No entanto, o Bank of America pondera que está cauteloso com os valuations (valor do ativo) das empresas brasileiras e o lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) projetado para o 2026 diante de um ano ‘incerto’. Dentre os riscos, alerta para ruído político, deterioração fiscal e decepções com o ritmo de progresso na agenda de reformas.
“Estamos cautelosos com os valuations se aproximando das médias históricas em direção a um 2026 muito incerto, e o fato de que os mercados já estão precificando alguns cortes (de juros) para o próximo ano”, diz o chefe de economia para Brasil e estratégia para América Latina do BofA, David Beker, em relatório a clientes, nesta quinta-feira.
O Bank of America espera que o ciclo de cortes de juros no Brasil comece com uma redução de 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro, com a Selic indo a 11,25% até o fim de 2026.
“Revisões para baixo no lucro por ação de empresas brasileiras são um risco se os cortes de juros demorarem mais para acontecer, já que o consenso espera mais de 30% de crescimento do EPS para o próximo ano para companhias domésticas, exceto bancos”, alerta Beker.
O Bank of America prefere commodities minerais e energéticas. O banco tem recomendação ‘neutra’ para Petrobras (PETR3; PETR4) e ‘abaixo da média’ para Vale (VALE3). E ainda por setores que se beneficiam de taxas mais baixas, embora as avaliações sejam ‘menos atraentes’ do que no início do ano, conforme o banco, mencionando varejistas como Lojas Renner (LREN3) e Hypera (HYPE3), além de outros nomes como B3 (B3SA3), Equatorial (EQTL3) e Multiplan (MULT3).
O Bank of America rebaixou a recomendação para a Bolsa brasileira, de compra (‘overweight’) para neutra (‘marketweight’) no mês passado. Na ocasião, justificou que, pela primeira vez em três anos, mudou o Brasil para ‘marketweight’, com base em uma visão neutra versus o restante da região, devido a gatilhos domésticos.