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Educação Financeira

Qual “caixinha” rende mais? Veja a comparação entre 7 bancos

Ferramentas de Nubank, Mercado Pago, Inter, PagBank, PicPay, Itaú e Banco do Brasil podem render mais de 100% do CDI — mas condições e riscos variam

Por Beatriz Rocha

10/03/2026 | 9:36 Atualização: 11/03/2026 | 9:52

Buscas por temas relacionados a "cofrinhos" no Google cresceram 297% nos últimos dois anos. Foto: Adobe Stock
Buscas por temas relacionados a "cofrinhos" no Google cresceram 297% nos últimos dois anos. Foto: Adobe Stock

As “caixinhas” e “cofrinhos” se espalharam pelas principais instituições financeiras brasileiras e já ganharam versões nos bancos tradicionais. Segundo um estudo do Google, as buscas pelas ferramentas, que ajudam a separar dinheiro por metas, cresceram 297% nos últimos dois anos.

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O levantamento mostrou ainda que as pesquisas sobre o tema se tornaram mais longas e comparativas, com termos como “quanto rende R$ X em uma caixinha versus R$ X em um cofrinho de outro banco” em destaque.

E não é só o nome da ferramenta que muda de uma instituição para outra: os investimentos que estão por trás dela também variam. Na prática, a “caixinha” representa uma embalagem para produtos financeiros, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Recibos de Depósito Bancário (RDBs), fundos de renda fixa e títulos públicos.

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Por isso, antes de colocar o dinheiro em um “cofrinho”, vale entender suas principais características, como rentabilidade, segurança, liquidez e o tipo de investimento no qual os recursos estão alocados.

Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor de administração da ESPM, recomenda que o investidor realize primeiramente um planejamento financeiro e considere fatores como idade, objetivo e faixa de renda na hora de escolher uma “caixinha”.

“O primeiro fator a se observar é o rendimento do ‘cofrinho’. Vale procurar uma ferramenta que ofereça pelo menos 100% do CDI. O perfil do investidor – conservador, moderado ou arrojado – também precisa ser considerado”, afirma.

Investidores mais conservadores tendem a priorizar segurança e liquidez, optando por “caixinhas” atreladas a produtos de renda fixa simples, com baixo risco e possibilidade de resgate rápido. Já perfis moderados ou arrojados podem aceitar prazos mais longos em busca de rentabilidades superiores.

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Independentemente do perfil, Filho faz uma recomendação geral: o “cofrinho” precisa ter proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) se estiver atrelado a um CDB ou RDB. O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF, com um teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Veja a comparação de sete “caixinhas” e “cofrinhos” do mercado

Rentabilidade pode ultrapassar 100% do CDI

O E-Investidor consultou as condições das ferramentas de sete instituições: Nubank, Mercado Pago, PagBank, PicPay, Inter, Itaú e Banco do Brasil. Confira, na tabela a seguir, as principais características de cada uma:

Em quesito de rentabilidade, o rendimento padrão da maioria das “caixinhas” parte de 100% do CDI. No Nubank, o retorno prometido sobe para 120% na chamada “caixinha Turbo”, disponível para clientes Nubank+ ou portadores do cartão Ultravioleta. A assinatura mensal do plano Nubank+ custa R$ 29, sendo isenta para quem gasta R$ 3,5 mil no mês ou possui R$ 30 mil investidos ou como saldo em conta.

Para os demais clientes do Nubank, a “caixinha Turbo” exige movimentação mensal mínima de R$ 900 na conta e vale por ciclos de um mês. Se o requisito não for cumprido, o saldo volta a render 100% do CDI.

No Mercado Pago, os “cofrinhos” para clientes Meli+ (programa de fidelidade do grupo Mercado Livre com assinaturas a partir de R$ 9,90 por mês) rendem, tradicionalmente, 120% do CDI para valores até R$ 10 mil. O que ultrapassa esse patamar tem rentabilidade de 100% do CDI.

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Uma campanha especial da fintech ampliou temporariamente o rendimento do “cofrinho” aos clientes Meli+ para 140% do CDI até valores de R$ 10 mil. Acima disso, o retorno é de 100% do CDI. A oferta vale até 3 de abril.

Além dessas condições especiais, existem outras: os clientes pessoa física que trazem a partir de R$ 1 mil para a conta no Mercado Pago têm acesso a rendimentos de 115% do CDI, com limite de até R$ 5 mil. Acima desse valor, o rendimento passa a ser de 100% do CDI em todo o restante do depósito.

Já os “cofrinhos” para pessoas jurídicas, lançados em setembro de 2025, rendem 115% do CDI até R$ 10 mil e 100% do CDI para valores entre R$ 10 e R$ 100 mil.

No PagBank, o retorno varia conforme o valor investido: aplicações de até R$ 10 mil rendem até 130% do CDI, enquanto quantias superiores a esse nível têm rentabilidade de 100% do CDI.

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No PicPay, o “cofrinho” comum rende 102% do CDI, enquanto o “cofrinho Turbinado” promete retorno de 121% do CDI. Essa última versão está disponível para clientes Epic, PicPay Mais e usuários selecionados. O critério de elegibilidade para ser Epic é ter renda mensal a partir de R$ 15 mil. Já a assinatura do PicPay Mais custa R$ 23,99 por mês.

Modalidades de investimento variam entre bancos

A maior parte das ferramentas está associada a CDBs, mas há exceções. No Mercado Pago, o “cofrinho” está atrelado ao Tesouro Selic; no Banco do Brasil, a um fundo de renda fixa, que cobra taxa anual de 0,5%; no Nubank, a um RDB – título que funciona de forma semelhante ao CDB, mas não pode ser negociado no mercado secundário, por ser nominativo e intransferível.

No Inter, há alternativas: o cliente pessoa física pode escolher entre um CDB do banco ou um Time Deposit (título de renda fixa similar ao CDB, mas emitido no exterior com rendimento atrelado ao dólar). Já o cliente pessoa jurídica pode optar por um CDB ou um fundo de investimento com resgate imediato.

Dentre as ferramentas das instituições consultadas pelo E-Investidor, todas aquelas associadas a CDBs e RDBs contam com garantia do FGC. O “cofrinho” do BB, por estar atrelado a um fundo, não tem essa proteção, assim como o do Mercado Pago, que está ligado ao Tesouro Selic. Nesse caso, no entanto, a segurança é maior: trata-se do risco soberano, pois os títulos públicos são garantidos pelo governo federal.

As limitações das “caixinhas”

Leandro Costa, planejador financeiro CFP pela Planejar, explica que a “caixinha” é eficiente para construir a reserva de emergência, o dinheiro guardado para imprevistos, que pode ser resgatado com facilidade.

Para metas de médio e longo prazo, elas se tornam limitadas, pois não oferecem diversificação, nem estratégias de otimização de risco e retorno. “Nesses horizontes, o investidor tende a se beneficiar mais de uma carteira estruturada de renda fixa, combinando prazos, indexadores e estratégias diferentes”, afirma.

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Embora sejam práticos, o planejador vê risco educacional nos “cofrinhos”. “Ao enxergar o investimento apenas como ‘caixinha’, o investidor pode deixar de compreender que está aplicando em um título de renda fixa, o que dificulta o entendimento de alternativas como CDBs, fundos de renda fixa e Tesouro Direto”, diz.

“Caixinhas” x CDBs x Tesouro Selic: qual o melhor?

Na hora de optar pela “caixinha” ou escolher diretamente um CDB do próprio banco, a orientação é de realizar uma comparação das ofertas. “Muitas ferramentas nem sempre oferecem as melhores condições disponíveis dentro da própria instituição. Já vi situações em que o CDB fora da ‘caixinha’ pagava mais. Por isso, vale checar”, alerta o planejador financeiro Lenilson Vieira.

Na comparação entre Tesouro Selic e “cofrinhos” associados a outros produtos, a principal diferença está no risco de crédito. O título público tem risco soberano, enquanto o CDB depende da saúde da instituição emissora.

Viera, da Planejar, ressalta que, embora exista a cobertura do FGC dentro dos limites legais nas “caixinhas”, o Tesouro garante uma camada adicional de segurança para investimentos mais elevados.

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