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Saiba se vale investir nos EUA diante de cenário econômico conturbado

Especialistas reforçam que é possível investir em ativos americanos mesmo em meio à instabilidade

Saiba se vale investir nos EUA diante de cenário econômico conturbado
Olhar para o cenário macro e para a capacidade de uma empresa resistir a crises é fundamental na hora de aplicar seus recursos. Foto: Envato Elements

Inflação elevada em meio a pleno emprego enfrentada por um forte aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Uma desaceleração econômica – para alguns, recessão iminente. E ainda uma turbulência no setor bancário com anúncios de quebra ou ajuda a instituições financeiras quase todo dia.

Os Estados Unidos experimentam uma sucessão de elementos macro e microeconômicos capaz de tornar a vida do investidor exposto a ações americanas pouco tranquila. Nesse cenário de desassossego, há quem prefira ficar na renda fixa. Mas especialistas ouvidos pelo Broadcast Investimentos destacam que existe espaço para quem investe em uma seleção criteriosa de papéis e outros ativos independentemente do cenário macroeconômico.

“Uma escolha criteriosa de empresas para investir vai ser muito mais importante agora do que foi nos últimos dez anos”, afirma Rodrigo Lobo, sócio da Nextep Investimentos, gestora que toma decisões de investimentos olhando para cada ação, não com base em análises e previsões macroeconômicas. Segundo Lobo, ao longo da última década, “os preços das ações americanas subiram ininterruptamente”.

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“Basicamente, qualquer ação que se comprasse estaria mais cara em um ou três anos para frente e, provavelmente, daria um retorno muito bom”, disse Lobo. “Acho difícil que essa bonança volte num prazo relativamente curto”, acrescentou.

A avaliação do sócio da Nextep é de que se trata de um momento de fechamento do ciclo que começou em 2008, com a crise financeira global. Naquele ano, os bancos centrais, “principalmente o BC americano, tomaram a decisão de enfrentar a crise e os problemas de liquidez que a economia enfrentava na época ‘jorrando’ recursos no mercado e estimulando de maneira agressiva a economia”. Essa mesma aposta, lembra Lobo, foi “retomada com a pandemia”. “Pessoas poderiam ter sofrido muito mais se não fossem essas medidas, mas toda festa um dia acaba e depois vem a ressaca”, pondera Lobo.

E nesse “fim de festa”, a gestora segue focada em olhar para empresas mais que para o cenário. Embora não fale sobre os papéis de maior peso em seu fundo de ações, algumas companhias que a Nextep tem na carteira são Berkshire Hathaway, GE e Google.

Maria Antonia Viuge, sócia e analista sênior da Nextep, diz que o objetivo é “identificar empresas que têm modelos de negócios resilientes a um ambiente inflacionário, que conseguem repassar preço, que têm time de executivos experiente e comprometido e alinhados com o interesse do acionista minoritário”. “E tudo isso tem que ser empacotado em um preço que oferece boa margem de segurança. Considerando que os próximos anos serão difíceis, quais empresas a gente quer ter na carteira, quais os múltiplos que estamos dispostos a pagar por esses ativos?”, pondera a analista, que destaca não apostar no chamado “market timing”.

Mas Lobo faz a ressalva de que o cenário macro interessa para a seleção de “boas oportunidades”, uma vez que “reações desproporcionais dos mercados” a determinados acontecimentos podem abrir espaço para “ajustes de portfólio em alguma posição que vale a pena”. “A gente não baseia nossas escolhas no contexto macro, mas toma vantagem de um cenário que pune muitas empresas de altíssima qualidade só por uma questão de expectativa”, acrescenta Viuge.

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Segundo Lobo, em 2020, a gestora aproveitou quedas de ações para ajustar posições – o que já não aconteceu, ao menos por enquanto, com o início da turbulência no setor bancário.

Oportunidade na curva de juros e em ouro

“Não tem nada no momento que a gente olhe e gostaria de comprar”, crava Ruy Alves, gestor macro global da Kinea Investimentos. Levando em consideração o cenário macroeconômico para a tomada de decisões, o gestor também observa a mudança nos mercados na última década e, mais recentemente, o aperto nas principais economias que começou a ser sentido também pelas empresas, o que apoia sua visão pessimista.

“Hoje eu recebo para vender o S&P. Ter uma posição vendida [que aposta na queda] paga 5% ao ano, quando antes pagava 0%. Da mesma maneira que carregar uma posição comprada [que aposta na alta] no S&P anteriormente me custava 0%, e hoje me custa 5% ao ano. Quando você aperta a política monetária, não aperta somente a economia, aperta os mercados também”, afirma Alves. Ele espera que em algum ponto entre o segundo semestre deste ano ou no primeiro do ano que vem, a economia global terá um “momento mais difícil”.

Assim, o gestor diz manter posição vendida em equities no exterior, uma vez que aumentou o custo para manter uma posição comprada, a liquidez global está sendo retirada e os lucros das empresas devem começar a sofrer. Segundo Alves, a Nvidia, empresa ligada à inteligência artificial, está entre as poucas posições em Bolsa que alguns fundos ainda carregam.

E como a Kinea está posicionada nos Estados Unidos? Alves revela estar comprado em posições que se beneficiam da inflação – principalmente a de médio prazo – mais alta que o precificado pelo mercado atualmente. E conta que tem posição tomada, ou seja, apostando na alta das taxas curtas, pois avalia que o mercado “agiu muito agressivamente”, colocando “muitos cortes de juros em um período muito curto”.

Alves destaca ainda que a gestora tem uma visão positiva para ouro, em vista de o Fed precisar “lutar menos” contra a inflação. Sobre as economias europeias, a asset tem posição comprada em juros na Alemanha e vendida em juros na Itália e, sobre o Japão, o gestor avalia que o iene está barato.

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