Citi revela seus resultados do 4T25 (Foto: Adobe Stock)
Citi Brasil registrou lucro líquido recorde de R$ 2,9 bilhões no ano passado, um crescimento de 28% na comparação com 2024, apesar da postura mais seletiva no crédito. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) avançou quatro pontos porcentuais, a 22%, nível acima do esperado para a área que o banco atua no Brasil, o atacado, em meio ao aumento das margens e maior eficiência.
“Estimávamos que ao redor de 18%, 20% seria um bom nível de retorno para uma atividade de atacado como a nossa e conseguimos entregar 22%”, afirma o presidente do Citi no Brasil, Marcelo Marangon, que está de saída do cargo para assumir uma posição global do banco americano, como co-chefe da área de corporate banking, em Nova York, conforme mostrou a Broadcast em janeiro.
Segundo Marangon, o País reteve a posição como quinta maior operação do Citi no mundo em termos de resultados gerados para o grupo, mesmo com outros países com economias crescendo mais, como a Índia. No Brasil, o Citi segue com a liderança em câmbio, custódia para investidor estrangeiro e emissões externas, além de participar este ano das duas ofertas ações de empresas brasileiras em Nova York, PicPay e Agibank.
Nas captações externas, o Citi Brasil atuou em 22 das 35 emissões no mercado internacional de bonds no ano passado, de acordo com ele, com quase 70% do volume.
Com lucro em alta, o Brasil fez um pagamento extraordinário de dividendos para a matriz em Nova York. “Pagamos R$ 5 bilhões em dividendos em 2025, contra R$ 2 bilhões em 2024, o que mexeu no patrimônio”, explicou o presidente da filial brasileira do Citi à Broadcast.
Cautela no crédito
Em tempos de juros a 15%, o banco ficou mais seletivo e a carteira de crédito fechou 2025 com um saldo de R$ 53 bilhões, ante R$ 56 bilhões em 2024. A taxa de inadimplência ficou em 0,8%, pelo critério de atrasos acima de 90 dias.
De acordo com Marangon, a relativa estabilidade da carteira refletiu a maior cautela na concessão e um movimento em que as empresas migraram de empréstimos bancários para o mercado de capitais. “Muitas transações que nós tínhamos bilaterais se tornaram operações de mercado de capitais, saíram dos bancos e foram para os investidores”, explicou.
Para 2026, o banco deve manter a abordagem conservadora no crédito, em um cenário de juros ainda em dois dígitos e de incertezas relativas às eleições presidenciais. Na visão de Marangon, a política monetária restritiva continuará induzindo desafios adicionais à economia, embora não a ponto de gerar uma crise de crédito no Brasil. O presidente ressalta:
Temos disciplina muito rigorosa no crédito. A cautela vai permanecer ao longo de 2026. Temos uma carteira bastante sólida e estamos satisfeitos com a qualidade de crédito dele, mas vamos manter essa seletividade ao longo de 2026, porque vemos uma possível deterioração da performance das empresas, fruto das altas taxas de juros
Os ativos totais do Citi Brasil também ficaram praticamente estáveis, em R$ 193 bilhões no final de dezembro. Já os depósitos apresentaram alta de 15%, a R$ 93 bilhões. O índice de Basileia, que mede a solidez de capital de uma instituição financeira, encerrou o ano em 13,3%, acima do mínimo de 11% exigidos pelo Banco Central. A margem financeira aumentou R$ 700 milhões, a R$ 7,1 bilhões, enquanto o patrimônio liquido recuou de R$ 11,8 bilhões para R$ 10 bilhões.