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Alpargatas (ALPA4) reage após ruído político e ganha R$ 455 milhões em valor de mercado

Papéis da Alpargatas avançaram após repercussão política negativa de campanha publicitária. Valor de mercado salta 4% em relação ao de sexta-feira

Por Isabela Ortiz

23/12/2025 | 10:15 Atualização: 23/12/2025 | 19:12

Sandálias Havaianas, principal marca da Alpargatas, no centro de polêmica política que gerou ruído no mercado e pressionou as ações da empresa na B3. (Foto: Adobe Stock)
Sandálias Havaianas, principal marca da Alpargatas, no centro de polêmica política que gerou ruído no mercado e pressionou as ações da empresa na B3. (Foto: Adobe Stock)

As ações da Alpargatas (ALPA4) fecharam em alta nesta terça-feira (23), após um pregão turbulento na véspera, quando o mercado reagiu à polêmica envolvendo a Havaianas, principal marca do grupo. Os papéis avançaram 4,02% hoje, cotados a R$ 11,90. A empresa terminou o dia com valor de mercado de R$ 7,747 bilhões, ganhando R$ 455 milhões em relação à sessão anterior, segundo dados da Elos Ayta Consultoria.

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O montante também representa R$ 303 milhões a mais em relação ao valor de mercado da empresa na sexta-feira (19), quando a Alpargatas era avaliada em R$ 7,444 bilhões, antes do início da polêmica. Ou seja, na comparação com a sexta o valor de mercado da Alpargatas, antes da polêmica, subiu, nesta terça, 4,07%.

Na segunda-feira (22), a Alpargatas perdeu 2,39% na B3 e encerrou o dia a R$ 11,44. Durante o pregão, a pressão foi ainda maior: os papéis chegaram a tocar a mínima de R$ 11,26, quando a queda alcançou 3,92%. A empresa havia perdido R$ 152 milhões em valor de mercado em uma única sessão, segundo dados da Elos Ayta Consultoria.

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O estopim para o movimento foi uma controvérsia política em torno da nova campanha publicitária da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres.

No vídeo, a artista, teoricamente, subverte a expressão popular “pé direito” e deseja que as pessoas comecem 2026 com “os dois pés” – “na porta, na estrada, na jaca, onde você quiser”.

Em tom descontraído, ela afirma: “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: a sorte não depende de você”.

A peça publicitária rapidamente ganhou contornos políticos. Parlamentares e influenciadores ligados à direita passaram a criticar o conteúdo e estimularam um boicote à marca nas redes sociais. Em um dos episódios mais repercutidos, o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que deixaria de usar Havaianas, apesar de considerar o produto um “símbolo nacional”, e publicou um vídeo jogando os chinelos no lixo.

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Outros nomes do mesmo campo ideológico seguiram a mesma linha. A deputada Bia Kicis (PL-DF) declarou que, se a marca “não os quer”, eles também não querem as Havaianas. Já o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) escreveu que não compra “de quem nos ataca”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) fez um trocadilho com o slogan da empresa ao sugerir que “nem todo mundo agora vai usar” Havaianas.

Procurada pelo E-Investidor, a Alpargatas optou por não se pronunciar sobre a polêmica até o momento. O espaço para manifestação permanece aberto.

Apesar do impacto imediato no preço das ações, analistas avaliam que o efeito tende a ser limitado. Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o episódio deve ficar restrito ao curto prazo. Segundo ele, o mercado já viveu situações semelhantes, especialmente em períodos de maior polarização política, sem consequências duradouras para os fundamentos das empresas.

“No ciclo seguinte, esses movimentos não se traduziram em efeitos estruturais sobre os negócios”, afirma.

Na avaliação do estrategista, o ruído costuma se concentrar em grupos mais vocais e em nichos específicos, que reagem de forma intensa no calor do momento. “Isso pode gerar algum barulho negativo pontual, mas não uma mudança estrutural”, diz Cruz.

Ele acrescenta que a Havaianas não enfrenta hoje um concorrente direto forte o suficiente para capturar uma eventual insatisfação passageira dos consumidores.

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Além disso, Cruz destaca que o foco estratégico da Alpargatas está cada vez mais voltado para a expansão internacional. No mercado brasileiro, a marca já apresenta um nível de penetração próximo da saturação, o que tende a reduzir o impacto econômico de movimentos conjunturais como boicotes episódicos.

Ainda assim, o debate respingou em concorrentes. Nas redes sociais, alguns usuários afirmaram que passariam a comprar sandálias da Ipanema, marca da Grendene (GRND3). As ações da empresa gaúcha, no entanto, também fecharam em queda na segunda-feira (22), com recuo de 0,19%, a R$ 5,27. Nesta terça-feira (23), subiram 2,28% a R$ 5,39.

Do outro lado do espectro político, parlamentares de esquerda saíram em defesa da Havaianas e da campanha. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) publicou fotos com seus chinelos e afirmou que compraria novos pares no Natal. Já Rogério Correia (PT-MG) ironizou o boicote, enquanto a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou a reação como mais um exemplo de “guerra ideológica” em torno de temas cotidianos.

O humorista Fábio Porchat também entrou na polêmica. Ele usou o espaço da Embaixada do Brasil em Roma, na Itália, para gravar um vídeo para o canal humorístico Porta dos Fundos em que ironiza a crise causada pela campanha publicitária da Havaianas. A informação foi confirmada com fontes que trabalharam na embaixada.

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No vídeo, Porchat aparece sob o personagem de um especialista em gestão de crise, usando trajes de banho, em uma conversa fictícia por telefone com a atriz Fernanda Torres, estrela da campanha. A piada consiste em insinuar que, de fato, era um complô para promover a esquerda. O especialista, então, sugere que a estrela do filme Ainda Estou Aqui deveria fazer acenos para a direita.

“A gente tem que te trocar de bilionário, trocar você dos Moreira Salles e jogar para o Elon Musk”, diz Porchat no vídeo.

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