Apesar de ainda pressionado, a avaliação do BB é que o Santander “parece estar deixando para trás” o momento mais desafiador do ciclo de alta de Selic, embora ainda esteja com margem financeira baixa.
“Ainda que sinais de vitalidade como crescimento de carteira e margem financeira estejam longe de estelares, acreditamos que a inflexão nos índices de inadimplência conjugada com o ciclo de afrouxo monetário em andamento deve devolver o apetite por crescimento e por um mix mais rentável de crédito ao banco”, ressalta o analista do BB, Rafael Reis, em relatório.
O banco espanhol, com retorno patrimonial (ROE) de 13% no trimestre ainda tem número aquém de seus pares e o lucro antes dos impostos ainda está “bastante aquém” de seus melhores momentos no Brasil.
Entre os destaques positivos, o BB destaca a melhora na qualidade de crédito, com decréscimo dos índices de inadimplência tanto nos atrasos acima de 90 dias (de 3,3% para 3,0%) quanto para período mais curto, entre 15 e 90 dias (de 4,2% para 4,0%).
Outro ponto positivo destacado pelo BB foi o recuo na despesa com provisão para devedores duvidosos (PDD), de 6% no trimestre e de 9% na comparação anual.
No crédito, o destaque foi o avanço dos empréstimos para pequenas e médias empresas e pessoas físicas, o que evidencia o retorno de “algum apetite” por essas linhas, ponto considerado positivo pelo BB.
Já a margem financeira ainda se encontra pressionada, em recuo no trimestre ante o segundo período do ano – embora 6,5% maior que no mesmo período de 2022, ressalta o BB. A queda ainda reflete o conservadorismo no crédito, em meio ao temor de piora da inadimplência desde o final de 2021, por causa da elevação dos juros.
“A tesouraria mostrou ligeira melhora, mas ainda contribui negativamente para o resultado”, observa o BB Investimentos.