Os preços de energia, porém, devem recuar com o tempo, e a questão que fica é se há sinais de força da demanda, que pode criar pressões inflacionária à frente, argumenta. Segundo Rehn, há três “forças” que podem provocar uma inflação mais persistente. Primeiro, ele citou efeitos de segunda rodada que podem elevar os salários, algo que até aqui não aconteceu. Entre as razões para isso, Rehn destaca o “risco crescente de recessão na zona do euro e o aumento constante da taxa de participação no trabalho”.
O endividamento público acumulado durante a crise do coronavírus, se não for controlado, pode ser outro fator a pressionar os preços à frente, disse o dirigente. Por fim, Rehn avalia que a formação de expectativas inflacionárias é outro pilar sobre o qual o BCE deve se manter atento.
Diante destes riscos, o BCE optou por encerrar seu período de decisões tomadas com base no forward guidance, para uma estratégia que prioriza os dados mais recentes. “Se mantivermos a mente aberta e continuarmos aprendendo as lições nesse novo ambiente, estou confiante de que seremos capazes de acertar nossa política – ou se nem sempre certa, pelo menos com o mínimo de erro possível – nos tempos difíceis daqui para frente”, conclui Rehn.