A proposta partiu de mediadores do Egito, do Paquistão e da Turquia, que esperam que a janela de 45 dias dê tempo suficiente para que as negociações avancem rumo a um cessar-fogo permanente. Segundo os funcionários, Irã e EUA ainda não responderam ao texto, que foi encaminhado ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e ao enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
O Irã afirmou que transmitiu, por meio de intermediários, suas exigências para um possível cessar-fogo com os EUA. Dada a possibilidade, a atenção dos investidores recai sobre a coletiva de imprensa do presidente Donald Trump às 14h (de Brasília). Segundo analistas, um tom mais agressivo ou novas ações militares podem reverter rapidamente o movimento de alívio parcial, fortalecendo o dólar globalmente. Por outro lado, qualquer sinal concreto de negociação ou distensão tende a ampliar a queda da moeda.
No domingo (5), Trump elevou o tom e ameaçou atingir duramente a infraestrutura crítica do Irã caso o governo não reabra o Estreito de Ormuz até o prazo estipulado por ele para terça-feira (7).
Além disso, investidores devem avaliar os dados do mercado de trabalho americano, o payroll, divulgado durante o feriado de Sexta-feira Santa nos EUA, Europa e Brasil. A criação de 178 mil vagas em março superou as projeções, com queda do desemprego e salários mais fracos. Em meio à guerra e os dados, cresce a expectativa de desaceleração do mercado de trabalho e de cortes de juros pelo Federal Reserve apenas no segundo semestre de 2027.
No Brasil, o real pode encontrar suporte adicional na política monetária. A participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na abertura do seminário anual de Política Monetária do IBRE/FGV, no Rio, às 14h, será monitorada em busca de sinais de uma postura mais dura, diante do risco inflacionário ligado ao cenário externo e antes do IPCA de março, que sai na sexta-feira.
Se Galípolo reforçar o compromisso com juros elevados por mais tempo, manteria o diferencial de juros, favorecendo a entrada de capital estrangeiro, pressionando o dólar para baixo. Por outro lado, há fatores domésticos que podem limitar a valorização do real. A queda do petróleo pode pesar sobre a Petrobras e sobre o fluxo cambial via exportações, reduzindo o suporte externo. Além disso, ruídos políticos e questões fiscais seguem no radar, podendo adicionar prêmio de risco ao câmbio.