Em relatório divulgado após a estreia da companhia na Nyse, o banco projeta uma reavaliação gradual das ações, com a JBS ganhando espaço para fechar o desconto que ainda carrega frente a concorrentes listadas nos EUA, especialmente a Tyson Foods.
“A listagem em Nova York muda o jogo: a JBS agora tem acesso a uma base de investidores mais ampla e a maior flexibilidade de capital”, afirma o BTG. A recomendação do banco assume um múltiplo de 10x EV/Ebit para 2025 – ainda com 18% de desconto frente à Tyson, mas que já reflete o novo estágio da companhia após a listagem dupla.
A operação incluiu a criação de duas classes de ações: as Classe A, listadas sob o ticker JBS nos EUA, e as Classe B, com poder de voto 10 vezes maior, mas não negociáveis. A estrutura visa dois objetivos principais: reduzir o desconto de valuation em relação aos pares americanos e viabilizar M&As com maior flexibilidade acionária. Segundo o BTG, ambos começaram a se concretizar.
Desde o anúncio do acordo entre J&F e BNDES para viabilizar a listagem, as ações da JBS avançaram cerca de 60% em 2024. A diferença de valuation com a Pilgrim’s Pride, subsidiária americana da JBS, já foi praticamente eliminada. Em relação à Tyson, porém, ainda resta espaço: a relação EV/Ebit passou de 5,3x para 3,9x, e o fechamento total dessa lacuna poderia liberar até R$ 86 bilhões em valor de mercado, diz o relatório.
Outro trunfo, segundo o banco, está na área de alimentos processados. Embora a exposição da JBS ao segmento ainda seja menor do que a da Tyson (10% a 15% da receita contra 19%), o desempenho tem sido equivalente ou superior. “Mesmo com uma menor participação, o perfil de lucro da JBS tem se mostrado igualmente resiliente, graças à diversificação global”, avalia o BTG.
O relatório, no entanto, faz um alerta: apesar do forte desempenho operacional em 2024 e da expectativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 36,6 bilhões em 2025 (margem de 7,7%), o ciclo de alta pode perder fôlego. Para 2026, o BTG projeta uma queda para R$ 31,9 bilhões (margem de 6,5%), com pressão sobre o ciclo do gado nos EUA e possível retenção de fêmeas no Brasil.
Ainda assim, o banco acredita que o momento de valorização das ações deve ser guiado menos pelos lucros e mais por uma reavaliação estrutural do papel. “Com o fim do impulso dos resultados, a próxima perna de alta depende da expansão dos múltiplos, e a listagem em Nova York pavimenta esse caminho”, diz.