Bitcoin cai mais de 7% e volta ao menor nível desde abril após o Banco Central da China endurecer o combate às negociações com criptomoedas; mercado devolve ganhos da semana passada. (Imagem: Adobe Stock)
Obitcoin tenta se recuperar do tombo de 7% que sofreu ao longo das negociações de segunda-feira (1). Às 17h (de Brasília), a maior criptomoeda em valor de mercado operava em alta robusta no fim da tarde desta terça-feira, recuperando perdas da véspera conforme o sentimento de risco se voltava aos mercados globais. O bitcoin avançava 8,24%, a US$ 91.720,03 e o ethereum saltava 10,13%, a US$ 3.011,19, de acordo com a plataforma Coinbase. O movimento reflete uma recuperação técnica após o clima de aversão a risco que predominou entre os investidores nos últimos dias.
Iniciando dezembro em extrema volatilidade, o bitcoin subia e ultrapassava os US$ 91 mil, recuperando as perdas intensas registradas na segunda-feira. Apesar da melhora, o mercado cripto está “andando em terreno instável”, aponta a FxPro, afirmando que “a qualquer momento” uma reversão pode acontecer.
Na mesma linha, analistas da XS.com afirmam que não há sinais de que o momento de baixa tenha passado. Investidores com grande participação em bitcoin continuam se desfazendo da moeda digital, o que reforça a probabilidade de uma retração mais profunda acontecer, apontam os especialistas do portal.
Enquanto isso, a Binance afirma que o mercado antecipa uma nova queda, dessa vez para a faixa entre US$ 65 mil e US$ 74 mil. Os investidores continuam assimilando, ainda, a sinalização de flexibilização monetária por parte do banco central do Japão, que pode fazer com que bilhões de dólares sejam “repatriados” de volta ao país asiático, afirma o Swissquote, abandonado investimentos como as criptomoedas e outros ativos de risco. Também no radar, o presidente da Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA) Paul Atkins afirmou, em entrevista à CNBC, que uma “isenção de inovação” para o setor de cripto deve ser divulgada em cerca de um mês. Atkins disse, ainda, que espera “ajudar esse setor da economia a progredir”.
Um dos principais fatores na segunda foram as notícias sobre o Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês). A autoridade monetária chinesa informou que deve ampliar o combate à negociação das criptomoedas, destacando que elas não possuem “status legal” e que não podem ser utilizadas “como moeda na circulação de mercado”.
A repercussão levou o bitcoin ao o seu menor nível desde o mês de abril, segundo gráfico da Binance. Na última segunda-feira (1°) por volta das 17h (em Brasília), o bitcoin registrava perdas de 7,37%. Conforme o Wall Street Journal, esta é a maior queda porcentual do bitcoin desde março deste ano.
“O bitcoin mostra tendência de baixa no curto prazo. Isso sinaliza um pessimismo crescente entre os investidores e indica uma queda ainda maior”, apontam analistas do Investtech, em linha com a aversão a risco observada também no mercado acionário dos Estados Unidos.
O Bitfinex, porém, afirma que o mercado cripto dá sinais de estabilização das perdas e “exaustão vendedora” diante de desalavancagem e capitulação entre investidores de curto prazo. No noticiário corporativo, as reservas da Strategy chegaram a 650 mil bitcoims, enquanto a desvalorização da criptomoeda levou a empresa a revisar guidance para 2025. A aquisição de novos BTC surge dias depois das declarações do CEO da companhia, Phong Le, que mencionou as circunstâncias de uma possível venda de parte das suas reservas em bitcoin.
Em entrevista ao programa What Bitcoin Did na sexta-feira (28), o executivo afirmou que consideraria a venda do bitcoin caso não tenha mais alternativas de financiamento no mercado e se o valor patrimonial líquido ajustado (mNAV) da Strategy – métrica responsável por comparar o valor de mercado de uma empresa com suas participações em cripto – caísse abaixo de 1x. Atualmente, a Strategy possui um mNAV de 1,15x, segundo dados do site oficial da empresa.
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Segundo Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, a política de investimento em bitcoin da Strategy costuma definir a percepção de risco dos investidores em criptos. Por isso, períodos de alta volatilidade qualquer declaração ou anúncios ligados à empresa têm potencial de gerar grandes ruídos ou recuperações no mercado.
“A Strategy mantém uma visão clara de longo prazo para o Bitcoin. Em seus comunicados públicos, a empresa reforça que a escassez programada da moeda digital continua sendo o pilar central de sua tese, baseada na oferta limitada e no caráter global e não soberano do ativo”, diz a especialista.
Além desses eventos, as preocupações com a possível insolvência da Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, a USDT, ganharam notoriedada entre os investidores, impulsionando na queda do bitcoin. No X (antigo twitter), Arthur Hayes, co-fundador da corretora BitMEX, comentou que uma queda da aproximadamente de 30% na posição da Tether em ouro e em bitcoin poderia resultar em sua insolvência.
The Tether folks are in the early innings of running a massive interest rate trade. How I read this audit is they think the Fed will cut rates which crushes their interest income. In response, they are buying gold and $BTC that should in theory moon as the price of money falls.… pic.twitter.com/ZGhQRP4SVF
O mercado cripto também permanece sensível cenário macroeconômico. Investidores iniciam dezembro à espera de indicadores econômicos sobre a atividade industrial e de serviços dos Estados Unidos, além dos dados mais recentes sobre a vagas do setor privado na economia americana. Os números devem ajudar o mercado validar a possibilidade do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reduzir as taxas de juros em sua próxima reunião, marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.