Investidores buscam entender qual o impacto que o conflito no Oriente Médio pode ter sobre as criptomoedas (Imagem: Adobe Stock)
O bitcoin opera em queda hoje, enquanto investidores seguem buscando compreender qual o impacto do choque nos mercados causado pela guerra no Oriente Médio para o ativo. Em um primeiro momento, o conflito favoreceu as cotações na medida em que a perspectiva de alta na inflação ofereceu espaço para o bitcoin agir como refúgio.
Por sua vez, há a visão de que a criptomoeda possa se comportar como outros ativos de risco e cair com o temor generalizado nos mercados.
Por volta das 18h25 (de Brasília), o bitcoin caía 1,93%, a US$ 68.008,00. Já o ethereum tinha baixa de 3,59%, a US$ 1.965,45, de acordo com a plataforma Binance.
O bitcoin enfrenta pressão adicional de baixa caso o conflito entre EUA e Irã se intensifique, afirma a analista Carolane De Palmas, da ActivTrades.
“Se as tensões aumentarem significativamente e desencadearem volatilidade sustentada nos mercados globais, é provável que os investidores intensifiquem sua busca por ativos mais seguros.” Nesse cenário, o Bitcoin poderia cair, à medida que os investidores reduzem a exposição a ativos voláteis para gerenciar o risco geral, explica.
No entanto, o bitcoin poderia se beneficiar se o conflito realmente interromper o fornecimento de petróleo e elevar acentuadamente os preços da energia, causando aumento nas expectativas de inflação e alterando as expectativas de política monetária, acrescenta.
Ana de Mattos, analista Técnica e trader Parceira da Ripio, aponta que ao longo de janeiro e fevereiro, o bitcoin passou a reagir aos mesmos fatores que afetam ativos de risco tradicionais: maior sensibilidade aos juros dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) de 10 anos, ao dólar, à volatilidade das bolsas americanas e ao ruído político relacionado às tarifas.
Para o próximo mês, a principal dúvida é se o mercado conseguirá recompor a demanda institucional e absorver o excesso de oferta gerado pelas perdas recentes sem a ocorrência de um novo choque macroeconômico, como mudanças em juros ou tensões comerciais, avalia Mattos.
O principal ponto de atenção continua sendo o fluxo de capital e as condições financeiras, já que a direção dos preços deve depender do retorno de compradores ao mercado à vista, conclui.