A Ânima Educação (ANIM3) reportou prejuízo líquido de R$ 18,1 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo lucro de R$ 15,9 milhões observado um ano antes. No acumulado de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 123,8 milhões, alta de 45,3% em relação ao ano anterior.
O desempenho do trimestre refletiu a melhora dos resultados operacionais nos principais segmentos de negócios e ganhos de eficiência na estrutura corporativa, com crescimento da receita e expansão das margens. O lucro líquido, por sua vez, apesar do aumento das despesas financeiras, impactadas pelo ciclo de juros elevados no Brasil, apresentou crescimento versus 2024.
Entre outubro e dezembro, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado totalizou R$ 334,0 milhões, alta de 13,7% na comparação anual. No consolidado de 2025, o Ebitda ajustado somou R$ 1,492 bilhão, alta de 9,6% em relação a 2024. A margem Ebitda do trimestre foi de 34,4%, aumento de 1,6 ponto porcentual (p.p.) em base anual de comparação.
A receita líquida da empresa no quarto trimestre foi de R$ 972,3 milhões, aumento de 8,6% em relação ao apurado um ano antes. No acumulado de 2025, a receita líquida totalizou R$ 4,023 bilhões, aumento de 5,8% ante 2024. Ao final de dezembro, a Ânima tinha 360,4 mil estudantes matriculados, queda de 2,4% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
A geração de caixa operacional do trimestre foi de R$ 329,1 milhões, alta de 26,3% na comparação anual, contribuindo para a dinâmica do endividamento. Ao final de dezembro, a dívida líquida ajustada da Ânima era de R$ 3,0 bilhões, redução de 1,4% ante igual período de 2024. Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ficou em 2,49 vezes, redução de 0,31 vez na mesma base de comparação.
Segundo a presidente da empresa, Paula Harraca, a empresa vem desalavancando de forma orgânica e sustentável, após ajustes que têm sido feitos na companhia nos últimos anos. No quarto trimestre de 2022, antes das mudanças na gestão, a dívida da Ânima passava dos R$ 4 bilhões, e a alavancagem chegava a 4,0 vezes.
Por isso, a executiva explica que, no início do turnaround, a companhia tinha a necessidade de vender ativos, mas que, com os ajustes que foram feitos na operação, isso deixou de ser uma obrigação e passou a ser facultativo. E, aos poucos, a empresa também recupera sua capacidade de fazer eventuais aquisições, se aparecerem oportunidades futuras.
“Antes havia uma pressão porque a empresa precisava. Hoje, as condições de honrar os compromissos são muito boas”, afirmou.
Selic
Além de uma melhora nos indicadores financeiros, a empresa acompanha a possível redução na taxa básica de juros, a Selic. Há expectativa no mercado de que ela chegue ao final do ano próxima de 12%. Cada ponto porcentual equivale a uma economia de R$ 30 milhões no custo da dívida da empresa.
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Portanto, se os prognósticos se confirmarem, o impacto para a empresa será positivo em R$ 90 milhões.
“Com menos despesa financeira, desalavancamos mais rápido e podemos também ter uma melhora no lucro”, disse o vice-presidente de Finanças da empresa, Átila Simões.