“Eu não vejo essa inconsistência intertemporal”, disse Guillen, que participa na manhã de hoje de um webinar organizado pelo Credit Suisse. “A estratégia passa por dois aspectos conjugados: o primeiro é uma Selic terminal mais alta do que o Focus e o segundo é um tempo mais prolongado significativamente contracionista. Então, é uma curva mais elevada do que o Focus em todo o horizonte”, completou, acrescentando que a intenção do Copom foi explicar a sua estratégia, sem fornecer um forward guidance.
No último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o BC previu um IPCA de 4,0% em 2022 e 2,70% em 2023, abaixo das medianas observadas no mais recente relatório Focus para ambos os anos – de 5,09% e 3,30%, respectivamente. De acordo com Guillen, a estratégia do BC envolve reancorar as expectativas de inflação, sobretudo as que aparecem no relatório Focus. “Reancorar aumenta o custo de desinflação. Então, o objetivo é sempre manter as expectativas ancoradas, para reduzir os custos da desinflação futura”, afirmou.
De acordo com Guillen, o aperto monetário atua com uma defasagem próxima de cinco trimestres no Brasil, o que significa que a maior parte dos impactos defasados serão sentidos ao longo do segundo semestre. O diretor o BC ainda afirmou que, ao sinalizar um juro elevado por mais tempo em 2023, o BC mostra que haverá um impacto sobre a inflação de 2024.
Para ele, o exercício apresentado no último RTI sobre o impacto de uma taxa Selic estável em 13,25% ao longo de 2023 sobre a inflação do ano que vem (-0,3pp) não se trata de um cenário alternativo, mas de uma simulação que mostra o ganho de não reduzir juros ao longo de um ano. “Eu penso mais como um exercício adicional do que como um cenário alternativo, que teria de delinear qual é o juro sobre todo o horizonte de projeção”, disse.