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Bradesco pode se tornar um dos maiores acionistas do grupo CCR (CCRO3)

A participação que o Bradesco pretende comprar no grupo é avaliada em R$ 2,8 bilhões

Por Altamiro Silva Junior

14/01/2025 | 13:21 Atualização: 14/01/2025 | 13:17

Pedágio do Grupo CCR. (Foto: JF DIORIO/ESTADÃO)
Pedágio do Grupo CCR. (Foto: JF DIORIO/ESTADÃO)

O Bradesco (BBDC3;BBDC4) pode se tornar um dos principais acionistas da CCR (CCRO3), junto com nomes como a Itaúsa e a Votorantim. A entrada do banco no bloco de controle pode ocorrer se conseguir assumir as ações que o Grupo Mover (ex-Camargo Correa) tem da companhia de concessões e infraestrutura e que deu como garantia ao banco para tomar crédito. A participação é avaliada em R$ 2,8 bilhões fechamento de ontem.

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O Bradesco BBI tem 281,6 milhões de ações da CCR que a Mover deu em garantia para tomar empréstimos com o banco. O grupo tem participação de 14,86% na empresa de concessões, o equivalente a 300 milhões de papéis, ou seja, o banco tem 94% das ações que a Mover tem da CCR – dona da concessões das principais estradas do Brasil (como as rodovias Dutra e Bandeirantes), de grandes aeroportos (como o de Belo Horizonte e Curitiba), e trens e metrôs, como a linha 4 Amarela da cidade de São Paulo. A CCR é avaliada em R$ 20 bilhões na B3.

No bloco de maiores acionistas da CCR, depois da Mover, aparecem a Itaúsa e a Votorantim, ambos com 10,33%, em participações compradas da construtora Andrade Gutierrez no final de 2022. O maior acionista é a Soares Penido, com 15%.

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A Mover entrou em recuperação judicial em dezembro passado, junto com a fabricante de cimentos Intercement, que é controlada pelo grupo. O Bradesco, um dos principais credores, alega que como está inadimplente, pode assumir esses papéis dados como garantia.

Na noite de ontem, a CCR divulgou fato relevante ressaltando que recebeu uma cópia de notificação do Bradesco BBI. No documento, o banco afirma que pediu para consolidar a propriedade fiduciária sobre as ações da CCR que tem como garantia. O Bradesco diz que já solicitou ao agente escriturador o início dos trâmites para essa consolidação, e ainda notificou os demais acionistas para eventual exercício do direito de preferência.

Em dezembro, a Intercement, segunda maior produtora de cimentos do Brasil, depois de longas negociações para ser vendida, sem sucesso, entrou com pedido de recuperação judicial. As dívidas somavam R$ 14,2 bilhões. Além do Bradesco, o grupo tem como credores bancos (Banco do Brasil e Itaú) e detentores de títulos de dívida emitidos no Brasil e no exterior. O Bradesco tem dívidas na casa dos R$ 3 bilhões com o grupo.

A Mover também se pronunciou sobre o caso e não concorda com a decisão do Bradesco. No mesmo comunicado da CCR, a Mover afirma que a consolidação da propriedade das ações pretendida pelo banco “não pode ser implementada”. E a justificativa é que o Bradesco BBI não teria procuração “válida e vigente” para representar o Grupo Mover. Outro motivo é que o banco “não teria comprovado a obtenção das autorizações dos poderes concedentes e de autoridades reguladoras” para essa transferência.

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A Mover alega ainda que o Bradesco BBI “não possuiria legitimidade para notificar os demais acionistas do bloco de controle da CCR para exercício do direito de preferência”. Por isso, vê como “impossível a adoção de quaisquer atos com o objetivo de consolidar a propriedade fiduciária sobre as ações” sem o banco fazer todos os procedimentos estabelecidos no acordo de acionistas.

Uma justificativa adicional é que a dívida a receber do Bradesco pela Mover “seria um crédito quirografário, sujeito à recuperação judicial, não podendo ser pago fora dos termos do plano de recuperação judicial”. Segundo uma fonte, não houve a transferência das ações, só existe a solicitação do banco por enquanto.

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