Afora uma alta muito limitada e pontual nos primeiros minutos de negócios, quando registrou máxima a R$ 4,9901 (+0,05%), o dólar operou em baixa firme ao longo do pregão. Com mínima a R$ 4,9391 (-0,97%), a moeda fechou em queda de 0,75%, cotada a R$ 4,9499. Apesar de dois recuos seguidos, a divisa ainda acumula leve valorização na semana (+0,13%), em razão do avanço de 1,37% na segunda-feira.
Nos EUA, os números do CPI e de seu núcleo – que exclui itens voláteis como alimentos e energia – vieram em linha com o esperado por analistas em abril. Na comparação anual, o índice subiu 4,9%, enquanto a expectativa era de 5%. Já o núcleo do CPI marcou alta de 5,5%, de acordo com o consenso do mercado e com leve desaceleração na comparação com março (5,6%).
“Parte do movimento do dólar aqui é por fator externo. A leitura de inflação esta corroborando a narrativa de pausa do Fed na alta de juros. Outras moedas emergentes também estão se apreciando frente ao dólar”, afirma o economista Rafael Rondinelli, do banco Modal, que vê espaço para uma rodada de queda da taxa de câmbio.
Segundo Rondinelli, o real tende a ser favorecido pelos superávits comerciais elevados, em especial com exportações de soja e minério de ferro, e a manutenção de um diferencial de juros interno e externo ainda elevado nos próximos meses, o que estimula as operações de “carry trade”. O economista do Modal ressalta que o real apresenta um desempenho abaixo de seus pares nos últimos anos, em razão de prêmios de risco associados à turbulência política e a incertezas em relação às contas públicas.
“A redução da incerteza no cenário fiscal com o novo arcabouço, ainda que não tão forte quanto o desejado pelo mercado, pode abrir espaço para maior apreciação do real”, diz Rondinelli, que mantém ainda projeção de dólar a R$ 5,25 no fim do ano, mas com viés para baixo. “Provavelmente, o Banco Central terá espaço para reduzir juros antes do Fed, o que vai diminuir o diferencial de juros e o câmbio pode voltar um pouco”.
Em entrevista à BandNews quando o mercado de câmbio spot já estava fechado, o secretário-executivo do ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, indicado pelo governo Lula à diretoria de Política Monetária do Banco Central, disse que não faz projeções sobre a política monetária, mas pontuou que a curva de juros futuros local já mostra que pode haver cortes da Selic no segundo semestre.
Pela manhã, o relator do projeto do novo arcabouço fiscal, deputado Claudio Cajado (PP-BA), disse, em entrevista à Globo News, que o texto está concluído e aguarda apenas o retorno do governo. Há possibilidade de que o parecer seja divulgado amanhã, o que abriria possibilidade de votação na próxima semana.