do BCE se o Fed completar seu ciclo de aperto mais rápido do que no passado, deixando o BCE com menos tempo para agir.

3. O que o BCE pensa sobre as precificações de mercado para os aumentos de juros?

Lagarde pode negar as apostas de aumento de juros do mercado, que estão fora de sincronia com a postura de política monetária ultrafrouxa do BCE. Taxas de empréstimo mais altas nos mercados podem ser problemáticas se desencadearem condições financeiras mais apertadas para as empresas.

Os mercados monetários estão precificando um aumento de juros de 10 pontos-base até outubro. O Deutsche Bank prevê que o BCE começará com uma alta agressiva de 25 pontos-base em dezembro.

Mas o BCE basicamente descartou aumentos de juros neste ano. Seu objetivo é reduzir gradualmente a compra de ativos, mas não tem planos por enquanto de pará-las completamente e não aumentará os custos dos empréstimos antes de encerrar as aquisições de títulos.

4. Quando o BCE espera que surjam efeitos de segunda ordem da inflação?

Com a inflação mais alta por mais tempo do que o previsto e os preços do petróleo elevados, os formuladores de política monetária estão atentos a se isso vai desencadear demandas salariais mais altas, o que, por sua vez, intensificaria o avanço dos preços.

As autoridades têm enfatizado que não veem os salários respondendo significativamente à inflação. O governo da Alemanha acredita que a recuperação econômica e a inflação mais alta provavelmente levarão a um “crescimento salarial um pouco mais forte” neste ano.

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“O argumento para salários mais altos é extremamente bom, pois estamos vendo mercados de trabalho mais apertados em lugares como Alemanha e Holanda. A questão é se será um caso isolado” disse Piet Haines Christiansen, estrategista-chefe do Danske Bank.

“Os salários são a peça que falta no quebra-cabeça, e se virmos inflação neles, teremos um aumento de juros. E isso pode acontecer já na primavera (no Hemisfério Norte) do ano que vem.”

5. Como a mudança na resposta à pandemia afetará o quadro macro?

A variante Ômicron do coronavírus pesou na economia, mas com a maioria dos países evitando lockdowns completos, os dados sugerem que a atividade está se mantendo relativamente bem.

Lane disse que o impacto da Ômicron será medido em semanas, não em meses.

Para os observadores do BCE, os sinais de que o impulso econômico está ganhando ritmo significam que a pressão para remover o estímulo rapidamente pode aumentar. Incertezas também obscurecem as perspectivas, em meio a dúvidas sobre como os altos preços do petróleo e uma desaceleração na China poderiam atrapalhar o crescimento.

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